9 de mar de 2018

"O maior ladrão do Brasil"


Uma característica dos regimes nazifascistas é a sua aversão à ciência e ao pensamento livre. Há vários exemplos na história que tornam esta assertiva de fácil verificação. Talvez a mais ousada, sob o ponto de vista estritamente científico tenha sido a tentativa de Hitler de destruir a “física judaica”, mais especificamente, o corpo de conhecimentos construído por Einstein e seguidores. Paradoxalmente, a incompatibilidade das incertezas quânticas com a necessidade de verdades absolutas tão necessárias ao pensamento do regime nazista determinou por si a impossibilidade de desenvolvimento da arma nuclear, até por quê seria impossível fazê-lo sem o conhecimento da física e da matemática quântica.

O título deste artigo é mera reprodução de um mantra de boa parcela da direita e extrema-direita brasileira, aplicado ao ex-presidente Lula. Por um mero exercício de retórica, admitamos que as imputações até agora julgadas sejam verdadeiras. Estamos então falando de um montante de pouco mais de 2 milhões de reais. Pois bem, não é difícil perceber-se que apenas as malas encontradas no apartamento de Geddel Vieira Lima já somam pelo menos 25 vezes mais que este valor. Ou, o atribuído a contas de José Serra em contas na Suíça, da ordem de 25 milhões de reais, aproximadamente 12 vezes o montante. A Eduardo Cunha atribui-se, de forma fartamente documentada quantias também muito superiores na casa dos múltiplos. A conta recentemente revelada de “Paulo Preto”, ex-diretor do DERSA/SP supera os 100 milhões de reais, relatados pelo Ministério Público da Suíça, e, portanto, 50 vezes ou mais do que o atribuído ao ex-presidente. Paulo Maluf está preso por lavagem de dinheiro de volume estimado em mais de 200 milhões de reais que circularam pelas contas de Jersey. O ex-banqueiro Cacciolla, do Banco Marka, cumpre pena por abusos no mercado de câmbio na casa de 1 bilhão de dólares, à época do segundo mandato do governo FHC.

Ora, estas informações aqui aduzidas foram extraídas das mesmas fontes, tanto no caso do ex-presidente Lula quanto ao caso dos outros citados.

Nossos matemáticos, economistas, contadores, e doutos em tantas ciências que sustentam o mote deste artigo devem então responder a algumas perguntas. A primeira seria: acreditam nas fontes? Ou a crença nas informações é meramente de acordo com o paladar do dia? A segunda pergunta: se as informações aduzidas pela grande mídia são consideradas válidas, como se forma o critério de grandeza no cérebro dessas pessoas? Qual a dificuldade técnica ou científica de se ordenar as grandezas na ordem comumente aceita pela ciência, que os obriga a inverter as grandezas envolvidas para atribuir o título de “maior” aquilo que é flagrantemente menor, pela matemática conhecida e reconhecida mundialmente, do oriente ao ocidente, do norte ao sul?

Diriam nossos inspiradíssimos que o ex-presidente tem “laranjas” pelo mundo inteiro, que escondem as vultosas fortunas. Ora, será que nosso ex-presidente tem mesmo essa rede mundial de influência capaz de sufocar as instâncias investigatórias de países como a Grã-Bretanha, a Suíça, os Estados Unidos, o Panamá, entre outros? Qual a evidência, por mais remota que seja, capaz de superar os números expressos três parágrafos acima?

Para a infelicidade dessas pessoas que cultivam o credo contido no título deste texto, a história, que parecem ou necessitam ignorar ou destruir, tanto quanto os mais básicos critérios matemáticos e científicos, seu comportamento é facilmente detectado como mero atavismo, em um frenesi de autodenúncia isento de qualquer indulgência. Parecem mesmo acreditar - e trata-se mesmo de crença, em seu mais cru significado - que com isso estão a conquistar algo no dramático cenário político e histórico no qual nos encontramos.

Até o presente, não obstante os intermináveis ataques, a ciência e a literatura histórica prevaleceram ao colocar tudo isso em uma sistemática produtiva de conhecimentos. Será que nossos interlocutores ainda acreditam em estabelecer uma nova ordem no conhecimento que desprezará definitivamente os critérios da ciência? Se assim for, como dizia Einstein, você não deve esperar resultados diferentes repetindo os procedimentos que deram um certo resultado. Mas eles parecem insistir. Só nos resta observar.

Nelson Nisenbaum
No Esquerda Caviar

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