29 de jun de 2018

Deputado condenado por dar prêmio a quem levasse mais gente para ver Ratinho

Ele
Fake news, caixa 2, distribuição de dentaduras, de cestas básicas… o brasileiro que acompanha os métodos de campanha que candidatos inescrupulosos usam para ganhar eleição já não se surpreendem com quase nada. Mas o deputado estadual Hussein Bakri (PSD) “inovou” na campanha de 2016 para eleger o genro Thiago Pigatto Caus prefeito de União da Vitória, reduto político do parlamentar.

Bakri foi condenado à pena de inelegibilidade pelo juiz eleitoral Luís Mauro Lindenmeyer Eche porque, além de evidências de caixa 2 e de ofertas de cargos públicos em troca de apoios, houve também a promoção de um inusitado show do apresentador Ratinho, dono da Rede Massa e pai de Ratinho Jr., candidato ao governo estadual pelo PSD. O deputado prometia prêmio de uma viagem a Curitiba para o cabos eleitorais que levassem mais gente para ver um show do apresentador Ratinho, com direito a almoço, janta e a passar um dia acompanhando as atividades do colega Ratinho Jr.

Com base na investigações do Ministério Público, que denunciou o deputado, o juiz descreveu o modo como a campanha do genro agia para atrair eleitores. Veja:
Sustenta o MP, em síntese, que os denunciados Hussein Bakri e Thyago Antônio Pigatto Caus (sogro e genro), no certame municipal de 2016, no qual o segundo concorria ao cargo de Prefeito, realizaram captação ilícita de sufrágio. Afirma que promoveram uma competição, com premiação, para os eleitores que levassem o maior número de pessoas ao evento realizado no pátio da casa de shows Wooden Hall, no dia 27/08/16, do qual participaria o apresentador de programa televisivo Ratinho, bem como seu filho, Ratinho Jr. Segundo consta da denúncia, o deputado Hussein Bakri prometeu uma viagem para Curitiba, onde o vencedor passaria o dia com o deputado, conhecendo os trabalhos da Assembleia Legislativa, além de ganhar almoço e jantar, sendo que tais despesas seriam arcadas por Hussein Bakri.
O juiz Luís Mauro Lindenmeyer não só condenou o deputado como usou a sentença para passar-lhe um “pito”:
Tais condutas são absolutamente incompatíveis com alguém que exerce mandato eletivo. Ademais, é notório que todas essas manobras espúrias praticadas tinham um desiderato absolutamente egoístico, voltado à ampliação e perpetuação no poder do investigado e de seus familiares. A eleição de Thyago Pigatto, seu genro, garantir-lhe-ia interferência direta na política local, reforçando e intensificando sua base eleitoral, para fins de concorrer às eleições de 2018. Ou seja, as condutas praticadas pelo investigado Hussein Bakri representam o que há de pior na política nacional e que, lamentavelmente, tem se tornado a regra. Não obstante, cabe ao Poder Judiciário rechaçar essa prática, nos limites da lei.
Além da declaração de inelegibilidade, o magistrado comunicou a Assembleia Legislativa para que tome as providências legais e regimentais cabíveis em relação ao deputado.

Por meio de seus advogados, Hessein Bakri se manifestou no processo e apresentou sua defesa. E como se trata de uma decisão de primeira instância, o deputado ainda pode recorrer.

No Contraponto

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