20 de mai de 2018

A Câmara e o Senado não são lugares para decidir sobre uso de agrotóxicos

A Câmara está discutindo nova legislação para determinar os agrotóxicos que devemos ingerir, sem saber, daqui para a frente. Até o fim do mês, fabricantes e ruralistas vão tentar a aprovação que não conseguiram, a meio da semana passada, sob fortes confrontos na comissão especial do assunto.

A incidência de câncer, apesar dos avanços da medicina e da pesquisa, cresce como um genocídio contra a natureza humana. As causas desse crescimento são muito imprecisas, para não as dizer desconhecidas. Mas são bem conhecidos os potenciais efeitos cancerígenos, entre outros também maléficos, do uso de agrotóxicos na agricultura, na pecuária e no desmatamento.

Tal realidade é suficiente para afirmar que a Câmara e o Senado não são lugares apropriados para decidir sobre autorizações de agrotóxicos. Os ruralistas votam em causa própria.

Os fabricantes, também em seu interesse acima de tudo, valem-se de agentes cujos métodos os anos de tantos escândalos já tornaram conhecidos. Tóxicos em geral, e agrotóxicos em particular, devem passar pelo critério de cientistas, e ser ou não autorizados pelos serviços oficiais específicos. E, se liberados, postos sob vigilância inquietante, sobre a fabricação e o uso. Com penas elevadas para o descumprimento das normas.

Além da invasão de competências pela Câmara, o projeto resultante da relatoria de Luís Nishimori, deputado do PR do Paraná, resultaria em facilidades ainda maiores de registro de agrotóxicos contestados. Neste país já invadido por produtos proibidos no exterior.

Na defesa do seu interesse, produtores e ruralistas argumentam que pesticidas, herbicidas e estimulantes são necessários à produção para alimentar o país e o mundo, ambos carentes de nutrição. Ocorre que produtos com agrotóxicos, caso nutram, também envenenam. A ponto de poder-se dizer que os produtores, ao exportarem produtos assim, tornam-se exportadores também de veneno.

Não há ideia da quantidade de vítimas, até fatais, da ingestão persistente de agrotóxicos e conservantes. Não se sabe o que se come. Não nos é dito o que se come. Mesmo quando é obrigatório dizê-lo, estará escondido em termos indecifráveis e letras ilegíveis. E nem quando essa ameaça é discutida pelos “representantes” do povo, na chamada “Casa do Povo”, é reconhecido o direito público a tal conhecimento. Na derrotada concepção de jornalismo que conheço, isso era indispensável. Foi intoxicada.

Rotinas

Em nota do comando petista, contra reunião dos seus governadores sobre candidatura presidencial: “Temos unidade política. Lula é nosso candidato”. Só precisaram emitir a nota por não terem unidade.

O requinte sádico deve ser regra: também a substituta de Sergio Moro exigiu a prisão de José Dirceu na tarde de sexta-feira. Já o fim de semana na cadeia dói mais no preso e alegra mais a quem prende.

A 22ª mortandade em escola dos Estados Unidos no ano. Ou em 17 semanas.

Janio de Freitas
No fAlha

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