5 de abr de 2018

Se rir, vai para o inferno

Diretor da Folha, Otávio Frias luta desde setembro contra um tumor no pâncreas


“Apesar de continuar achando que não sou notícia”, disse Frias ao Nocaute, “não tenho divulgado, mas tampouco tenho ocultado minha condição clínica.”

O problema é grave, mas foi localizado em tempo compatível com tratamento capaz de curar a doença. Otávio foi submetido a sessões de quimioterapia no final do ano passado:

– No início deste ano, passei por cirurgia (via laparoscopia) para remoção do tumor, que foi bem sucedida. Na fase atual, estou recebendo, de acordo com o protocolo do tratamento, doses periódicas de reforço de outro medicamento quimioterápico.

Embora tenha submetido sua rotina profissional a algumas mudanças, Frias continua à frente do jornal, segundo afirmou ao Nocaute:

– Não tenho ido à Folha nos dias em que há medicação e nos dois ou três dias subsequentes, dado que o quimioterápico provoca alguma náusea e dor de cabeça. Mantenho contato diário, por telefone e e-mail, com o jornal. Tenho dedicado algum tempo a retomar a feitura de um livro de ensaios que estava na gaveta.

Quem é Otavio Frias Filho

Otavio Frias Filho nasceu em São Paulo em 1957. Filho mais velho de Octavio Frias de Oliveira, empresário que comprou em 1962 a empresa que edita a Folha, Frias Filho começou a atuar no jornal em 1975, escrevendo editoriais e assessorando o jornalista Cláudio Abramo, que dirigia a Redação.

Nessa época, participou da reforma editorial conduzida por Octavio pai e Abramo, na qual as páginas da Folha foram abertas a políticos e intelectuais de todas as tendências, aproveitando o início de abertura política. A linha pluralista trouxe prestígio à Folha e a aproximou da sociedade civil.

No final de 1983 a Folha foi o primeiro veículo da grande imprensa a encampar a embrionária campanha pelas Diretas Já.

Otavio é responsável pela direção editorial do jornal desde 1984. Seu irmão, Luiz Frias, é o presidente do grupo, enquanto sua irmã, Maria Cristina Frias, é jornalista e edita a coluna “Mercado Aberto”, no jornal. Também publicou uma coletânea de textos jornalísticos em 2000 – De Ponta-cabeça (Editora 34) -, extraídos da coluna semanal que manteve na Página Dois da Folha entre 1994 e 2004.

É autor de um de peças teatrais e teve quatro delas encenadas: “Típico Romântico” (1992), “Rancor” (1993), “Don Juan” (1995) e “Sonho de Núpcias” (2002). Publicou em 2003 “Queda Livre” (Companhia das Letras), livro de ensaios que condensa reportagem, autobiografia e observação antropológica. É também autor de “Seleção Natural” (Publifolha, 2009). Atualmente a peça “O Terceiro Sinal”, de sua autoria e estrelada por Bete Coelho está em cartaz no Teatro Oficina.

Segundo o relatório final da Comissão da Verdade, a Folha de S.Paulo apoiou ideologicamente o golpe militar – inclusive cedeu algum de seus automóveis para ações repressivas.

A Comissão usou como base para a denúncia o livro “Cães de guarda: jornalistas e censores, do AI-5 à Constituição de 1988”, da pesquisadora Beatriz Kushnir, que afirma que “foi constatada a presença ativa do Grupo Folha no apoio à Oban, seja no apoio editorial explícito no noticiário do jornal Folha da Tarde, seja no uso de caminhonetes da Folha para o cerco e a captura de opositores do regime”. Em 1971, três caminhonetes da Folha foram queimadas por militantes de esquerda como forma de protesto.

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