30 de mai de 2018

Etchegoyen: Uma história de golpes e tortura




Seu avô, Tenente Alcides, esteve envolvido em levante tenentista, que tentou obstruir a posse do presidente eleito Washington Luís. Derrotado, pouco tempo depois, esteve envolvido na revolução de Getúlio Vargas e no Estado Novo mas, derrotado politicamente, se rebelou, principalmente por estar contrário ao caminho popular tomado por Getúlio. Por isso, foi preso pelo General Lott, por ter se envolvido na tentativa de golpe contra Getúlio e na tentativa de depor o presidente interino Carlos Luz.


Alcides Etchegoyen

Faleceu em 1956, deixando dois filhos no exército, Leo Guedes (Pai de Sérgio Etchegoyen) e Cyro. Leo se envolveu diretamente no golpe militar de 1964 e tornando Secretário de Segurança Pública no Rio Grande do Sul, em 1965. Dali, seguiu para assessor do presidente mais sanguinário da história do Brasil, General Emílio Garrastazu Médice. Tido como do núcleo duro do governo que se tornou ditador após o AI-5, o pais de Sérgio Echtegoyen esteve envolvido em diversos casos de tortura, violação de direitos humanos, desaparecimentos de ativistas políticos e outras atrocidades. Sua atuação levou o próprio Sérgio Etchegoyen a se manifestar politicamente diversas vezes, enquanto General, o que é proibido pela constituição. Definiu as Comissões da Verdade como patéticas e diversas vezes entrou em conflitos políticos, como o caso de uma CPI ligada ao atentado do Rio Centro, quando houve a convocação de Milton Cruz.


Leo Guedes Etchegoyen

A força política de Leo, pai de Sérgio, começa a diminuir quando a linha dura de Médice é substituída por uma linha adversa no exército, que levou Geisel ao poder. Porém, no anos 1979 é nomeado Chefe do Estado Maior e seu irmão, Cyro Etchegoyen, chega à chefia da segunda sessão do Estado Maior. Cyro e Leo foram responsáveis pela forte repressão às greves do ABC, que fez surgir a liderança do ex-presidente Lula.

Com os atentados de 11 de setembro de 2001, deu o seguinte conselho aos militares americanos: “Bastava oferecerem US$ 1 bilhão para o Mossad – o serviço secreto israelense – que eles iriam lá e resolveriam o problema”. Leo morreu em 2003.

Sua família tem longa relação com as alas mais radicais e violentas do sionismo israelense. O próprio Sérgio Etchegoyen teve vídeo circulando na Internet, em que faz a defesa de atrocidades em palestras com público restrito aos círculos judaico-sionistas no Brasil.

AS COMISSÕES DA VERDADE

De acordo com a Comissão da Verdade, em texto repercutido pela jornalista Tânia Monteiro no Estadão, em 2014, o general Leo Etchegoyen, enquanto chefe do Estado Maior e supervisor das atividades do DOI-CODI, em 28 de dezembro de 1979, elogiou os serviços prestados pelo tenente coronel Dalmo Lúcio Muniz Cyrillo, chefe do DOI CODI do II Exército, destacando “sua experiência no campo das informações e por sua dedicação, boa vontade, capacidade de trabalho e espírito de cooperação”.

Dalmo Cyrillo atuou no DOI-CODI do II Exército como chefe de equipes de interrogatório e desempenhou a função de subcomandante nos períodos de Carlos Alberto Brilhante Ustra e Audir Santos Maciel.

Em 1979, ele assumiu o comando do DOI-CODI de São Paulo, período no qual atuou sob as ordens de Leo Etchegoyen e Milton Tavares de Souza.

Essa não foi a única menção a um familiar de Sergio Etchegoyen nos trabalhos da Comissão da Verdade.

Em depoimento concedido à Comissão Nacional da Verdade, o coronel Paulo Malhães apontou o coronel Cyro Guedes Ethegoyen, tio de Sergio, como a autoridade responsável pela chamada “Casa da Morte”, residência localizada em Petrópolis (RJ), que serviu de cárcere, centro de tortura e execução de presos políticos durante a ditadura militar.

De acordo ainda com matéria publicada no jornal Estado de São Paulo, em seu depoimento, Malhães admitiu ter participado de diversas sessões de tortura e de ter ordenado e participado de várias ocultações de cadáveres que envolviam, entre outras práticas, a mutilação dos corpos, com a retirada das digitais, mediante o corte das mãos, e da arcada dentária. Questionado em seu depoimento sobre as torturas e as mutilações de cadáveres, ele defendeu a prática como “uma necessidade” e disse que os corpos eram mutilados “para não deixar rastros”.

“Quebrava os dentes. As mãos (cortava) daqui para cima”, afirmou, apontando as próprias falanges. Cerca de um mês depois de prestar depoimento à Comissão da Verdade, Malhães foi assassinado por asfixia em sua casa localizada na zona rural de Nova Iguaçu.

A nota divulgada por Sérgio Etchegoyen e familiares, em dezembro de 2014, qualifica o relatório da CNV como “patético esforço para reescrever a história” e afirma que “Leo Guedes Etchegoyen representa a segunda geração de uma família de generais que serve o Brasil, com retidão e patriotismo, há 96 anos”.

E acrescenta: “Seguiremos defendendo sua honrada memória e responsabilizando os levianos que a atacarem”.

Em 2014 o Coronel Paulo Malhães encontrado morto com marcas de asfixia em seu rosto e pescoço. Em depoimento prestado à polícia pela esposa do coronel, Cristina, ela,o marido e o caseiro do sítio (em que a família Malhães residia) foram rendidos por três homens encapuzados. Um deles teria rendido Cristina, outro, imobilizou o caseiro e o terceiro levou Malhães para um quarto. Um computador, uma impressora e três armas antigas da coleção do coronel foram roubadas.

General de quatro estrelas, Sergio Etchegoyen é gaúcho de Cruz Alta e ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras em 1º de março de 1971. Foi chefe da Comissão do Exército Brasileiro em Washington (EUA), de 2001 a 2003, comandou, como general, a 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, de 2005 e 2006, em Dourados (MS), a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, de 2007 a 2009, no Rio de Janeiro, e a 3ª Divisão de Exército – Divisão Encouraçada, de 2011 a 2012, em Santa Maria (RS), tendo sido considerado por alguns militares como um perfil “linha dura”.

Desde março de 2015 atua como chefe do Estado-Maior do Exército brasileiro, coordenando a atuação operacional e a política estratégica dos militares em todo o país, foi também assessor especial do ministro Nelson Jobim no Governo Lula e chefe do Estado Maior do Exército (EME) no Governo Dilma.

Aos 64 anos, foi o escolhido por Michel Temer para assumir como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também ficando subordinada à pasta, que havia sido extinta por Dilma Rousseff em 2015.

Em 2016, por determinação do então residente interino, Michel Temer, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) comandado pelo General, passou a monitorar os movimentos do Partido dos Trabalhadores (PT), comandado por Rui Falcão.

Apesar de ser considerado um dos principais conselheiros de Temer, Etchegoyen também é alvo de ataques de assessores presidenciais por supostamente interferir demais em decisões políticas, como na cogitada troca no comando da Polícia Federal.

Ainda em 2016 , a agenda de Sergio Etchegoyen entregou um encontro com Duyane Norman, “Chefe do Posto da CIA em Brasília”.

Em 2017, o governo Temer pediu que PF investigasse atos de vandalismo em uma manifestação ocorrida em Brasilia chamada #OcupaBrasilia.

Em pronunciamento ao lado do, então ministro da justiça Osmar Serraglio, Etchegoyen disse que os envolvidos nos atos de vandalismo são criminosos e devem ser tratados como tal. “Eu não os chamo de grupos radicais. Eu os chamo de vândalos, de criminosos. É um pouquinho diferente de grupos radicais. Os radicais são pessoas com quem se pode conversar. Neste caso, não são pessoas com quem se pode conversar. São posições criminosas”, disse o general.

De acordo com o que foi publicado pela Agência Brasil, ao ser questionado sobre o uso de bombas e armas letais contra manifestantes que não estavam praticando vandalismo e contra jornalistas, Etchegoyen respondeu: “meu amigo, eu acho que polícia jogar bomba em manifestantes em geral é uma visão um tanto quanto unilateral do problema e uma consequência que não faz parte da nossa discussão hoje”.

Foi também durante o periodo de Etchegoyen na GSI, de Raul Jungmann como ministro da defesa e de Eduardo Villas Boas como comandante geral do exercito que o Capitão do exercito Willian Pina Botelho sob o codinome “Baltazar Nunes” se tornou alvo de investigação do ministério público federal por espionagem em uma manifestação ocorrida em São Paulo.

Ah, e sobre o pronunciamento do General Mourão (o qual falamos no inicio deste texto) o General Etchegoyen apenas disse:

— Eu não vou explicar a frase do general Mourão, porque é um amigo muito grande que eu tenho. É um soldado que tem muito valor. Não sei em que circunstâncias ele deu a declaração. Não sei como era a pergunta. O ministro do Exército e o comandante do Exército conduziram a questão

Fábio St Rios
No A Postagem

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