8 de mar de 2018

Se esquerda não correr, 2º turno se dará entre "direita e extrema-direita", alerta analista


O mote da eleição de 2018 deverá ser a recuperação da economia, e o povo deverá escolher o candidato com maior capacidade para fazer um "pacto social" e "reabilitar" o País. É este o cenário que as esquerdas precisam ter em vista ao acelerar o processo de preparação para o pleito, se não quiserem ficar de fora do segundo turno, assistindo a um embate entre direita e extrema-direita. A avaliação é do cientista social com especialização em relações internacionais, Mathias Alencastro.

Em entrevista ao jornalista Luis Nassif, editor-chefe do GGN, Alencastro avaliou que parte os caminhos que parte da esquerda estuda de olho na eleição ainda precisa de um debate aprofundado. Ele critica, principalmente, a ideia defendida pelo senador Lindbergh Farias para o PT: dar uma guinada à extrema-esquerda, se afastando ainda mais do mercado e outros setores que apoiaram o golpe de 2016.

Na visão de Alencastro, existe um "vazio" no espaço de centro-esquerda, que "não está devidamente ocupado pelo partido que tem a responsabilidade de ocupá-lo, que é o PT."

"Isso deve-se tanto, obviamente, às forças que se abateram sobre os movimentos progressistas nos últimos anos, empurrados pela Lava Jato, pela direita conservadora, pelos novos movimentos de Direita. Mas também pela incapacidade do PT de se adaptar a essas novas circunstâncias", comentou.

"É necessário dramatizar a situação neste momento (...) porque o centro-esquerda deve se renovar (...) o mais rapidamente possível para estar pronto de encarar o desafio de 2018 e evitar o grande risco deste momento: que o segundo turno da eleição seja entre direita e extrema-direita", alertou.

Para ele, a "guinada do PT à extrema-esquerda fará o partido entrar em rota de colisão com o PSOL", que já atua neste campo e vem se reforçado com Guilherme Boulos. Além disso, uma eventual mudança no perfil do PT criaria "um problema de oferta política no painel brasileiro. "No Brasil, não. No Brasil, precisamos de um partido de centro-esquerda para ocupar o terreno", lembrou.

O analista destacou como um debate que a legenda de Lula deve priorizar, a relação com o mercado. É preciso "retomar princípios do desenvolvimentismo com preocupçaão social e olhar realista em relação ao mercado."

"O mercado preferiria muito mais o Lula do que um candidato de extrema-direita ou direita que fosse incapaz de reinstaurar um pacto social no País", comentou.

Para Alencastro, alas do PT estão erradas quando avaliam que foi a aproximação do partido com o mercado que projetou a extrema-direita.

"A ascensão da extrema-direita deve-se à falência moral e programática do centro-direita. São eleitores do centro-direita que estão migrando para a extrema-direita porque descobrem que o presidente do partido durante meia década era um Aécio Neves. Não tem nada a ver com o centro-esquerda. E essa demonização do centro-esquerda vai contra os interesses do Lula", avisou.

Assista a entrevista completa abaixo:



No GGN

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