12 de jun de 2018

Carta aberta ao acampamento Marisa Letícia


Quero começar esta carta com as palavras do escritor argentino Arturo Jauretche: "Ignoram que a multidão não odeia, odeia minorias, porque conquistar direitos causa alegria, enquanto perder privilégios provoca ressentimento."

Eu sei que a mídia contaminou a cabeça de grande parte dos brasileiros que não têm formação política. Aqueles que seguem como uma facção o que diz a Globo.

Mas vivi a prosperidade da presidência de Lula e ninguém pode mudar o que testemunhei, o que vi com meus olhos, o que apalpei com minhas mãos.

Eu não sou um analfabeto político. Por isso não me agrupo (como outros metidos a burgueses) a odiar a que mal entendem, o que não conhecem. Não entro na turma da traição, só porque um grupo de agiotas quer sugar o sangue do Brasil.

Vivemos em tempos de épicas grandezas e medíocres misérias na América Latina. Nossa frágil espécie surgiu no Brasil para ser notícia no mundo, para mostrar o melhor e o pior de nossa natureza.

Estamos passando por tempos sombrios e infelizes, de grande decadência institucional e fingimento moral.

As grandes traições ocorreram no Congresso por dinheiro estrangeiro, o golpe com cheiro a petróleo se deu no coração do Brasil.

Sofremos um golpe de Estado e o sistema judicial foi degradado, para ser reciclado e reutilizado como uma mera ferramenta de perseguição política.

Quando todas as instituições estão corrompidas, quando a pátria é entregue ao especulador estrangeiro, a esperança se refugia em pessoas altruístas como vocês.

É por isso que vocês são nossa maior esperança, mas não só para o Brasil, mas para todos os homens do bem que habitam na terra.

Enquanto lutamos, covardes e sanguinários abutres planejam no céu, esperando vê-lo morrer politicamente a Lula. Sua vigia no acampamento tem uma projeção histórica, sua missão é exemplar, tem o tamanho das épicas ações.

Vocês estão no epicentro da história. Seus filhos dirão com emoção e orgulho que seus pais fizeram a resistência em um acampamento após do golpe na pátria. Seus netos vão lembrar de vocês com carinho por essa resistência histórica...

Aquele território que vocês engrandecem com a sua presença, será no futuro um lugar escolhido para construir monumentos relembrando esses tristes tempos.

Os turistas vão querer tirar fotos no local, e todos os homens livres do mundo vão querer levar uma lembrança de lá.

Este modesto argentino lhes envia um afetuoso abraço desde Salvador, Bahia. Espero que a vida me dê um momento de vitória com vocês, pois você já possui um grande lugar na história mundial.

Guillermo Gomez é jornalista

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