14 de abr de 2018

Janices de Ciro

A rigor, Ciro Gomes antecipa Marina Silva em termos de pretensão eleitoral à Presidência. Só não empata com José Serra, que já nasceu sonhando com a faixa presidencial.

Em 1994, defendia com ardor a indicação do amigo-irmão e conterrâneo Tasso Jereissati à sucessão de Itamar Franco nas asas do Real.

Deu-lhe uma voadora no peito quando Tasso amarelou, sucumbindo a Fernando Henrique Cardoso — a quem sucedeu no Ministério da Fazenda —, por timidez e covardia, embora tivesse poder econômico ilimitado.

Afinal, o Ceará é uma holding das famílias Jereissati-Queiroz.

Era a ala cearense dentro do PSDB. Em história não existe "se", mas é legítimo pensar que, Tasso eleito, como ainda não havia reeleição, o candidato à sucessão dele seria Ciro, companheiro de longas jornadas política.

Em 2002, foi Ciro que, derrotado na corrida eleitoral, levou uma prensa de Roberto Freire para apoiar Lula no segundo turno.

Usava argumentos semelhantes aos atuais. Estaria sendo pressionado a apoiar o PT. Não queria mesmo era constranger Tasso, padrinho político dele e Somoza do Estado nordestino.

Naquela campanha a candidatura de Ciro decolava como um rojão até a frase infeliz sobre qual o papel nela de Patrícia Pillar, a atriz que o país sonhava como primeira-dama.

Borboleteando entre um e outro partido, o açodamento e ansiedade de Ciro, hoje em dia, talvez venha dessa espera dantanho, eventualmente na companhia de baús da infelicidade duros de carregar, como Roberto Freire e Paulinho da Força.

O tempo passa, a barba cresce — em certa época, na segunda metade dos anos 1990, Ciro adotou, em sua fase Harvard, a barbicha de Abraham Lincoln, também modelo de Jânio Quadros, o Breve, e igualmente destemperado.

De lá pra cá, Ciro ampliou seus horizontes mas pouco refreou esse temperamento. E talvez seja o candidato a presidente eternamente condenado a morrer pela boca apesar de suas incontáveis virtudes.

Pelo dito e não dito no momento, pode colocar de novo a barbicha de molho.

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