27 de abr de 2018

Preso ou solto: como Lula afetará a eleição em 2018?


A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrou com dois recursos no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) nesta semana contra a condenação de Lula no caso do triplex de Guarujá (SP). Os advogados solicitaram que o caso seja levado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-chefe de Estado é, hoje, o nome mais popular no cenário político brasileiro, favorito nas pesquisas de intenção de votos para a eleição presidencial de outubro. Solto e concorrendo, Lula terá uma competição relativamente fácil na corrida por seu terceiro mandato. Mas, e se ele continuar preso e não puder disputar o pleito de 2018?

O Diretório Nacional do PT decidiu na última segunda-feira oficializar a candidatura de Luiz Inácio à Presidência da República, afirmando que ele é a única aposta do partido para a corrida.

Para o professor Carlos Eduardo Martins, cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), há hoje uma "intervenção arbitrária da Justiça", impedindo "uma candidatura que é a preferida do eleitorado". Segundo ele, o "golpe de Estado" ocorrido no país provocou um desmantelamento da esquerda, de modo que não há nenhum substituto claro para a liderança desse campo.

Num cenário com Lula, Martins acredita que não há dúvidas de que o ex-presidente seria reeleito já no primeiro turno, graças ao seu eleitorado consolidado, que "tem suportado toda a ofensiva midiática contra a imagem do presidente Lula".

"Esse é o grande medo da direita brasileira, que não consegue vencer uma eleição presidencial desde 1998. Vão fazer 20 anos", disse ele em entrevista à Sputnik Brasil.

Sem o líder petista no pleito, o especialista descreve o cenário como muito "incerto".

"Eu acho que esse cenário de hoje é muito mais aberto para a improvisação de um candidato que seja celebrado no espaço midiático", afirmou. "Eu acho bastante possível que possa surgir um Joaquim Barbosa, um candidato improvisado pela mídia que reúna certas características que possam torná-lo palatável para a população".

No caso do deputado federal Jair Bolsonaro (PSL-RJ), segundo mais citado nas pesquisas de voto, Martins acha que ele corre por fora na disputa de outubro, como o "candidato dos frustrados" da sociedade brasileira, que não tem uma alternativa coletiva e um projeto de Estado que represente setores organizados.

"Bolsonaro é a candidatura do ódio, daqueles que estão com ódio da realidade, e que não tem nenhuma forma organizada de superar a dramática crise brasileira", declarou o cientista político.



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