3 de abr de 2018

Em nova fake news, direita tenta responsabilizar senadora Gleisi por atentado à caravana

Ministério Público do Paraná recebeu denúncia do CAAD com a identificação de dez suspeitos


Sites de direita têm divulgado a informação de que a senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffman, teria adulterado a cena em que dois ônibus da caravana de Lula foram alvos de uma emboscada, levando dois tiros. De acordo com essas fake news que circulam em vídeos nas redes sociais, ao demonstrar onde os chamados miguelitos atingiriam os pneus, ela estaria forjando a cena do crime. A notícia se baseia em um tal Jornal da Cidade, de Campo Largo, no Paraná. O veículo, contudo, não traz notícias sobre o tema.

As postagens contra a senadora ignoram a notícia-crime apresentada pelo Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD), que dois dias após o atentado entregaram provas ao Ministério Público do Paraná. Na denúncia, são identificados dez suspeitos de planejarem o atentado contra a comitiva.

Na ocasião, o procurador e coordenador do Centro de Apoio de Direitos Humanos, Olympio de Sá Sotto Maior demonstrou preocupação com a escalada da violência no Brasil e no Paraná. Ele disse que é inadmissível que se aproximando do período eleitoral políticos sejam atacados por pensarem diferente. “A democracia sofre com esses tipo de atitude criminosa. Não dá pra se imaginar que amanhã o Alckmin venha ao Paraná, ou Bolsonaro, e aqueles que não os apoiem atuem no sentido de impedir o acesso, ou jogar pedras ou atirar. É uma barbárie inaceitável e o Ministério Público vai cumprir com sua função para que haja punição desses responsáveis”, esclareceu o procurador no dia 28 de março.

O Ministério Público do Paraná não trabalha com a hipótese de que tenha ocorrido um atentado planejado por petistas, como sugerem militantes de direita e até o pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro. De acordo com a advogada Tânia Mandarino, que integra o coletivo, o procurador Olympio de Sá Sotto Maior deve aceitar o aditamento à notícia-crime no processo contra ameaças que o coletivo recebeu após fazer a denúncia que identifica dez suspeitos.

“Existem novos elementos na denúncia como ameaças que o coletivo vem sofrendo após apontar os suspeitos. A gente tem focado também nas fake news afinal, no grupo em que houve o planejamento, recebemos prints mostrando que eles tentariam responsabilizar a própria segurança do Lula ou no MST. Temos percebido que isso está se materializando nas redes sociais”, revela a advogada. A investigação também ocorre em Laranjeiras do Sul, local dos disparos.

Novos prints adicionados à denúncia revelam a tentativa de acusar a caravana e o MST de promover o atentado

A senadora Gleisi Hoffmann considera que são absurdas as tentativas cegas e insanas dos fascistas de desviar a atenção do ataque contra a Caravana de Lula pelo Paraná e do atentado à democracia pelas milícias armadas, que esses tiros representam. “Chegaram ao fundo do poço: vídeo em que mostro o que fizeram com os ônibus da Caravana, acompanhado de vários jornalistas de veículos nacionais e internacionais respeitados, é utilizado por eles para mostrar exatamente o contrário? Um absurdo o que está acontecendo!”, alertou a petista.

A denúncia

O CAAD entregou notícia-crime identificando as pessoas que poderiam ter cometido o atentado contra a caravana de Lula. Na peça, foram entregues ao procurador e coordenador do Centro de Apoio de Direitos Humanos, Olympio de Sá Sotto Maior, prints com o planejamento da ação.

Na mensagem, uma suspeita pergunta: “Onde se arruma esses miguelitos”. Outro membro do grupo complementa com “Nao vamos dar chanse nem deles desseren do onibus (sic)”. Outro integrante explica como comprar arma que seria utilizada no atentado: “Vai na loja de arma compra uma puma 38 ou 44 é mais fácil que do q vc imagina (sic)”, orienta o homem que tem a identidade ainda sobre sigilo. De acordo com sites especialistas em armas, Puma se trata de uma “carabina de ação por alavanca, com ferrolho de duplo trancamento, percursor flutuante e cão exposto”.


Print anexado a notícia crime

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