7 de abr de 2018

Às Meritíssimas Putas

Sempre tive grande respeito pelas Putas. Admiração não, pois não se admira a desgraça alheia. Lamenta-se e se respeita.

Ainda assim admiro-as como mulheres, pois admiro a todas as mulheres pela resistência e perseverança na luta contra os preconceitos e espoliação da sociedade machista. Nesse aspecto admiro-as ainda mais por serem as maiores vítimas desta sociedade hipócrita, à qual retribuem com tolerância e compreensão as frustrações e desvios mentais provocados pelo próprio machismo.

Não tenho outra forma para comprovar meu respeito pelas Putas que não seja reproduzindo esta poesia que escrevi no início da década de 80 do século passado:

As Prostitutas do Cais

As prostitutas do cais

têm os olhos grandes demais

de tanto esperar o mar.


As prostitutas do cais

têm as bocas grossas demais

de tanto lamber o amor.


As prostitutas do cais

têm os dentes negros demais

de tanto sorrir a dor.


Elas têm a liberdade de sonhar

com uma bailarina

que não se destina,

não se desatina,

nem se abomina.


As prostitutas do cais,

têm a alma grande demais.


Esse meu antigo respeito às Putas se estende inclusive àquelas mais indignas, às que se dão em cotidiano vitalício para um único homem pelo qual muitas vezes não têm qualquer respeito e até mesmo abominam, mas os aturam pelo mero conforto ou covarde dependência a uma duvidosa sensação de segurança. Apesar da vileza que praticam contra si mesmas, respeito-as por entender que também sejam vítimas da mesma sociedade que as consideram respeitáveis esposas.

Esposa já é uma abominável palavra originada do verbo sposare, hoje com o significado de ‘casar’ em italiano moderno. E no italiano moderno esporre se tornou a grafia do correspondente ao ‘expor’ do português. As duas palavras, sposare e esporre, provêm do italiano medievo spore, conjugada como sposare para a ação de expor algo.

O matrimônio só era confirmado quando pela janela do quarto nupcial era exposto o lençol com a mancha sanguínea comprovando o rompimento do hímen. Ato indispensável para confirmação pública da “honestidade” da noiva, em verdade só servia ao ridículo orgulho do estúpido macho para comprovar-se como o primeiro usuário de uma mulher.

Em função dessa origem do termo, por muitos séculos o correspondente masculino de “esposa” era marido, do latim maritus, aquele que contraiu matrimônio. O conceito de marido não permitiu o desenvolvimento da forma “marida”, mas da esposa se admitiu o esposo, ratificando a abolição do absurdo sposare da prova de virgindade. Por esta histórica conquista feminina também respeito as que mais do que seus corpos vendem suas liberdades prostituindo-se por geladeiras, automóveis, viagens, residências, cartões de crédito, posição social, etc.

Mas há uma prostituição demais de execrável. Impossível de ser perdoada ou que se lhe conceda qualquer tolerância. As Putas dignas apenas se prejudicam a si mesmas, mas estas prostitutas do real baixo meretrício prejudicam muitos, destroem famílias, corrompem o futuro de jovens e crianças, inviabilizam todo um país, toda uma população e por muitas gerações.

E não são exclusividades femininas. Um dos mais degradantes e explícitos exemplos brasileiros de prostituição foi apontado pelo tenente-coronel reformado Erimá Pinheiro Moreira ao delatar que na tarde do dia 31 de março de 1964 foi requerido para uma reunião secreta do comandante do II Exército, o general Amaury Kruel, o laboratório que, como então major farmacêutico, dirigia no Hospital Militar de São Paulo. Como na manhã daquele mesmo dia ouvira da boca do próprio general Kruel a afirmação de que morreria em defesa da legalidade e da democracia, apoiando o então presidente João Goulart contra o golpe militar iniciado pela mobilização em Juiz de Fora por tropas do general Olímpio Mourão, integralista (leia-se fascista brasileiro) autor do Plano Cohen; Erimá acreditou tratar-se de uma reunião para planejamento de estratégia contra o golpe.

O Plano Cohen foi uma farsa em forma de carta escrita pelo próprio Mourão, em 1937. Atribuída aos comunistas, o principal objetivo do plano de Mourão era integrar o Brasil aos países do Eixo nazifascista. Iludido pela farsa, Getúlio revogou as eleições marcadas para 1938 e promulgou o autoritário Estado Novo. Veja-se aí quanto um canalha de farda pode ser perigoso para um país! Mourão ia levando o Brasil para o buraco do nazi-fascismo e provocou a instauração de um regime persecutório que encarcerou e promoveu a tortura de muitos brasileiros, entre eles as inteligências mais notáveis das gerações das décadas de 30 e 40.

Felizmente Getúlio se apercebeu do erro em tempo e não incluiu o líder integralista na composição ministerial de seu governo, em razão do que se deu o Levante Integralista em 1938 e o partido nazifascista foi proscrito. Por fim, ao invés de se integrar à aliança entre Hitler e Mussolini, o Brasil declarou guerra ao Eixo em 1942. Mas ao fim da II Guerra, Getúlio errou por não ter exigido das Forças Armadas Brasileiras o julgamento e condenação dos nazistas, a exemplo do Tribunal de Nuremberg. E sofreu as consequências dessa falha em 1954 quando, como presidente democraticamente eleito, teve de entregar a própria vida para evitar um golpe.

Já então com os EUA financiando a instauração de governos autodeclarados nazistas, como o do ditador Alfredo Stroessner imposto aos paraguaios naquele mesmo ano de 1954, a tentativa de promover o mesmo aqui no Brasil suscita questões às quais ainda não se apresentou resposta: foram os EUA que lutaram contra o nazismo na II Guerra ou foi apenas o presidente Franklin Delano Roosevelt? Ou seja, os EUA somente deixam de ser uma nação nazista dependendo de quem a presida? Se depois de Roosevelt, aquela nação só não se comportou como nazista durante o reduzido período do governo JFK, no mandato único de Jimmy Carter, e nos dois mandatos de Bill Clinton e os de Obama; considerando-se que esses governos somaram 23 anos, se pode concluir que durante os últimos 73 anos os EUA foi uma nação nazista ao longo de 50 anos. Meio século! Portanto, apesar de Hitler haver perdido a guerra ao contrário do que se aponta nos filmes e romances, o nazismo venceu.

Em razão da comoção popular provocada pelo suicídio de Getúlio, o golpe dos nazistas brasileiros não deu certo em 1954, mas em 1964, o mesmo nazifascista Olímpio Mourão deu início a novo intento de nazistização do país, já então com apoio do governo de Lindon Johnson que sucedeu ao assassinado Kennedy.

O que o tenente-coronel Erimá Pinheiro Moreira relata é que o general Amaury Kruel poderia ter evitado o golpe, a nazistização do Brasil. No entanto, o coronel afirma a quem queira ouví-lo: “Eu cedi meu laboratório a pedido do coronel Tito Ascoli de Oliva Maya, diretor do Hospital Geral Militar de São Paulo, para que o general Kruel fizesse uma reunião sigilosa. Ele chegou com o Ascoli e logo depois chegou o presidente da Fiesp com mais três homens. Cada um carregava duas maletas. Como eu era responsável pela vida do general que estava no meu laboratório, eu pedi para ver o conteúdo das malas, por medo que houvesse algo que pudesse nos atacar e matar o general”.

Posteriormente, as investigações da Comissão Vladmir Herzog apuraram que os conteúdos das seis maletas, identificados pelo coronel como notas de dólar, somavam o valor de U$ 1,2 milhão de dólares.

Esse foi o mixe da Puta de farda chamada general Amaury Kruel. Puta masculina! Isso é bom lembrar para que se tenha noção de que nem todas as Putas são mulheres assim como nem todas as Putas são insidiosas, traiçoeiras e prejudiciais à sociedade humana. Muito pelo contrário, é graças às Putas que muitos homens não levam toda a carga de seus desvios mentais, suas frustrações e demais psicoses e patologias para dentro de seus lares, para suas esposas, seus filhos e familiares.

Essas Putas, por seus méritos, devem ser homenageadas como Meritíssimas. Mas às demais, àquelas que, como o general Amaury Kruel, transformam a instituição em que atuam em puteiro não recomendável, lupanares em que se vendem vendendo a vida de seus compatriotas, seja usando fardas, togas, mantos, anéis, títulos, cargos burocráticos ou religiosos, meios de comunicação, ou qualquer outra ferramenta contra os interesses de seu povo, contra a vontade democraticamente manifesta de uma população; essas que por praticarem meretrício milionários, alguns servis e canalhas assumem como suas mães, devem ser constante e publicamente repudiadas por aqueles que não se desejam confundidos como tal. Quem não queira ser apontado como filho da Puta, que exponha essa indisposição de alto e bom som a todo momento por todos os meios disponíveis.

Mais que isso, é preciso lembrar que essas Putas têm medo, mas não têm vergonha, e por isso devem ser perseguidas e apontadas como Meretrícias Putas onde quer que se as encontre, onde quer que se encontrem. À frente de suas residências, em shoppings e lojas, nas praças e aeroportos, dentro dos aviões, nas ruas, onde exerçam seu baixo meretrício por seja lá qual for o mixe. Se deve manda-las para a casa do cafetão, do gigolô a quem enriquecem. Àqueles que exercem o lenocínio usando essas Meretrícias Putas, que as alimentem. Que lhes dê cama, roupa, teto e demais auxílios tirados dos impostos dos que têm de sustenta-las sem ser seus filhos, sem ser filhos da Puta.

Até se aceitaria ser, mas não dessas Putas que dão ao xingamento todo o sentido ofensivo que se pretende não exatamente à mãe do xingado, mas ao próprio a que se xinga. Ser filho da Puta é ser hipócrita, falso, desonesto como são essas Meretrícias Putas que seus filhos admiram apenas porque alcançam alto mixe ou porque atendem interesses de gigolôs loiros do hemisfério norte. Nesse caso, o “filho da Puta” se refere a alguém medíocre, reles, escória humana.

Pagar impostos que serão transformados em altos mixes a essas Putas é coisa para seus filhos. Aqueles que não querem ser considerados como filhos dessas Putas devem usar a única arma que resta à dignidade popular: a desobediência civil. Além disso, fazer uso da boca para gritar e apontar sempre que se deparar com essas Meretrícias: PUTA!

Mas cuidado para não confundir com Meritíssimas Putas, porque além de vida muito difícil, essas respeitáveis senhoras ganham bem pouco para o exercício de uma atividade tão ingrata e imerecidamente desprezada por intolerantes e estúpidos preconceitos.


Tiranos e servis podem atravancar nossos sonhos.
Mas nada podem contra nosso desejo.
DESEJE!

Raul Longo

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