19 de mai de 2018

A inveja explica


Assim, não me surpreendi quando a Folha ignorou o exibição de "A vida extra-ordinária de Tarso de Castro" na Mostra Internacional de Cinema, no segundo semestre do ano passado, em São Paulo.

Da mesma forma que me causou surpresa o convite para participar de um debate promovido pelo Folha no próximo dia 23, véspera do lançamento do documentário em circuito nacional, com seus diretores Leo Garcia e Zeca Brito, e Tom Cardoso, biógrafo do jornalista, no Espaço Itaú do Shopping Frei Caneca.

O evento foi cancelado ontem. Primeiro recebi email do jornal, que nada explicava, depois outro da produção do filme, em que se informa que alguém do jornal enfim o viu numa cabine do Itaú. Só posso supor que viu e não gostou.

Devo ter recebido o convite porque eu e Tarso éramos amigos, fui diretor de redação de O Nacional, semanário criado por ele no Rio, e sou um dos entrevistado, numa mesa no Rodeio, reduto de Tarso nos Jardins, junto com José Trajano e Paulo César Peréio.

Otávio Frias Filho nunca entrou em meus papos com Tarso. Nem pra esculhambar Otavinho servia.

O herdeiro do "seu" Frias está presente em alguns momentos do documentário. Num deles, Leão Serva atesta a amizade do velho com seu mais lido colunista. Noutro, Flávio Tavares diz que certo dia Tarso exigiu, em tom de comédia, que o dono do jornal se decidisse:

— Ou eu, ou o Otavinho.

O humorista Paulo Caruso, ao piano, que desengoma como Mozart, tira-lhe sonoro pêlo. E José Trajano, ex-editor de Esportes da Folha, lista a abertura que Otávio pai deu a Tarso no jornal, onde pôde fazer a Folha Ilustrada, o Folhetim, tinha espaço na página 2 e "estava fazendo a cabeça dele para uma versão carioca da Folha", uma ideia que estava ganhando força.

Leão Serva fala ainda da chuva de cartas e protestos que chegaram ao jornal após a saída de Tarso. Claro que Serva não diz "para desgosto de Otavinho", feliz por ter se livrado do concorrente no coração paterno e da fulgurante presença de Tarso na redação.

Só a mediocridade de Otavinho não lhe deixa ver que não dar a menor bola para o documentário sobre o inventor de O Pasquim, e uma das figuras mais célebres do jornalismo brasileiro em suas páginas é, no mínimo, uma tremenda estupidez.

Ah, sim: a Folha desistiu de fazer o debate, mas o Itaú manterá a pré-estreia, só que num formato menor, somente com a presença dos diretores.

Palmério Dória, é jornalista e escritor

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