16 de abr de 2018

Aécio, o “rapaz ingênuo”, segundo ele próprio


Esta semana, o Supremo Tribunal Federal, muito provavelmente, decidirá que Aécio Neves se tornará réu numa ação penal por corrupção por conta do dinheiro recebido em malas da JBS.

Imaginar o contrário – embora não seja impossível neste país onde a Justiça se tornou um escancarado instrumento político – seria imaginar que o STF estaria disposto a ir mais fundo no buraco abissal em que já está enfiado.

Mesmo neste caso, é um escândalo que, só um ano depois de reveladas as gravações, em áudio e vídeo, onde o ex-líder tucano, além de pedir e receber dinheiro, faz insinuações até de mandar matar um primo se este abrisse a boca.

Tudo isso se reduz, porém, na defesa que ele apresenta em artigo publicado na Folha, no mesmo espaço em que, durante anos, deitou lições de “ética”, diz que tudo é resultado de sua “ingenuidade”:

Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles. Mas não cometi nenhuma ilegalidade.

Por não cometer ilegalidade, o ainda senador por Minas elenca o que diz serem “fatos”: a suposta venda do apartamento em que vive a mãe no Rio, não o dele próprio; ter recebido e não gasto o dinheiro , que gentil, dizer que as ameaças de morte eram “vocabulário inadequado”  e “brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto”.

Embora favorecido por uma aliança com Michel Temer – com quem teve um encontro há dois domingos e possui, como interesse comum, a desqualificação da marotíssima delação de Joesley Batista – a saída “ingênua” não deve funcionar para o STF.

Mas será interessante ver como se comportarão os ministros na hora de lançarem “um amigo” na fogueira, mesmo os já inservíveis, como palitos de fósforo já usados.

Até porque a estatura moral de alguns deles é comparável a de um Kim Kataguiri.

Como já não há exame jurídico no Brasil, mas julgamentos político-inquisitoriais, que precisam encobrir suas finalidades, mesmo escancaradas, Aécio será lambido pelas chamas das quais foi um dos primeiros atiçadores.

Vai arder, mas como é tucano, será em fogo brando, como quem cozinha um galo.

Fernando Brito
No Tijolaço


Aécio Neves, que é um desqualificado e escroque, alimenta ainda a esperança de seguir enrolando os ingênuos, os hipócritas e os cretinos que um dia acreditaram nele. O artigo que assina hoje na Folha de S Paulo, defendendo-se pela pena de um consórcio de advogados e assessores (ele não consegue redigir três linhas com nexo), é um peça que se localiza entre o infantil e o ardil. Não vale nada. Aliás, como o signatário da peça. Não reproduzo porque esse é um espaço qualificado.



O desespero de Aécio, o auto intitulado “ingênuo”

Ele
O choro do Mineirinho
Aécio Neves poderia poupar seus eleitores — os que sobraram, naturalmente — do espetáculo de auto vitimização que vem empreendendo.

Amanhã, o STF decidirá se ele vira réu na ação penal por corrupção no caso JBS.

Mesmo levando em conta o Supremo e tudo o que os juízes significam hoje, é difícil crer que a corte vá livrar sua cara novamente.

O tucano é o álibi perfeito do Judiciário para contrabalançar a perseguição a Lula. O desgaste com a palhaçada envolvendo Alckmin foi enorme e pegou mal até na mídia que blinda Geraldo desde criancinha.

No último dia 12, Aécio deu entrada na UTI do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, onde ficou desde a manhã até as 15h. Tinha taquicardia e insuficiência respiratória. Era medo.

Agora, orientado por seu advogado, Aécio ataca com um artigo na Folha que dá uma ideia da linha da defesa: foi tudo sem querer.

Ele alega que o papo com Joesley, que incluía uma ameaça ao primo Fred, era para ver se descolava um comprador para o apartamento em que a mãe vive no Rio de Janeiro há 35 anos.

“Recebi, de boa-fé, o delator no hotel em que estava e, numa conversa criminosamente gravada e induzida por ele, permiti-me usar um vocabulário inadequado e fazer brincadeiras injustificáveis e de enorme mau gosto, das quais me arrependo profundamente. Lamento, especialmente, o que esse episódio acarretou para outras pessoas”, escreve o tucano. 

“O que me define são os meus 32 anos de vida pública honrada e não os poucos minutos de uma armadilha montada por criminosos. Fui ingênuo, cometi erros e me penitencio diariamente por eles”.

As três décadas de “vida pública honrada” estão repletas de denúncias, muitas delas relatadas aqui no DCM.

O ministro Marco Aurélio Mello, ao mandar-lhe de volta ao Senado no no passado, talvez ironicamente, mencionou sua “carreira política elogiável”.

Aécio é, sobretudo, um fraco. Foi engolido pelo abismo do golpe que cavou com os pés.

Se está dando piti agora, imagine-se o que não fará com a perspectiva de uma prisão e um acordo de delação premiada.

Kiko Nogueira
No DCM

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