10 de mai de 2018

Jornalistas do Correio Popular de Campinas conquistam vitória no TRT

Após 84 dias de greve dos jornalistas, Rede Anhanguera de Comunicação, de Campinas, foi condenada, por unanimidade, a quitar todos os pagamentos em atraso.

Jornalistas da RAC e dirigentes do SJSP comemoram a vitória no TRT15 - Campinas.
Foto: Lilian Parise/SJSP
Depois de 84 dias de greve iniciada em 14 de fevereiro, os jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC) saíram vitoriosos do julgamento do dissídio realizado na tarde desta quarta-feira (9), no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas. A paralisação é a maior da história do jornalismo em São Paulo.

Por unanimidade, o movimento paredista foi considerado legal, justo e legítimo pelo TRT15-Campinas, e a empresa foi condenada a pagar toda a dívida com os trabalhadores e trabalhadoras: os salários que estão em aberto desde janeiro, os dias paradas no período de greve, o 13º de 2017, seis meses de vales refeição e alimentação, o adicional de um terço aos que saíram de férias no últimos dois anos, além de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que estão irregulares desde 2014.

Bastante emocionados, alguns aos prantos, os jornalistas comemoraram a decisão após quase três meses de intensa mobilização e enfrentando dificuldades financeiras. A partir da publicação do acórdão, a rede, que é responsável pelos jornais Correio Popular e Notícias Já, entre outras mídias, tem o prazo de cinco dias para quitação dos débitos, sob a pena de multa diária de R$ 500 por trabalhador.

A sentença ainda garantiu 90 dias de estabilidade aos grevistas, contados a partir do retorno ao trabalho, bem como a reintegração de uma trabalhadora do administrativo que foi demitida durante a paralisação, outra ilegalidade cometida pela RAC. Nem o advogado e nem qualquer representante da rede compareceram ao julgamento, em mais uma clara demonstração de desrespeito aos próprios jornalistas.

Durante a sustentação oral, o advogado Marcel Roberto Barbosa, responsável pelo processo movido contra o grupo de comunicação, ressaltou a falta de disposição da RAC em negociar, pois desde a primeira tentativa de conciliação, em audiência no dia 28 de fevereiro, se passaram quase 70 dias nos quais a rede não só se manteve insensível aos grevistas, como também descontou os dias parados e suspendeu os vales refeição e alimentação. Ele também destacou aos desembargadores os problemas financeiros enfrentados pelos grevistas, obrigados a contrair empréstimos para continuarem a sobreviver.

Flaviana Serafim
No Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo

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