7 de abr de 2018

Que uma dor assim pungente não seja inutilmente

Lula decidiu se entregar. Não é o que eu gostaria - seria importante enfatizar a arbitrariedade da prisão e sinalizar na direção da desobediência civil. Mas penso que não seria fácil, para ele, assumir uma postura diferente e liderar uma resistência com consequências imprevisíveis, já que a direita tem sistematicamente dobrado suas apostas na violência e na intimidação.

Na verdade, Lula evitou até agora qualquer postura de maior enfrentamento, reiterando a cada momento sua convicção de que as famosas "instituições" voltariam a funcionar. Seria estranho mudar a chave quando é ele que está pessoalmente ameaçado. Mesmo tendo torcido para que ele adotasse outro caminho, reconheço a coerência e o espírito de sacrifício que sua atitude demonstra.

No meio disso tudo, Lula encontrou uma saída digna, recusando o ultimato de Moro e fazendo o ato político que fez em São Bernardo. Mas sinto uma tristeza enorme ao pensar nele encarcerado - pelo ser humano (um septuagenário, um septuagenário inocente dos crimes que lhes são atribuídos e perseguido pela corja que está dedicada a destruir o país) e pelo simbolismo da coisa toda.

Que uma dor assim pungente não seja inutilmente. E, quando penso que os versos de João Bosco e Aldir Blanc voltaram a ganhar atualidade no Brasil, a tristeza fica maior ainda.

Luís Felipe Miguel

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