3 de mai de 2018

Lula Livre vira a moeda mais valorizada do Brasil




Só uma ação composta de consequências estéticas concretas é capaz de provocar emoção.

Pelo menos no Brasil, que desarranja e altera a falta de virtude do lugar comum, alguém é capaz de uma ideia verdadeira dessas.

É cultural, é antropofágico, é do talento do povo.

E saiu de uma dessas exposições espontâneas a sugestiva ideia de carimbar as notas com o rosto de Lula e a frase Lula Livre.

Diante de uma economia bichada depois do golpe, ver nossa moeda valorizada com a graça natural desse carimbo, desenhando em cada nota a indignação do povo com a prisão política de Lula, é de tirar o chapéu para o inventor do intento digno dos grandes pintores brasileiros.

Isso é um clarão guiado por uma atitude política que merece nota, com a licença poética que o trocadilho nos permite fazer porque não deixa de ser parte da pedagogia da indignação, mas também do nosso humor característico.

Carlos Henrique, Músico, compositor, bandolinista e pesquisador da música brasileira. Autor do premiado álbum duplo e pesquisa, Vale dos Tambores.



Banco Central derruba fake news: notas com ‘Lula livre’ não perdem a validade

Desde que Lula foi preso, em 7 de abril, apoiadores do ex-presidente têm carimbado ou mesmo escrito em cédulas de dinheiro a mensagem “Lula livre”, como uma forma de militância e resistência. Os opositores ao ex-presidente, por sua vez, rapidamente se mobilizaram e começaram a disseminar nas redes sociais e em grupos de Whatsapp a informação de que o Banco Central teria proibido a rede bancária de aceitar as notas carimbadas ou escritas.

“Se receber tais notas, os bancos, deverão chamar a polícia. O portador estará sujeito ao enquadramento no artigo 163 do Código Penal”, diz uma das mensagens que tem circulado com força. O “alerta” faz referência à passagem do Código Penal que prevê pena de seis meses a três anos para aquele que destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia.

Nesta quarta-feira (2), no entanto, o próprio Banco Central divulgou uma nota em que desmente a informação: rabiscar ou carimbar cédulas, apesar de não recomendado, de acordo com o órgão, não as invalida. Os bancos, portanto, podem e devem receber ou trocar cédulas com o carimbo de ‘Lula livre’ que porventura receberem.

“Cédulas com rabiscos, símbolos ou quaisquer marcas estranhas continuam com valor e podem ser trocadas ou depositadas na rede bancária”, diz a nota do Banco Central, que informa ainda que “as notas descaracterizadas apresentadas na rede bancária serão recolhidas ao Banco Central, para destruição”, mas que isso não as tira o valor.

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