9 de jun de 2018

Eleições suplementares foram um duro recado à esquerda


No domingo dia 4, os eleitores do estado do Tocantins e de vinte municípios brasileiros foram chamados a votar em eleições suplementares.

A maior parte dessas eleições ocorreu em pequenos municípios, onde a disputa pelas prefeituras está muito ligada a características locais.

Mas em três eleições, por seu maior porte e consequente distanciamento entre representantes e representados, houve candidaturas que desdobraram os perfis ideológicos.

Em que pese o fato de serem eleições extemporâneas e solteiras – realizadas só para o executivo e sem o legislativo – podem emitir sinais que adiantam o que esperar para as eleições de outubro.

Chama a atenção o fenômeno do não-voto (abstenções, votos nulos e em branco) e o fraco desempenho das candidaturas petistas.

Comecemos pelo Tocantins, estado com um milhão de eleitores.

Os dois candidatos mais cotados, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha e a senadora Kátia Abreu ficaram fora do segundo turno.

Passaram para a próxima etapa Mauro Carlesse, do PHS e Vicentinho Alves, do PR.

A abstenção foi de 30,14% do eleitorado, os votos nulos atingiram 17% e os brancos 2,06%.

Ou seja, 43,6% do eleitorado não deu seu voto para nenhum dos candidatos. O campo da esquerda, dividido entre PSB e PDT, saiu derrotado.

A indicação de Lula para o voto em Kátia Abreu parece não ter surtido nenhum efeito, se é que o eleitorado local foi informado da preferência do ex-presidente.

Ipatinga, cidade localizada no Vale do Aço em Minas Gerais, é sede da Usiminas.

É uma cidade com forte tradição operária, onde o PT elegeu prefeitos por diversos mandatos e foi decisiva na eleição de deputados federais e estaduais do partido. São 183 mil eleitores.

Nardyello Rocha, do MDB, foi eleito com 36% dos votos. Em segundo lugar ficou o candidato do PCB, Daniel Cristiano, com 20,22%. A candidata do PT ficou em quinto lugar com 9% dos votos.

O não-voto em Ipatinga somou 47%. As abstenções ficaram em 31,71%, os votos nulos 17,13% e os brancos 5,06%. Números muito similares aos resultados do Tocantins.

Outra cidade importante que escolheu prefeito esse domingo foi Teresópolis.

Com 126 mil eleitores, a cidade serrana do Rio de Janeiro se caracteriza por uma economia de serviços, com destaque para o turismo.

Elegeu o médico Vinícius Claussen, do PPS, com 36,58% dos votos, com uma diferença de apenas 22 votos do segundo colocado, Luiz Ribeiro, do MDB.

O prefeito eleito pertence ao Movimento Livres, que rompeu com o PSL após a entrada de Bolsonaro nesse partido.

No espectro da esquerda, a candidata Maria Bertoche, do PSOL, foi a melhor posicionada, ficando em quinto lugar com 2497 votos. O candidato do PT ficou em oitavo e último lugar com 499 votos.

A abstenção foi de 34,52% por centos dos votos, 17,78% de nulos e 4,3% de brancos, com 46% do eleitorado optando por nenhum dos candidatos.

Esses três casos, em estados diferentes e com realidades sociais e políticas distintas, apresentam resultados eleitorais bastante parecidos.

Abstenção entre 30 e 34%, votos nulos na casa dos 17% e mais de 40% do eleitorado optando pelo não-voto.

Os eleitos e os escolhidos para o segundo turno estão todos na direita do espectro político.
Candidaturas do PT foram superadas por outras legendas de esquerda por larga margem. O afamado MDB de Temer teve excelente desempenho.

Os pleitos deste domingo foram isolados e fora de época. Mas os resultados são por demais homogêneos para não serem levados em conta.

Sabemos que a elevação do “não-voto” e a queda do desempenho petista possuem íntima relação.

O não-voto pode ser um dos caminhos para a derrota da esquerda em outubro.

Christopher Wylie, delator do escândalo da Cambridge Analytica, apontou que um dos serviços oferecidos pela empresa consistia em desmotivar determinados eleitores a votar. Fazer que fiquem em casa. Não é um serviço difícil.

Tomemos um exemplo: a população de menor renda possui maior propensão a mudar de endereço.

Seja buscando por aluguéis menores, vivendo de favor pelo desemprego, correndo atrás de oportunidades de renda. Some a isso seguidos escândalos de corrupção na política e uma grave crise econômica.

Votar custa a passagem para o deslocamento até o antigo local de votação. Pode ser que “os políticos” não mereçam tamanho esforço. A eleição suplementar registrou elevação significativa do não-voto.

A esquerda relutou em utilizar o marketing político em suas campanhas. Quando cedeu à razão, Duda Mendonça ajudou a eleger Lula em 2002.

Agora a esquerda parece presa a esse passado, acostumada ao arranjo vitorioso que combinava peças publicitárias competentes dos marqueteiros divulgadas pelo tempo de TV “gratuita”.

Esse arranjo não funciona mais para a esquerda. Nada que desabone a competência dos marqueteiros.

É que a reforma eleitoral promovida por Eduardo Cunha não é por acaso.

Acabou com o tempo de TV e reduziu a campanha “oficial” a um tiro curto de 45 dias.

Tomou a forma ideal para contar mentiras, como a do “jestor” João Dória, já que o tempo curto dificulta desmontar as farsas.

Leminski dizia: “Na luta de classes todas as armas são boas”.

No século XXI seguramente listaríamos: ciência de dados e redes sociais.

Isso é muito mais que as soluções toscas dos robôs (“bots”), redes de voluntários do Facebook e twittaços.

Para vencer, a esquerda precisa combater com e contra as sofisticadas soluções das empresas de Big Data e Relações Públicas.

A direita política já está armada.

Igor Grabois, economista, é Analista Chefe da Grabois Olímpio Consultoria Política.
No Viomundo

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