10 de mar de 2018

Pistoleiros cometem atentado contra ocupação rural no Norte de Minas


Uma ocupação rural foi atacada por pistoleiros nesta quinta-feira, 08 de Março, em uma fazenda no município de Capitão Enéas, Norte de Minas Gerais. Homens armados renderam as famílias que estavam no local, agredindo mulheres e crianças. Ao todo, 6 pessoas ficaram feridas, 4 foram golpeadas com coronhadas e 2 baleadas. Entre os feridos, o mais grave é a liderança do movimento, Thiago Coimbra Silva, 31 anos. Ele chegou a correr risco de vida e, atualmente, respira com ajuda de aparelhos.

O atentado aconteceu durante a tarde na Fazenda Norte América, a 6 km da cidade. Jagunços trazidos por um caminhão-baú chegaram disparando contra famílias ligadas ao FNL (Frente Nacional de Luta) que ocupam a propriedade. Somente após o incidente, a Polícia Militar chegou ao local. 9 pessoas foram presas, dentre elas um advogado em serviço do suposto proprietário do terreno. Nenhum órgão público divulgou seu nome, mas o MST, que também atua na região, identifica como o ruralista Leonardo Andrade: “A fama sobre a violência deste latifundiário e seu envolvimento em casos de corrupção, ligados à Ruy Muniz, ex-prefeito de Montes Claros, é amplamente conhecida nas terras mineiras.”

Em coletiva de imprensa, o delegado Jurandir Rodrigues César Filho, afirmou que tudo indica que o atentado foi encomendado pelo dono. Após interrogatório, o motorista do caminhão assumiu que tinha recebido R$400,00 para ajudar na fuga dos pistoleiros.

LEONARDO ANDRADE E TIROTEIOS

Leonardo Andrade
Não é a primeira vez que sem-terras recebem bala em Capitão Enéias. A propriedade é ocupada desde Janeiro do ano passado tanto pelo Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) quanto pelo Movimento Frente Nacional de Luta (FNL). A área era improdutiva e os movimentos apontaram diversos indícios que era utilizada como lavagem de dinheiro por Ruy Muniz e seus sócios. A fazenda possui uma dívida milionária no banco, foi arrematada pelo grupo Soebrás (Sociedade de Educativa do Brasil), porém nunca foi paga. A Soebrás é uma das várias entidades filantrópicas utilizadas por Ruy Muniz para desviar recursos federais e da prefeitura de Montes Claros. Por tais desvios, o ex-prefeito foi detido em setembro de 2016, assim como seus sócios. Leonardo Andrade se destaca por, além de ser sócio do grupo, ocupar o cargo de secretário de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Agricultura durante a gestão de Muniz.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assume que foi procurado por um advogado, supostamente representando Leonardo Andrade. Ele havia se disposto a vender as terras ao Instituto, que, por sua vez, as destinaria à criação de um assentamento. No entanto, o ruralista nunca entregou documentos comprovando a posse da terra e, por suspeita de grilagem, o processo nunca avançou.

O ataque ao FNL não é o primeiro do fazendeiro. Em abril de 2017, Leonardo Andrade organizou uma emboscada para militantes do MST. Os sem terra se dirigiam para uma reunião proposta pelo ruralista na sede da fazenda, mas, no meio da estrada, eles foram recebidos por balas. Várias pessoas se feriram, inclusive uma criança de dez anos, atingida de raspão no rosto. Mais três pessoas foram baleadas e levadas ao hospital. Testemunhas indicam que Leonardo Andrade estava no local, assistindo enquanto seus capangas disparavam contra as famílias.

Caio Santos
No Jornalistas Livres



 Jornal do Brasil, 09/04/2017 

Em MG, Leonardo Andrade arma emboscada e sete Sem Terra são baleados

Momentos de terror viveram cerca de 300 pessoas cruelmente alvejados por pistoleiros

Integrantes do acampamento Alvimar Ribeiro foram recebidos a tiros por pistoleiros na sede da Fazenda Norte América, em Capitão Eneias-MG, neste domingo (09/04). Os militantes do MST se dirigiam para uma reunião, por volta de 7h30 da manhã, chamada pelo administrador da Fazenda, quando foram surpreendidos por vários jagunços. Os feridos relataram que o próprio latifundiário estava dirigindo sua Hilux enquanto os pistoleiros atiravam continuamente de cima da carroceria.

Uma das vítimas relatou que se trata de uma emboscada e que os 300 Sem Terra presentes estavam desarmados. “O administrador da fazenda insistiu por uma reunião e nós acabamos aceitando. Ao chegar à cancela fomos recebidos a bala por cerca de dez jagunços. Eles atiraram sem dó e nem piedade. Tinha crianças, idosos, grávidas. Nós vimos o dono da fazenda no lugar. Pedimos pra não atirar. Abaixamos pra não sermos baleados, foi uma covardia”, conta Géssica Thais Gonçalves Freitas, de 24 anos, que levou um tiro na perna.

Entre os feridos estão Fabrício Alvins Lima, baleado na barriga, de 31 anos, e Vildomar Oliveira Gomes, também de 31 anos, baleado no pescoço. Outras pessoas foram feridas com tiros de raspão, entre elas uma criança de dez anos, ferida no rosto. A polícia militar está no local colhendo depoimentos dos envolvidos.

A ocupação

A fazenda, de 3 mil hectares, era improdutiva, foi ocupada em janeiro deste ano e pertence ao grupo Soebras, da família Andrade. Atualmente há 650 famílias acampadas no local, já produzindo.

Leonardo Andrade, sócio do ex-prefeito de Montes Claros, Rui Muniz, se identificou como proprietário e se dispôs a vender as terras ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Este deveria destiná-las à criação de um assentamento, no entanto, a morosidade do Instituto permitiu o acirramento do conflito instalado.

Para Ênio Bohnenberger, da Direção Nacional do MST, tais conflitos são causados pela falha do Estado. “A violência no campo se alastra na medida em que o Estado se omite em relação à Reforma Agrária. Mas atualmente, a situação é muito pior, pois é promovida pela aliança entre o Governo Golpista de Michel Temer e as bancadas da bala e do boi”, analisa o dirigente.

A sociedade entre Leonardo Andrade e Ruiz Muniz

A Soebrás é uma das várias entidades filantrópicas ligadas a Ruy Muniz, que estão sob investigação por desvio de recursos federais e da prefeitura de Montes Claros. O ex-prefeito e alguns de seus sócios foram já foram detidos em 2016. Um deles é Leonardo Andrade, que ocupava o cargo de secretário de Desenvolvimento Sustentável, Meio Ambiente e Agricultura na prefeitura.

Existem indícios de que a fazenda era utilizada pelo ex-prefeito de Montes Claros (MG), Rui Muniz e seus sócios, para lavagem de dinheiro. A área possui uma dívida milionária no banco, foi arrematada pelo grupo Soebrás (Sociedade Educativa do Brasil), porém, nunca foi paga.

Ruy Muniz foi preso em 2016 no dia seguinte à votação do impeachment da Presidente Dilma Roussef. Na ocasião, sua mulher Raquel Muniz, deputada, dedicou o voto à integridade moral do marido afirmando que “o Brasil tem jeito e o prefeito de Montes Claros mostra isso para todos nós, com sua gestão. Por isso eu voto sim, sim, sim”.

Atualmente ele responde a processo, acusado de estelionato, falsidade ideológica, prevaricação e desvio e|ou apropriação de recursos públicos.

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