18 de mai de 2018

Como o MBL instiga a direita hidrófoba a atacar jornalistas que farão checagem de fake news no Facebook


Nos últimos dias, desde que foi divulgada a parceria entre o Facebook e as agências Lupa e Aos Fatos, que têm por finalidade fisgar fake news, o MBL passou a fazer postagens recriminando o que considera ‘censura’.

O ritmo foi forte, a cada 3 postagens, uma pedia contribuição financeira (pra variar), outra soltava uma cretinice qualquer complementada por “Já conhece o pacote anti-crime do MBL?” e a outra incitava seus apoiadores com perguntas endereçadas para as agências de fact-checking. “Vão checar também quem fala que impeachment é golpe? É verdadeiro ou falso?” e baboseiras similares.

As postagens feitas sistematicamente provocaram a avalanche de ataques virtuais nas páginas das agências e de seus jornalistas.


André Spec, simpatizante do neonazismo, denuncia a Lupa, “uma das agências que vai censurar a direita no Facebook”

“Essa aqui é uma das agências de extrema-esquerda que vai censurar a direita no Facebook. Deixe seu recado a esse bando de filho da puta”, escreveu André Spec em seu mural.

Ele próprio, que publica fotos que fazem apologia ao nazismo, não se fez de rogado e postou na página da agência Lupa: “Vcs vão censurar a direita né seus bostas”.


Publicação de André Spec fazendo apologia ao nazismo

“Estaremos monitorando vocês na rede social também! Agora querem impor ideologia disfarçados de checadores isentos”, escreveu Pedro Griese, um carioca que vive em Brasília, é seguidor do Direita São Paulo e de Eduardo Bolsonaro.


Já Carlos Santos, outro apoiador dos Bolsonaro, foi um dos internautas que expôs a jornalista Cristina Tardáguila. A partir daí o que se viu foram montagens de fotos como a publicada por Pedro Griese, que buscavam associar os jornalistas – e até familiares – a pautas de esquerda e assim ‘provar’ que a parceria entre a rede social e as agências seria de fato uma patrulha ideológica. Coisa de maluco, doido varrido mesmo.


Carlos Santos, seguidor de Bolsonaro, também denunciou a Lupa, com medo de “esquerdistas definindo o que é verdade, o que é mentira e punindo os usuários”

Como não poderia deixar de ser, muitos ‘reaças celebrities’ entraram na onda. “Vocês, assim como eu, também não ficam mais tranquilos ao saber que tem uma agência neutrona e compromissada apenas com a verdade decidindo o que você pode ler ou não no seu feed de notícias?”, tuitou Danilo Gentili.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) emitiu uma nota em repúdio aos ataques virtuais e aos discursos de ódio contra os jornalistas. 

Já os profissionais das agências, por sua vez, bloquearam seus perfis na rede social. 

O MBL está desesperado com a parceria. As duas agências terão acesso à plataforma e verificarão a veracidade dos conteúdos. Aqueles classificados como inverídicos receberão uma etiqueta e sua disseminação orgânica será reduzida pelo algoritmo de Zuckerberg. 

Páginas que repetidamente compartilharem notícias falsas terão o seu alcance diminuído e seus conteúdos não poderão mais de usar a opção de anúncios pagos para amplificar suas audiências.

Nos Estados Unidos, onde a ferramenta já roda há algum tempo, constatou-se uma redução de até 80% na distribuição orgânica de notícias consideradas falsas por agências de verificação parceiras da rede social. Infelizmente, só depois que Donald Trump já estava eleito.

Os meninos maluquinhos, portanto, estão tirando as calças pela cabeça por conta da iniciativa. Não é de se estranhar a revolta. O MBL nada mais é do que uma usina de mentiras. Desde seu ‘conceito’ apartidário (quando hoje muitos deles estão filiados a partidos e estarão concorrendo ou mesmo já foram eleitos), até o embuste das vaquinhas em prol ‘da causa’ cujos depósitos foram parar nas contas pessoais de seus coordenadores. 

Uma vez vitaminados pelo dinheiro de partidos e sabe Deus de onde mais, reforçaram suas ferramentas de distribuição de mentiras. Até pouco tempo atrás, o MBL fez uso de um aplicativo irregular, Voxer, para alavancar suas postagens e aumentar sua influência nas redes sociais. 

Para pagar pelo programa (R$ 7,9 mil) que se infiltrava em contas pessoais, o movimento fascistoide abriu outra vaquinha online sob um pretexto qualquer. As próprias vítimas colaboraram.

Em janeiro deste ano, Kim Kataguiri partilhou em seu perfil um vídeo de outro mentiroso profissional, o tal MamãeFalei, no qual manifestantes segurando bandeiras sindicais seguiam em direção a um prédio sob o título SINDICALISTAS INVADEM PRÉDIO PÚBLICO PARA TENTAR IMPEDIR CONDENAÇÃO DE LULA.

Kataguiri comentou embaixo: “Sindicalistas estão tentando impedir de todos os modos a condenação do Lula, mas não vão conseguir”. Era tão verdade quanto uma nota de 3 reais. Kim foi alertado, mas ignorou. Só deletou o post quando o site Intercept denunciou.

O Globo esteve fazendo uma série da matérias denunciando a quantidade de fake news que o MBL produz em associação a sites flagrantemente enganadores como o Ceticismo Político do irresponsável Luciano Ayan, que foi o gerador das difamações contra a vereadora assassinada Marielle Franco. O MBL também tem ligação com o site exclusivo de fake news chamado Jornalivre.

A parceria do Facebook com agências de checagem pode colocar limite no combustível que move o MBL: as fake news. Fascistas vivem disso e vem daí o chilique.

Mauro Donato
No DCM

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