28 de mai de 2018

Fora ParenTemer!

Aderir à greve dos caminhoneiros! Parar tudo!


O Conversa Afiada reproduz sereno (sempre) artigo de seu colUnista exclusivo, Joaquim Xavier:

O recuo generalizado dos usurpadores do Jaburu diante das reivindicações dos caminhoneiros foi mais uma caçamba de cal no golpe de 2016. Com a cara mais lambida do planeta, num dia Eliseu “Quadrilha” Padilha veio a público celebrar um arremedo como o acordo dos acordos. Mais: chamou uma das lideranças dos caminhoneiros de criminosa. “Conheço este sujeito deste 1999. É mau caráter”. Referia-se a José da Fonseca Lopes, da ABCAM, que se retirou das reuniões onde se tramava o fim do movimento sem atender as reivindicações do setor.

Pois bem: no domingo, o chefe de Padilha aderiu ao “criminoso” e aceitou ponto por ponto tudo o que Fonseca Lopes reivindicava. Tal qual nada tivesse acontecido. Nesse meio tempo, o bufão Marun, líder da tropa de choque de Eduardo Cunha, dava entrevistas sobre a autoridade e esperteza do governo. Para quem já posou de bailarino dentro do congresso, um ridículo a mais, outro a menos não faz diferença. Marun continuou tratando a greve como movimento de empresários inescrupulosos, distribuiu mandados de prisão, mas nunca explicou como os golpistas reabriram negociações com gente considerada delinquente. Questão de costume, certamente.

Risadas à parte, o fato é que a política imexível de ParenTemer sobre os combustíveis escoou para o ralo. Redução, mesmo ínfima, de preço do diesel, congelamento por 60 dias e mudanças apenas mensais nos valores é justamente o contrário do mantra de reajustes diários conforme variações internacionais. Se Parente tivesse um pingo de caráter, já estaria procurando abrigo em um dos conglomerados internacionais que de fato ele representa. Mas é mais fácil encontrar um posto com combustível na bomba do que qualquer vestígio de vergonha em Parente – para não dizer neste governo de bandidos como um todo.

Afora isso, ainda que o pacote de concessões de ParenTemer ilustre o desgoverno, ele continua longe de tocar nas feridas que vêm destruindo o setor: a subserviência aos abutres minoritários, a liquidação das refinarias da estatal e o alinhamento da política de combustíveis aos interesses estranhos à soberania nacional. Isso sem falar que a gasolina permanece nas alturas e nem se tocou no preço do gás de cozinha, que atinge sobretudo a camada mais pobre da população.

Do ponto de vista do país, do povo brasileiro, a saída é de clareza solar: pra começar, redução radical no preço de todos os combustíveis sem aumento de impostos que oneram o povo pobre, reestatização da Petrobras e recuperação dos investimentos em refino para não deixar o Brasil à mercê dos piratas multinacionais. Isso é possível com a quadrilha de golpistas no poder? A pergunta já embute a resposta.

Em vez de procurar os meios de viabilizar tal caminho, progressistas assustados recomendam calma para não favorecer uma “intervenção militar”. “Vamos esperar as eleições”. Mas que eleições haverá, se é que haverá? Um simulacro em que o principal líder popular e o preferido disparado em todas as pesquisas está encerrado numa solitária?

Ah, mas outubro está logo aí. Agora, vá dizer isto à população que vive um dia após o outro. "Segura a onda. Passe fome, use lenha, ande a pé, fique desempregado, tire o filho do colégio, suje o nome no Serasa, peça esmola e veja suas famílias no desespero até janeiro do ano que vem”. Isso é conversa de quem está preocupado com a sua própria biografia e com o “julgamento da história” – refúgios preferidos de quem abdica da luta pelos que estão vivos agora ou disputa linhas em páginas de teses a serem lidas pelos bisnetos que sobrarem.

O momento é complexo, todos sabemos. Mas a política concreta não se faz com recurso a almanaques. Aqueles que se dizem de esquerda e/ou juram respeito à democracia são chamados a encontrar soluções de acordo com o ritmo dos acontecimentos.

Não se entende, por exemplo, por que as centrais sindicais, os partidos progressistas e as lideranças populares não organizam movimentos de apoio à greve. Não incentivam paralisações em seus setores, sem suas bases, exigindo a saída de ParenTemer, a liberdade para Lula disputar a presidência e a antecipação de eleições. “Ah, mas até lá o Rodrigo Maia assume”, retrucarão os timoratos fantasiados de radicais. Que assuma, mas emparedado pelo compromisso de mudar de imediato a política homicida dos combustíveis e convocar o pleito o mais rápido possível.

Situações extraordinárias clamam por saídas extraordinárias. A depender do povo, sempre dentro da democracia. Haverá confronto? Provavelmente, mas a história nunca se moveu em gabinetes refrigerados ou salões acarpetados. Fingir que dá pra esperar um calendário que nem se sabe vai acontecer, isto sim, é jogar a favor da direita e dar tempo para uma quartelada de consequências muito bem conhecidas.

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