14 de mai de 2018

Fragmentos dolorosos que a CIA revela sobre os assassinatos da ditadura

Está escancarado. Os movimentos da CIA podem ser rastreados no apoio de fundações estadunidenses que abastecem do dinheiro, aos montes, movimentos organizados a toque de caixa; na ultradireita tupiniquim, pela volta da ditadura militar.

Figueiredo e Geisel voltam à cena política, trazidos por fragmentos históricos liberados pela CIA, sobre a ditadura militar
Passadas 72 horas da divulgação de documentos históricos, liberados pela agência norte-americana de inteligência (CIA, na sigla em inglês), impressiona mais a surpresa quanto à narrativa do que, propriamente, os fatos descritos. Especialistas em assassinatos seletivos; torturas — as mais terríveis —; no financiamento de rebeliões populares pró-capitalistas, mundo afora; ações militares ultrassecretas mesmo dentro dos EUA, agentes do governo norte-americano são citados até nos livros de História, em golpes de Estado ocorridos no Brasil; de Getúlio Vargas a Dilma Rousseff.

Nenhum dos prisioneiros mortos, por ordem direta do Palácio do Planalto, teriam encontrado seu destino mais terrível, no entanto, sem o apoio incondicional dos grandes investidores e seus representantes na direita brasileira. Não é de hoje.

Desde o advento da República, os filhos das classes dominantes controlam o sistema de segurança e, de resto, a quase totalidade das instituições. Aí incluído Legislativo de Eduardo Cunha; Michel Temer e seu bando. E o Judiciário, que mantém Aécio Neves solto; enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva permanece preso, sem uma prova sequer. E estamos, aqui, bem longe de alguma teoria da conspiração.

Fundações

Está escancarado. Os movimentos da CIA podem ser rastreados no apoio de fundações norte-americanas que abastecem do dinheiro, aos montes, movimentos organizados a toque de caixa; na ultradireita tupiniquim. Subornam, inclusive, seus equivalentes em setores da esquerda vendida. Os agentes estrangeiros deixaram impressões digitais nítidas na execução de cada um dos prisioneiros nas casas da morte; a exemplo daquela em Petrópolis. Ou nos engenhos de cana-de-açúcar, em Campos dos Goytacazes; usados para queimar cadáveres e provas da barbárie de uma época. Hoje, subsidiam os discursos dos candidatos que proliferam no campo conservador.

Um deles chegou a comparar o suplício de brasileiros, torturados até a morte, com um “tapa no bumbum”. A desfaçatez chega a esse nível.

Pensar, contudo, que a informação acerca das ordens cumpridas pela ‘tigrada’ é relevante; no momento em que um claro golpe de Estado corrói as entranhas da frágil democracia brasileira, cumpre apenas o roteiro de submissão canina a que o país se submete; inspirado no olhar atento daquele espião ianque em seu relato à chefia, na Casa Branca. As eleições que se aproximam, alvo nítido de sabotagem, são terreno fértil para os mais variados movimentos de dissuasão.

O horror

Na maioria das vezes, fica difícil ver a fotografia inteira; quando o cartel da mídia aponta, com todo o escarcéu que sabe fazer bem, para o detalhe mais irrelevante no centro dos acontecimentos. O destaque oferecido pelas Organizações Globo — principal representante das forças que mantêm essa nação de joelhos — à “descoberta” dos fragmentos dolorosos produzidos por um supervisor ianque da ditadura, na República dos Bananas; levanta imediatas suspeitas quanto aos interesses envolvidos.

O Correio do Brasil, diante dos fatos, publicou matéria por respeito e solidariedade aos combatentes, aos heróis sacrificados na luta contra a ditadura, representados na declaração da jornalista Hildegard Angel; filha e irmã de duas vítimas, dentre as centenas produzidas por instruções imediatas dos militares no poder. Crime de Estado, cometido sob o sofisma de combater em uma suposta “guerra contra o comunismo”. Faz um tempo, meio bêbado, o passado general João Baptista de Figueiredo, em entrevista transmitida pela própria TV Globo; em dezembro de 1999, já admitia — em tom de bravata — haver uma guerra civil, em curso, e que correria “sangue nesse país”.

Assista a seguir:



Alvos da CIA

Tal declaração do ex-comandante em chefe das Forças Armadas soma-se a outra. Nela, também escancara que o conglomerado Globo mantém o controle da comunicação do governo. No dele e em todos os demais, inclusive durante as gestões do PT. Parece, portanto, que estamos diante de mais uma manobra midiática, com interesses insondáveis, sobre a massa disforme a que foi reduzido o cenário político atual.

Seja qual for o nível de interesses, de quaisquer dos departamentos obscuros do poder que regem a sociedade brasileira; a reviravolta no lodo do período ditatorial recente espalha o odor inconfundível da morte. Uma lembrança indelével do risco que os brasileiros correm, sempre que desagradam aos interesses do capitalismo internacional.

Ainda assim, seguimos na luta.

Gilberto de Souza é jornalista, editor-chefe do Correio do Brasil.

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