22 de mai de 2018

Bolsonaro faz papel de idiota na Jovem Klan ao tentar ser diferente do que é


Este não é um post sobre um candidato, mas sobre media training eleitoral.

Terminou há pouco a primeira sabatina de uma série que trará todos os pré-candidatos à presidência na porcaria da rádio Jovem Pan. Amanhã será com Guilherme Boulos. Hoje foi com Jair Bolsonaro.

Reagi com espanto ao comportamento do presidenciável na entrevista e isso tem me feito pensar em como até seus assessores ainda não conseguiram compreender a natureza da essência que o torna líder em intenções de voto com Lula rifado da disputa pelo PJ (Partido da Justiça) - para usar a expressão cunhada por André Singer.

Isso porque algum ou alguns de seus "jeniais" assessores recomendou que o pré-candidato adotasse um comportamento pouco ou nada combativo, moderado, singelo e humilde diante dos cercos e provocações dos entrevistadores. Algo compatível com uma ideia "Lulinha paz e amor" que respeita o outro, que aprecia o diálogo, que reconhece humildemente seus erros, etc. E o presidenciável pelo PSL seguiu à risca o script que tem tudo para ser desastroso a suas pretensões eleitorais.

Por quê? Porque Jair Bolsonaro não conseguiu chegar até aqui por conta de sua inteligência (que inexiste), sua experiência em gestões públicas, seus méritos como parlamentar, seu conhecimento de como funciona a máquina pública e atribuições dos Poderes, suas convicções democráticas ou por ter um perfil propositivo que sustenta um projeto de governo, um projeto de país.

Ele chegou porque sempre conseguiu trocar e bem vender sua falta de conhecimento, inteligência e virtudes por truculência, por violência verbal, pela completa falta de vergonha de exibir sua ignorância - mas recheada de imagens e truísmos populares bastante sedutores - e pela capacidade de manifestar juízos dos mais atrozes sobre questões de controvérsia moral.

Em suma, chegou até aqui por muitas razões, mas no que tange ao modo como se comportou diante de eventos jornalístico e mediáticos (que cada vez importam mais em razão de como reverberam pelas redes digitais) chegou à liderança escondendo sua real essência raquítica, suas infinitas fragilidades como presidenciável com rispidez e truculência.

Jair Bolsonaro é tão e somente o produto político mais notório da geração "lacração". Se sugerem e ele acata as ordens de abaixar a guarda, quem "lacra" não é mais ele, e sim os jornalistas. Se abaixa a guarda, mostra quem é.

E ele não é um "Lulinha paz e amor". Jair Bolsonaro não tem e nunca terá substância política. Tudo que sempre teve e sempre terá como presidenciável é um figurino de um personagem vil, estúpido e truculento que sempre lhe caiu muito bem e que sempre nutriu com farta matéria-prima as arenas infanto-juvenis de crianças e adultos ávidos pelas "lacrações" do candidato não em relações de respeito e reciprocidade com jornalistas, mas de combate e confronto com o inimigo.

Se não ataca, não tem videozinho de como "Bolsonaro botou fulano de tal em seu lugar" como aconteceu em tantas outras circunstâncias, a exemplo do Canal Livre, na Bandeirantes.

Os resultados já são bem visíveis na cobertura espontânea da entrevista feita no Twitter sob a hashtag #BolsonaronaJovemPan. As reações e tentativas de defesa diante dos ataques perdem feio. E muito em razão de seus apoiadores não terem o que destacar da entrevista para se defenderem mostrando os ataques de seu candidato. Se resumem a atacar a indesejável parcialidade dos entrevistadores.

Vira o fraco e oprimido e não o bravo, ainda que perseguido.

A guarda abaixa. A truculência e aquele ímpeto irrefreável de atacar o outro e dar vazão aos proferimentos dos mais estúpidos e agressivos dão lugar à moderação, à fala branda e a disposição em ouvir o outro. Resultado? Lacram os jornalistas. A cortina de fumaça da truculência que esconde sua essência raquítica se dissipa.

A imagem do determinado, bravo e destemido dá lugar a essa personagem vacilante, frágil e medrosa como nesse recorte que todo jornalista sonha em ter em mãos para apresentar como atestado e troféu e reverberar como matéria-prima nas redes de lacração digitais.

Camilo De Oliveira Aggio
No Esquerda Caviar

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