2 de abr de 2018

Flávio Rocha, do candidato óbvio ao candidato bipolar


O empresário Flávio Rocha não é nenhum estreante da política brasileira. Já foi duas vezes deputado federal (1986 e 1990) e pré-candidato à presidência da República (1994). A candidatura ao Palácio do Planalto pelo Partido Liberal (PL) naufragou porque o empresário foi acusado de fraude durante a campanha. Um diretor da empresa Guararapes que trabalhava para eleger o chefe foi flagrado vendendo bônus eleitorais (espécie de recibo entregue aos doadores em troca da doação em dinheiro) por valores maiores que os recursos recebidos. A informação rendeu um prêmio Esso ao jornalista Xico Sá, no jornal Folha de S. Paulo. Como consequência do escândalo, o PL desistiu da candidatura de Rocha e passou a apoiar Fernando Henrique Cardoso, que venceria o pleito pela primeira vez.

De volta às páginas da editoria política desde o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff, o dono das lojas Riachuelo anunciou semana passada nova tentativa de chegar à presidência da República. Difícil vai ser acreditar no que Flávio Rocha diz. Para um candidato que se coloca como novidade na política, apoiado pelo grupo campeão em difundir notícias falsas na internet, o empresário já começa velho como aquele comercial do sapato Vulcabrás que trazia Paulo Maluf como protagonista.

Até um mês atrás, quando questionado sobre as chances de concorrer ao Palácio do Planalto, Flávio Rocha respondia dizendo que não havia tempo nem voto para construir densidade eleitoral suficiente e assim viabilizar sua candidatura. Em entrevista à revista Exame, em 16 de fevereiro deste ano, reforçou que era tarde demais para ser candidato.

Em Natal, a um grupo de jornalistas, também declarou que sua candidatura à presidência seria uma “traição” ao Brasil 200, movimento que fundou com o apoio dos empresários mais ricos do país e que parecia ser o que se revela agora: um trampolim pessoal para concorrer ao cargo mais importante do Brasil.

Neste domingo (1), em artigo publicado no jornal Tribunal do Norte, Flávio Rocha falou sobre as razões que o levaram a ser candidato. O empresário se coloca como uma espécie de super-herói que vai recuperar os valores morais minados pela esquerda. Fala em modernidade, eficiência, justiça e moralidade. É uma versão mais light de Jair Bolsonaro sem dizer que vai matar ou sugerir a morte de ninguém. Sobraram ataques à esquerda e nenhuma linha sobre as ações trabalhistas que suas empresas respondem na Justiça nem o fato das lojas Riachuelo ter sido tão beneficiada pelo mesmo Estado mínimo que critica. Nunca é demais lembrar que, nos últimos dez anos, somente o grupo Riachuelo/Guararapes recebeu R$ 3 bilhões do Estado entre isenções fiscais e financiamentos.

Para fechar com chave de ouro, o empresário também decidiu opinar sobre a execução da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). Segundo Flávio Rocha, o candidato óbvio, “quem matou Marielle não foram as pessoas que discordavam de suas opiniões, mas quem puxou o gatilho”.

A sorte do Brasil é que felizmente, vide o caso da própria candidatura à Presidência da República mentida e desmentida, nem Flávio Rocha acredita no que diz.

Em tempo, o artigo “Por que sou candidato, assinado pelo dono das lojas Riachuelo, foi publicado dia 1º de abril.

Rafael Duarte
No Saiba Mais

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