20 de abr de 2018

Conheça todos os presidentes de Cuba após a Revolução


Miguel Díaz-Canel se tornou nesta quinta-feira (19/04) presidente de Cuba – o quinto após a Revolução de 1959. Engenheiro de formação, era o primeiro-vice-presidente do país até ser escolhido como mandatário pela Assembleia Nacional do Poder Popular.

Saiba quem foram os presidentes do país desde 1959:


Manuel Urrutia Lleó – 3.jan.1959 a 17.jul.1959

Urrutia foi nomeado presidente provisório após o triunfo da Revolução. Entre as primeiras medidas adotadas por seu governo, esteve a designação de Fidel Castro como comandante-em-chefe das Forças Armadas do país.

Em 16 de fevereiro, Urrutia nomeou Fidel como primeiro-ministro do país, em substituição a José Miró Cardona. Em pouco tempo, no entanto, a atuação do presidente começou a atrasar a adoção de medidas acordadas no Conselho de Ministros – liderado por Fidel – e, com tempo, Urrutia foi perdendo prestígio e autoridade.

Em meio ao descontentamento, Fidel renuncia ao cargo de primeiro-ministro em 16 julho, acusando Urrutia de impedir a aprovação de leis revolucionárias e outras medidas. No dia 17, após um protesto em favor de Fidel, Urrutia renunciou ao cargo. Dois anos depois, se asilou nas embaixadas de Venezuela e México. De lá, foi para os Estados Unidos e se tornou professor de espanhol em Nova York. Morreu em 1981. Leia mais sobre ele aqui.

Osvaldo Dorticós Torrado – 17.jul.1959 a 2.dez.1976

Dorticós foi designado pelo Conselho de Ministros para assumir a Presidência da República com a renúncia de Urrutia. No cargo, Dorticós participou da Conferência de Países Não Alinhados em Belgrado, em 1961.

Durante seu governo, Fidel exerceu o cargo de primeiro-ministro do país. Foi nos anos Dorticó que o líder da Revolução Cubana declarou o “caráter socialista” do movimento.

Em 1976, foi escolhido pela Assembleia Nacional do Poder Popular como vice-presidente do Conselho de Ministros e deixou o cargo. A partir de 1980, por três anos, foi ministro da Justiça do governo de Fidel Castro. Em junho de 1983, após a morte da esposa e em meio aos dolorosos efeitos de um problema na coluna vertebral, se matou.

Leia mais sobre ele aqui.

Fidel Castro – 2.dez.1976 a 24.fev.2008

Fidel assumiu o comando do país, como o presidente do Conselho de Estado, após uma mudança na Constituição, aprovada em 1976. O líder histórico da Revolução Cubana ficou no cargo por quase 32 anos, após reeleições sucessivas.

Foi um dos homens mais influentes do século XX, marcando profundamente a história mundial ao criar uma sociedade comunista no mundo ocidental. No período da Guerra Fria o revolucionário se alinhou com a extinta União Soviética contra os Estados Unidos, resistindo a todas as tentativas de Washington de derrubá-lo, sendo pelas investidas para assassiná-lo, ou pela invasão direta de Cuba. De fato, Fidel esteve no centro do primeiro episódio que quase levou o mundo à beira de um Holocausto Nuclear – a crise dos mísseis de 1962.

Seu governo sobreviveu ao período de ditaduras militares na América Latina e ofereceu refúgio aos militantes perseguidos nos anos de chumbo. No final dos anos 1990, encontrou forte respaldo, principalmente com a chegada do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez ao poder em 1999 e o surgimento do bolivarianismo, ou socialismo do século 21, que resgatou parte do legado comunista da ilha.

Fidel ficou seriamente doente em meados de 2006 e foi submetido a várias operações intestinais. Inicialmente, cedeu o poder provisionalmente ao irmão, Raúl, cumprindo o previsto na Constituição de 1976, reformada em 1992. Em fevereiro de 2008, Raúl assumiu o poder definitivamente, e a intervenção de Fidel nos assuntos do país se limitou a artigos opinativos publicados pela imprensa local.

O líder histórico da Revolução Cubana morreu na noite do dia 25 de novembro de 2016. Leia mais sobre ele aqui.


Raúl Castro – 24.fev.2008 a 19.abr.2018

Raúl assumiu a liderança de maneira interina em 2006, por conta da saúde debilitada do irmão. Em 2008, foi definitivamente eleito como presidente de Cuba. O governo de Raúl foi marcado pela estabilidade econômica do país e pela reaproximação com os Estados Unidos.

Após ser empossado, Raúl iniciou um processo de maior flexibilização econômica em Cuba, dando mais abertura ao trabalho privado e aos investimentos estrangeiros. Atualmente há mais de meio milhão de pessoas trabalhando por conta própria no país, o que permitiu que a ilha diversificasse a oferta de bens e serviços com maior nível de qualidade.

O governo dele desempenhou papel fundamental no processo de paz entre o governo colombiano e as então Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Havana foi palco por quatro anos de uma série de reuniões envolvendo diplomatas e dirigentes de ambos os lados.

Foi na administração de Raúl Castro que Cuba e Estados Unidos se reaproximaram. As nações haviam rompido relações em 1961, com a imposição do bloqueio econômico por parte dos EUA.

A reaproximação, que teve como um dos principais mediadores o papa Francisco, proporcionou fatos históricos como a ida de Raúl aos EUA para participar da Assembleia Geral da ONU e a visita do então presidente dos EUA Barack Obama a Cuba, pela primeira vez em 88 anos. Leia mais sobre Raúl aqui.


Miguel Díaz-Canel – a partir de 19.abr.2018

Miguel Díaz-Canel foi eleito nesta nesta quinta (19/04) o novo líder do país em substituição a Raúl Castro, que deixa o poder após cumprir dois mandatos no cargo. A eleição de Díaz-Canel aconteceu em um dia simbólico para o pais, o 57º aniversário da vitória na tentativa de invasão da baía dos Porcos.

Nascido em 1960, Díaz-Canel é engenheiro eletrônico de formação e professor universitário em Villa Clara. Desde 2003, faz parte do Birô Político do país. Ele é o primeiro dirigente cubano nascido após a Revolução de 1959 a atingir altos cargos na direção do país.

Em 2009, foi nomeado ministro da Educação Superior por Raúl. Deixou o cargo para assumir a Primeira-Vice-Presidência do país, em 2012. Nesta sexta (20/04), ele completa 58 anos de idade.

O agora presidente já afirmou, em diversas oportunidades, que a mudança na direção do país significaria uma continuidade das políticas estabelecidas após a Revolução Cubana. "Sempre haverá presidente em Cuba defendendo a Revolução, e serão companheiros que sairão do povo", disse. Leia mais sobre ele aqui.

No Ópera Mundi

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