16 de mai de 2018

Lula é o candidato anti-establishment

Recentemente uma consultoria política afirmou que a eleição de 2018 é o pleito dos candidatos anti-establishment. A julgar pela recém divulgada pesquisa CNT/MDA esse candidato é Lula.

Não estou aqui afirmando que Lula será candidato. Longe disso, estou avaliando o que representam os dados de pesquisa relativos ao nome de Lula. Vale lembrar que ele foi condenado em duas instâncias judiciais e está preso. Ainda assim, Lula lidera com folga todas as simulações de voto no qual seu nome está, tanto no 1º quanto no 2º turno.

Além disso, segundo a mesma pesquisa, a rejeição do líder petista, isto é, a proporção dos que afirmam que não votariam nele de jeito nenhum, é menor do que vários políticos que sequer réus são, dentre eles podemos listar, em ordem crescente de rejeição, Bolsonaro, Rodrigo Maia, Alckmin e Marina.

O nome de Lula é tão forte quando colocado na pesquisa que, quando está ausente, os votos brancos e nulos aumentam bastante.

Portanto, se unirmos a afirmação da consultoria política, de que se trata de uma eleição anti-establishment, e se interpretarmos a força eleitoral de Lula, mesmo depois de preso, podemos afirmar, repito, que Lula é, (seria, melhor dizendo), o candidato anti-establishment. Vai ver que ele está preso justamente por causa disso.

Chama atenção na pesquisa CNT/MDA que as rejeições de Haddad, Ciro e Lula, os 3 candidatos de centro-esquerda e de oposição ao governo Temer, são todas menores do que as rejeições de Bolsonaro, Rodrigo Maia e Alckmin, os 3 candidatos de centro-direita e que apoiaram o impeachment de Dilma e, consequentemente, o Governo Temer.

Podemos dizer de forma resumida e ilustrativa que os candidatos vermelhos têm menos do que 50% e os candidatos azuis mais de 50%.

Se considerarmos apenas os nomes de Fernando Haddad e Geraldo Alckmin vemos que a rejeição do primeiro é de 46% e a do ex-governador de São Paulo 56%. Uma diferença de 10 pontos percentuais.

Recordemos que o 2º turno da eleição de 2014 foi ganho por Dilma com a magra vantagem e pouco mais de 3 pontos percentuais. Assim, um eventual segundo turno entre Haddad como candidato do PT e Alckmin do PSDB, a julgar pela rejeição de ambos, teria no candidato do PT o favorito, com sobras.

Lula, o candidato anti-establishment, tende a não poder ser candidato. É possível que sua candidatura venha a ser registrada e depois impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral com base na lei da ficha limpa. Isso acontecendo, e Lula estando preso, ele enviará uma carta da prisão indicando um candidato que seja do PT.

Iludem-se aqueles que acham que o PT e Lula apoiarão a ego-trip de Ciro Gomes. Considerando-se a grande organicidade do PT de um lado, e de outro o fato de Ciro estar em seu sétimo partido (até agora, claro), o ex-governador do Ceará não é confiável para os petistas. Assim, na carta de Lula provavelmente estará um dos seguintes nomes: Fernando Haddad, Patrus Ananias ou Jaques Wagner.

O que acontecerá em seguida surpreenderá todos aqueles que não leram esse artigo, o candidato do PT subirá rapidamente, em uma ou duas semanas, graças aos votos dos pobres e, em particular, da região Nordeste.

É provável que esse candidato diga, em seu horário eleitoral gratuito, em entrevistas e debates, que tudo feito pelo Governo Temer será mudado. Adicionalmente, ele afirmará que o PSDB apoiou o Governo Temer, assim como Bolsonaro e outros eventuais candidatos azuis. Como o governo tende a se manter muito rejeitado até as eleições, o indicado por Lula se tornará o favorito para vencer.

Alberto Carlos Almeida, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ

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