30 de abr de 2018

Prefeito gaúcho investigado por suspeita de assédio sexual é do partido da Anta Amélia

Ele



"Coincidentemente, a Prefeitura proibiu que funcionários utilizem celular durante o horário de expediente. Os aparelhos deverão ser deixados na recepção e só retirados na saída."

A Polícia Civil investiga duas denúncias de assédio sexual feitas por servidoras públicas de Não-Me-Toque, no Norte do Rio Grande do Sul, contra o prefeito da cidade, Armando Carlos Roos (PP). Um vídeo gravado por uma delas mostra o prefeito conversando com a mulher sobre o cargo que ela ocuparia na prefeitura e a convidando para ir a seu apartamento.

Uma coletiva de imprensa abordou o assunto na tarde desta terça-feira (3) em Carazinho, cidade vizinha. De acordo com o delegado Gerri Adriani Mendes, como o suspeito tem foro privilegiado, as sequências das investigações dependem do aval do Tribunal de Justiça. A primeira denúncia foi feita no ano passado.

"Nós remetemos todos os documentos ao Tribunal de Justiça para que ele autorizasse a apuração desse crime. Cerca de um mês depois, a gente recebeu um ofício do Ministério Público solicitando algumas diligências em relação ao primeiro caso de assédio. Que fossem ouvidas testemunhas e apontadas outras vítimas, caso tivesse, já que a própria vítima que registrou disse que tinha conhecimento que outras pessoas poderiam testemunhar ou apresentar outros casos", relata.

Enquanto realizava a investigação, a polícia recebeu o segundo registro de assédio sexual, neste ano. De acordo com o delegado, a autora chegou nervosa à delegacia.

"Ela trouxe vários documentos, que mostravam as tratativas de assédio, incluindo o vídeo que teria sido gravado um ano atrás, quando ocorreu a contratação dela. Neste vídeo, se pode perceber pelos diálogos, que havia algum condicionamento na contratação dela", explica.

O vídeo, gravado de forma escondida pela servidora, circula desde segunda-feira (2) em redes sociais e grupos de conversa (veja acima). Nas imagens, o suspeito negocia um encontro com ela, que aconteceria antes que ela começasse a trabalhar em um cargo no município.

"Eu posso deixar a empregada sem vir uma tarde. Daí tu ia no meu apartamento".

"Tá, vamos ver então".

"Mas tem que ser semana que vem. Porque na outra tu já começa".

No fim, o suspeito afirma:

"Eu não quero namorar de graça".

Em nota, o prefeito Armando Carlos Roos afirmou que "ainda não foi citado da ação penal referente ao fato noticiado, tendo sido surpreendido através das redes sociais com a divulgação de documentos referentes ao inquérito policial". Ele acrescentou que "está tomando as providências cabíveis quanto a responsabilização das pessoas e entidades envolvidas com a publicidade indevida dos documentos e vídeo de caráter pessoal" (leia abaixo a nota na íntegra).

A autora do vídeo, que tinha cargo em comissão (CC) na prefeitura, foi desligada. A outra é concursada. De acordo com a Polícia Civil, as duas mulheres solicitaram medida protetiva. Cabe ao Tribunal de Justiça dispor ou não dessa medida.

Nota de esclarecimento

"Armando Carlos Roos, Prefeito Municipal de Não-Me-Toque/RS vem a público em respeito a verdade e a opinião pública, manifestar-se sobre a acusação de assédio sexual, esclarecendo o seguinte:

O Prefeito ainda não foi citado da ação penal referente ao fato noticiado, tendo sido surpreendido através das redes sociais com a divulgação de documentos referente ao inquérito policial, sendo que está tomando as providências cabíveis quanto a responsabilização das pessoas e entidades envolvidas com a publicidade indevida dos documentos e vídeo de caráter pessoal.

No que refere ao vídeo que vem sendo compartilhado junto ao aplicativo de mensagens instantâneas, Whatsapp, importante referenciar que mostra tão somente diálogo ocorrido entre o Prefeito Armando Carlos Roos e a suposta vítima, sendo que esta seria nomeada para um cargo de confiança , junto a Secretaria Municipal de Obras. A Suposta vítima utilizou-se da confiança do prefeito para gravar o referido vídeo, e somente um ano depois vem a público divulga-lo, após a sua exoneração.

O assédio relatado pela suposta vítima será devidamente apurado durante a instrução processual, se houver o recebimento da denúncia.

Por inúmeros motivos lamento este episódio, manifestando que as minhas ações sempre foram pautadas pelo respeito e obediência as leis, as autoridades e sobretudo a Comunidade Não-Me-Toquense, a qual peço desculpas pelo fato em questão principalmente pelo mesmo ter ocorrido junto ao Gabinete, o que acabou elevando a repercussão do caso.

Armando Carlos Roos"

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