3 de mar de 2018

O show de cinismo de Moro em Nova York


Foi necessário que Sergio Moro viajasse a Nova York para ser interpelado sobre por que a Lava Jato vaza tanto para a mídia.

Em sua palestra na AS/COA, Moro foi questionado por uma jornalista da CNBC sobre as reclamações de advogados sobre as ilegalidades e a “metodologia” lavajatista.

Ela menciona os depoimentos passados para a imprensa “em questão horas”. “Seu departamento faz isso?”, pergunta. “É proposital?”

[no vídeo abaixo, a partir do minuto 38. Em inglês, sem legendas]

A resposta de Moro é um show de cinismo.

“Algumas vezes se faz uma confusão entre vazamentos e julgamentos públicos”, começa ele.

“Pode haver, durante a investigação, um ou dois vazamentos, mas posso garantir que não sou responsável por nenhum. E é muito difícil fazer uma investigação sobre vazamentos.”

Visivelmente desconfortável, ele olha para o mediador Brian Winter, da revista Americas Quarterly, editada pelos donos do evento, lembrando o caso Watergate. “Quanto tempo para descobrir o responsável?”

(Pobre Deep Throat, cuja conduta não tem absolutamente nada a ver com o modus operandi brasileiro).

Na defensiva, desafinando, ele alega que acha “errado ter essa atenção sobre os vazamentos” diante da “corrupção generalizada”.

“Uau. O problema são eles ou o comportamento criminoso dessas pessoas? Mas, de novo, sou contra os vazamentos. Como juiz, eu tenho que obedecer a lei estritamente, mas não vejo os vazamentos como o maior problema nesse caso”.

Trocando em miúdos, os fins justificam os meios.

Uau.

A propagação de informações sigilosas, que por lei deveriam ser mantidas em segredo, ocorre desde o início da Lava Jato. É sistemático.

A divulgação da delação de Delcídio do Amaral na Istoé foi instrumental para a deterioração da situação política do governo Dilma. A de Leo Pinheiro, da OAS, envolvendo o ministro Dias Toffoli, do STF, saiu na Veja.

Apesar do que declarou nos EUA, Moro lui même liberou para o Jornal Nacional o grampo da conversa entre Lula e Dilma em 2016, quando o e ex-presidente acabava de ser nomeado para o cargo de ministro da Casa Civil.

“Não me arrependo de forma nenhuma, embora tenha ficado consternado com a celeuma que a divulgação causou”, disse num convescote da Veja.

“As pessoas têm ilusões sobre alguns ídolos, mas é hora de verem a verdade”, afirmou SM à plateia americana.

A verdade está lá fora, diz o pessoal do Arquivo X.



Kiko Nogueira
No DCM

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