9 de mar de 2018

Filho de “Missa”, golpista de primeira hora, quer impedir o curso sobre o golpe na Universidade Federal da Bahia


O pai foi um dos articuladores do impeachment de Dilma Rousseff, segundo o senador Heráclito Fortes: José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Em Brasília, Aleluia tramou com o próprio Heráclito (muito próximo da TV Globo, para o qual o golpe de 64 continua sendo “Revolução”), com Jarbas Vasconcelos, Benito Gama, Rubens Bueno, Raul Jungmann e Mendonça Filho.

Estes dois últimos foram agraciados com ministérios por Michel Temer. A Mendonça coube o Ministério da Educação, através do qual começou toda a polêmica.

Agora, é o filho de Aleluia, o vereador Alexandre Aleluia, que pretende proibir o curso sobre o golpe na Universidade Federal da Bahia.

Ele é vigoroso defensor do Escola Sem Partido.

“Eu costumo dizer que o Escola Sem Partido é mais do que um projeto, é um movimento que procura dar um pouco de poder aos pais para defenderem seus filhos de doutrinação ideológica”, afirmou em entrevista quando era candidato a vereador.

Alexandre entrou com mandado de segurança contra o curso “Tópicos Especiais em História: o golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, criado pelo professor Carlos Zacarias.

O juiz federal Iran Leite negou a liminar, mas chamou para depor o professor Zacarias e o reitor da UFBA, João Carlos Salles.

Zacarias, que é doutor em História, recebeu solidariedade do Psol.

Na nota, a seção estadual do partido denunciou:

“Não demorou e o professor Carlos Zacarias e demais docentes tornaram-se alvos do ódio das hostes fascistas que inundam as redes sociais. Postagens com discursos xenófobos, defesas acaloradas da ditadura para varrer o comunismo e até mesmo ameaças de agressão física contra o professor e seus familiares”.

Também denunciou o herdeiro político de Aleluia:

“Na sua argumentação, o vereador, líder do DEM na Câmara municipal de Salvador e base aliada do governo golpista de Michel Temer, demonstra sua total ignorância sobre a realidade das Universidades brasileiras ao dizer que são instituições aparelhadas e que servem quase que unicamente para formar militantes e não pensadores.

Alexandre, o vereador, esteve no plenário da Câmara no dia da votação do impeachment, quando seu pai disse que Dilma tinha “roubado” na refinaria de Pasadena, na Petrobras e em Belo Monte.

Com o pai, foi as manifestações pró-impeachment em Salvador, na presença, entre outros, de Geddel Vieira Lima, de camisa verde estampada com Fora Dilma, então com mais de R$ 50 milhões estocados em um apartamento da capital baiana.

Agora, o vereador se insurge contra a disciplina do golpe porque, afinal, a família foi decisiva para que acontecesse.

José Carlos Aleluia, que denunciou a corrupção alheia no dia do impeachment, foi acusado por dois delatores, José Carvalho Filho e Claudio Melo Filho, de ter recebido R$ 580 mil da Odebrecht nas eleições de 2010 e 2014, depois de prometer que daria apoio aos pleitos da empreiteira no Congresso. Ele nega.

O apelido de Aleluia nos bastidores da Odebrecht, segundo os delatores, era “Missa”.

O deputado responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal.

Foi a iniciativa do ministro Mendonça Filho, parceiro de Aleluia, de questionar um curso sobre o golpe oferecido na Universidade de Brasília — ameaça aparentemente não cumprida — que levou várias universidades a seguir o exemplo da UnB, dentre as quais a UFBA.

No Viomundo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários com links NÃO serão aceitos.

Os comentários são de total responsabilidade de seus autores e não representam necessariamente a opinião do blog

Comentários anônimos NÃO serão publicados, como também não serão tolerados spams, insultos, discriminação, difamação ou ataques pessoais a quem quer que seja.

É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O blog poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.