22 de jun de 2018

Em entrevista, Ciro se posiciona para ser também o candidato da direita

Foto Jaélcio Santana/Fotos Públicas
O presidenciável Ciro Gomes, do PDT, escolheu uma entrevista à revista America’s Quarterly para se posicionar claramente como alternativa tanto ao PT quanto a Jair Bolsonaro: um candidato que trafega inclusive pela centro-direita.

Ciro trabalha alianças com partidos conservadores (DEM, SD, PPS e PP, além do PSB), ao mesmo tempo em que ocupa espaço diante do claro naufrágio de Geraldo Alckmin, do PSDB, cuja candidatura sofreu um novo baque hoje com a prisão de um homem do círculo político íntimo do ex-governador paulista.

Na entrevista, Ciro disse que o Brasil “não pode suportar um governo esquerdista” e, por isso, a tarefa dele não é trabalhar pela união da esquerda.

AQ: Provavelmente só haverá espaço para um candidato da esquerda no segundo turno. Será o seu ou um candidato do PT apoiado pelo Lula?

GOMES: Eu penso que Lula vai apoiar um candidato do PT e será um desastre para eles.

Você tem a capacidade de unir a esquerda?

Este não é meu projeto. Meu projeto é de centro-esquerda. Muito claramente. O Brasil não precisa, nem pode suportar um governo esquerdista. O Brasil precisa de um projeto que una os interesses práticos daqueles que produzem e os interesses práticos daqueles que trabalham.

Você tem sido publicamente crítico de Lula. Por que? O que especificamente ele fez de errado?

Lula para mim não é o mito. Lula é um velho amigo de 30 anos, com o qual eu concordo e discordo. Eu acho que o Lula cometeu sérios erros ao longo de sua vida. Por exemplo, o PT, sob direção do Lula, era contra a Assembleia Constituinte. E hoje o PT é contra todas as mudanças em nossa Constituição. Ou seja, defende a Constituição que se negou a assinar. Nós estabilizamos a moeda depois de 20 anos de inflação excessiva e o PT foi contra.

O Lula teve a oportunidade de fazer mais contra a corrupção durante seu governo?

Lula teve todo o poder do mundo para reformar o país. E ele optou por um projeto de poder. E esta foi a tragédia brasileira.

Como presidente, como seria sua atitude com respeito à Lava Jato?

Apoio. Apoio total. O Brasil está tentando estabelecer que a impunidade não pode mais ser a recompensa para o crime dos setores poderosos de nossa elite. Mas ainda estamos muito longe disso.

PS do Viomundo: O plano de Ciro é, claramente, o de repetir as alianças de Lula. É a versão pós Lava Jato da conciliação de classes.

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