22 de jun de 2018

Além de tudo eles não sabem escrever em português, nem conhecem inglês


Estou falando da famigerada Agência Lupa, a agência de verificação de “Fake News”, que deu uma fantástica barriga para quem se atribui no direto de verificar a veracidade da notícia dos outros.

Numa das entradas sobre o “affaire” Terço do Lula, os “grandes jornalistas” da Agência Lupa escrevem a seguinte manchete:

Esclarecimento da Agência Lupa sobre a checagem do terço de Lula

Ou seja, é possível por uma análise do título ver que o português e muito menos o inglês dos novos gênios do jornalismo “hipster”, como bem definiu nos seus artigos no GGN, Wilson Ferreira, não sabem muito bem o significado das palavras.

Então, vamos logo ao ponto. A palavra checar vem da palavra da língua inglesa “check” e se olharmos em dicionários desta língua veremos que como verbo os significados são ligados a uma mera comparação de padrões, ou seja, um piloto de avião tem uma lista de verificações para serem feitas antes dele decolar, logo ele pega a lista, verifica todos os itens se estão de acordo com parâmetros normais.

Para ficar bem claro, colocarei o primeiro sentido dado pelo Oxford living Dictionaries:

“Examine (something) in order to determine its accuracy, quality, or condition, or to detect the presence of something.”

Numa tradução livre seria:

“Inspecionar (algo) para determinar sua precisão, qualidade ou condição, ou para detectar a presença de algo.”

Agora vem o mais importante, “accuracy” é uma palavra que em português não tem uma correspondência exata, pois ela não é sinônimo de “precision” em inglês como os mais afoitos traduzem. “Precision” corresponde o erro que se pode fazer em torno de um valor de algo que pode discrepar do valor de referência. Por exemplo, se mede uma distância com um instrumento de alta “precisão” (aqui utilizando o termo precisão como é utilizado em português normalmente) e se chega a um valor de 5,56738 unidades de distância. Se utilizarmos um equipamento com menor precisão podemos chegar a um valor médio de 5,52 unidades de distância, e a “accuracy” seria 0,04738 e a “precision” seria obtida pelo tratamento estatístico que se daria para a medida com o instrumento de baixa “precisão”, por exemplo, poderia considerando três desvios padrões de 0,0052 ou 0,0781.

Em resumo, o conceito de checar algo, implica em um conhecimento da variabilidade de determinadas medidas, por exemplo, o piloto do avião se “checar” um dado equipamento ele jamais espera que a “accuracy” seja zero, mas que ela esteja dentro de um valor tolerado de erro, assim como a “precision” que não poderá variar muito em torno do valor medido, ou seja, que o equipamento seja estável.

Voltando ao conceito de “check” se formos traduzi-lo para o português teríamos que ter métricas pré-definidas tanto para a “accuracy” como para a “precision”, algo totalmente absurdo quando se trata de assuntos das ciências sociais.

Logo checar, além de ser uma tradução indevida do termo em inglês para o caso em que é utilizado, o melhor seria utilizar a palavra “verificar”, ou seja, o primeiro erro.

Supondo que os jornalistas hipters consigam através de seus algoritmos (coisa que duvido) estabelecer parâmetros de “checagem” eles do jeito que a frase está escrita seria basicamente contar as continhas do terço, verificar se o terço era um terço e não um rosário (um terço não é um rosário!).

O que fica claro que os “jornalistas hipters” falham tanto na capacidade de serem jornalistas como também de serem técnicos, logo um verdadeiro desastre.

Rogério Maestri
No GGN



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