27 de jun de 2018

'É regra, não exceção', diz Manuela sobre machismo no Roda Viva

A pré-candidata à presidência foi interrompida 62 vezes durante o programa da TV Cultura


Pré-candidata à presidência pelo PCdoB, Manuela D'Ávila foi interrompida 62 vezes em 75 minutos durante o programa Roda Viva, da TV Cultura, exibido nesta segunda-feira, 25, de acordo com levantamento feito pelo partido. Em comparação, quando passou pela sabatina, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) teve sua fala cortada apenas oito vezes pelos entrevistadores.

O machismo evidenciado em diversas situações de manterrupting no decorrer da entrevista foi muito criticado por ativistas e também nas redes sociais. O termo em inglês é uma junção de man (homem) com interrupting (interrupção) e é usado para mostrar momentos em que homens interrompem a fala de mulheres, impedindo que elas concluam suas ideias e opiniões.

Em entrevista à Catraca Livre, Manuela falou sobre o caso e agradeceu o apoio das pessoas. "O fato do Roda Viva, um programa de televisão com alcance, ter entrevistado daquele modo uma mulher pré-candidata à presidência fez com que muitas pessoas ficassem indignadas com o tratamento que recebi. Agradeço a solidariedade e os elogios por ter, em ambiente tão violentamente hostil, apresentado propostas consistentes e lutado o bom combate", afirma.

"É revoltante o que houve. Mas é assim todo dia com as mulheres, e não só na política: no trabalho, na universidade, em casa. Por isso não quero que pensem e tratem o que aconteceu como uma coisa excepcional. Até porque a palavra vem de exceção, né? O que aconteceu é a regra e não a exceção! É assim que nós mulheres fazemos nossa luta e vivemos nossa vida todo dia", completa.

 Em certo momento, Frederico D’Ávila, um dos coordenadores da campanha de Jair Bolsonaro, perguntou à pré-candidata se ela é a favor da castração química para estupradores. "Eu defendo que tenha menos estupro no Brasil. Sabe como a gente faz isso? Não votando em candidato que defende que mulher pode ser estuprada", respondeu Manuela. O entrevistador não a deixou concluir o que dizia e introduziu uma fala sobre nazismo e Exército Vermelho.

Além de interromperem constantemente a pré-candidata do PCdoB, os entrevistadores fizeram poucas perguntas sobre suas propostas de governo, tendo insistido em questionamentos sobre o ex-presidente Lula. "Todos nós aqui sabemos porque o ex-presidente Lula está preso. Ele está preso porque é primeiro nas pesquisas. Todo o povo brasileiro sabe", retrucou ela.

Um dos participantes chegou a chamar Manuela de "advogada de Lula". Ela, então, declarou: "Minha defesa do Lula é assim porque eu decidi defender não o que era mais fácil, mas o que é certo". Após alguns participantes afirmarem que havia provas contra o petista, a candidata disse: "Não tinha. Juiz não é Deus. Quando juiz quer fazer política, tem que tirar a toga".

Heloisa Aun
No Catraca Livre

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