23 de abr de 2018

Janot, a síndrome de abstinência de um ex-PGR


Quando Rodrigo Janot saiu da Procuradoria Geral da República, e deixou de ser centro das atenções da imprensa, sua vida desmoronou. As mudanças foram percebidas pelos poucos amigos que conservou em Brasília e pelos parentes em Belo Horizonte. Entrou em crise profunda, mostrando-se inconformado com a perda de protagonismo.

Aceitou lecionar na Colômbia – país latino-americano ao sul dos Estados Unidos – e abriu uma conta no Twitter. E tratou de aprofundar a participação na Atlantic Council, o centro de lobby norte-americano especializado em oferecer miçangas, cargos em seu Conselho Deliberativo à indiarada do continente sul.

No Twitter, tratou de disparar críticas contra sua sucessora Raquel Dodge, a quem dedica um ódio pertinaz e anterior à sua nomeação. Durante a campanha pela lista tríplice do Ministério Público Federal, aliou-se à Globo para uma jogada de baixo nível, acusando Dodge de boicotar a Lava Jato com uma proposta que não alterava uma transparência sequer o Power Point de Deltan Dallagnol.

Não bastou. E eis que o bravo Janot, o homem que se especializou na micro-micro-gestão do MPF, resolveu se candidatar a um dois dois cargos do Conselho Superior do Ministério Público. Cujas eleições serão nos próximos dias.

Vieram as especulações. Sua intenção seria confrontar Dodge nas reuniões do Conselho; seria retomar o protagonismo perdido.

Que nada! A intenção única foi a de lhe dar a oportunidade de desistir, uma semana depois, e poder informar a toda a categoria que o motivo da desistência é sua tonitruante carreira internacional, com um “crescimento vertiginoso” dos convites para palestras.

Apreciem melhor esse primor de nota:

"Durante o período que passei nos EUA, os convites se avolumaram. Tal circunstância me levou a reexaminar responsável e detidamente as agendas das atividades de subprocurador-geral, conciliadas com a de conselheiro, a da carreira acadêmica que venho trilhando desde o fim do mandato de procurador-geral e a dos chamamentos para as palestras, as duas últimas, sob a ótica desse crescimento vertiginoso. Ficou claro para mim que precisaria fazer uma escolha."

“No atual momento, me parece mais útil ocupar os espaços fora da instituição para denunciar os ataques sistemáticos contra o modelo de combate à corrupção consolidado pela Lava Jato é a opção mais acertada para um ex-PGR". 

O Brasil merece isso? Merece. É um país que há muito tempo perdeu totalmente a dimensão do ridículo.

Luís Nassif
No GGN

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