29 de abr de 2018

Boechat em três tempos


Sobre o “O discurso fácil dos imbecis: Boechat e seu desserviço, por Francy Lisboa” — leia abaixo

Boechat (1)

Pouca gente sabe ou se lembra, o ex-colunista do Globo e da Globo foi, nos anos 80, também secretário de comunicação do governador Moreira Franco, hoje, o “Angorá” das planilhas da Odebrecht. Antes de ser convidado para o cargo público, Boechat praticava generosidades em sua coluna no Globo que muito agradaram o então candidato adversário de Leonel Brizola na disputa pelo governo do Rio. Isto, nos anos em que o alvo da família Marinho ainda não era o Lula nem a Dilma. O alvo então, que precisava ser defenestrado da corrida presidencial, era o ex-governador dos Pampas. Mas ainda não havia nem Moro nem a Lava Jato para auxiliar no serviço.

Boechat (2)

Em junho de 2001, Boechat foi demitido pela mesma família Marinho, por um grampo vazado na Veja em que ele é mostrado como “simpático” a uma das partes numa disputa empresarial de R$ 2 bi - Daniel Dantas x Nelson Tanure - nas privatizações da Telemig e da Telenorte. Isto, muito antes do “Petrolão”, o do PT porque o dos tucanos já corria solto na época, sob a proteção divina da Globo e de seus serviçais descartáveis.

Boechat (3)

Como ex-secretário de imprensa do “Angorá”, é provável que não tenha se esquecido dos nomes que brilhavam na noite de Ipanema e que constavam da agenda de consumidores dos traficantes Zaca e Cabeludo, do Morro Dona Marta.

Em tempo: A agenda foi aprendida pela Polícia. A cúpula do Governo Moreira teve acesso a todos os nomes. Boechat, como secretário de comunicação, certamente foi um daqueles que tomou conhecimento.

Vanderlei Borges, jornalista, foi assessor de comunicação na área de Segurança Pública do Governo Brizola.
No GGN



O discurso fácil dos imbecis: Boechat e seu desserviço

O programa Jornal da BandNews, que tem como âncora o jornalista (sic) Ricardo Boechat, teve o seu mais deplorável capítulo no dia 25/04/2016. Boechat, com sua arte pedestre de falar para aquele tipo de publico que nao se enxerga em Bolsonaro, mas que também está longe da intelectualidade cognitiva capaz de ligar pontos, questionou a razão para a visita de Dilma Rouseef ao ex-presidente Lula na carceragem da PF em Curitiba. Pior, o funcionário dos Saad perguntou se a visita de Dilma tratava-se de visita íntima ou algo similar. Sim, podem parar e respirar porque a nausea é inevitável.

A canalhice de alguns jornalistas já é bem conhecida para todos aqueles que acompanham minimamente o desenrolar da atuação da mídia tradicional brasileira ao longo dos últimos quinze anos. Há aqueles que capitalizaram-se na formação do ódio e que agora se mostram como legalista e liberais. Há aqueles que conseguiram lugar no STF mesmo não usando a capa preta. Há aqueles que sempre bateram e assopraram, mas que rasgaram a fantasia ao lerem editoriais a favor do vampire com o pretexto de job security.

A falta de caráter não está apenas no Congresso. A política, sabemos, não reside apenas na atuação dos representantes do povo. Todos os personagens, pessoas física e/ou jurídicas, que atuam como formadores de opinião e catalisadores dos debates, dos mais diversos níveis intelectuais, são e devem ser criticados em termos políticos de acordo com suas atuações.

A misoginia de Boechat não foi o mais impactante, porém. O mais impactante foi a fala sobre a culpabilidade de Lula mesmo sem as provas cabais. Esse é outra face exposta do subdesenvolvimento do Brasil. O desrespeito à Lei, a quebra do Estado de Direito, para aplacar a sanha condenatória subdesenvolvida é sinal claro de que o Brasil precisa muito mais do que um recall dos politicos.

Esse tipo de discurso cai como uma luva em um ambiente como o do Brasil atual. O “era impossível não saber” usado por Boechat para justificar que Lula é um politico preso e não preso politico mostra que os canalhas enevelhecem sem medo do que virá depois, talvez por acreditar firmemente que estarão seguros do julgamento da História pois provavelmente mortos estarão.

PS: como de costume, é bem provável que haja uma espécie de assopro por parte de Boechat nos programas futuros. Eles podem vir na forma de porradas na oposição ou mesmo na Lava-Jato. A única certeza é que não será em relação ao governo atual, o pagador do salário.

Abaixo o link para quem tiver estômago


Francy Lisboa
No GGN

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