19 de mar de 2018

Estado de Exceção: O caso do Bar Bip Bip

Estado de Exceção: dono de bar é preso porque fez homenagem a Marielle

Alfredinho do Bar Bip Bip, 74 anos, vítima do Estado de Exceção.
Relato de Graça Lago, testemunha ocular do acontecimento:
Alfredinho do Bar Bip Bip é “conduzido” para a delegacia por conta de uma confusão criada por um Policial Rodoviário Federal de folga que criticou homenagem à Marielle Franco, durante o samba que acontecia em seu estabelecimento.

O agente da PRF depois de sair do bar, voltou armado e ameaçando as pessoas, alegando que foi empurrado ao sair por alguém que ele não sabe quem. A PM foi chamada, uma tenente tentou mediar a situação com o policial rodoviário, que foi intransigente e aos gritos disse que queria “conduzir” o Alfredinho para a delegacia. Foi chamado um carro da Policia Rodoviaria Federal com 4 policiais da PRF armados com fuzis, para acompanhar uma briga de bar do colega deles de folga, fugindo totalmente da sua função institucional.

Agora são 1h30 da manhã e temos um senhor de 74 anos, um dos donos de bar mais conhecido do Rio de Janeiro, detido sem ser acusado de nada, simplesmente por fazer uma homenagem à uma vereadora assassinada.

O delegado vai ouvir as parte e provavelmente o Alfredinho será liberado assim que prestar depoimento.
#EstadoDeExceção
Atualização (por Rodrigo Mondego):

O Afredinho do Bip Bip foi liberado. O delegado não quis me receber na condição de advogado e apenas colocou o agente da PRF como vítima de lesão corporal e o Afredinho como testemunha (de algo que ele não viu).

Sim, é isso, o Alfredinho foi arbitrariamente conduzido para a delegacia para ser testemunha de algo que ele não viu. Esse, a priori, é o entendimento dos órgãos de Estado do RJ.

Se a gente vivesse em um Estado de Direitos, o dono do Bip Bip teria sido vítima de crime de ameaça e abuso de autoridade.

#EstadoDeExceção

Miguel do Rosário
No Cafezinho



O caso Bip-Bip e os esbirros da ditadura


O caso do Policial Rodoviário Federal que aprontou no Bip-Bip, bebeu, bateu e ameaçou, me lembrou na hora um episódio no Bar do Alemão, por volta de 1980.

Estávamos tocando quando chegou a caminhonete da Rota e dela desceu um policial, um japonês, com óculos escuros.

A noite corria e um casal da Zona Leste, na parte de cima do bar, bebeu um pouco além e passou a lançar bolachas na parte de baixo. Rimos da alegria de quem bebeu um pouco além.

De repente, o policial subiu as escadas e deu-lhes voz de prisão. Foi um choque no bar. Desceu arrastando o casal, o auxiliar abriu o porta-malas da Veraneio e tentaram empurrar o casal para dentro. O casal implorava ajuda, dizia ter medo de nunca mais voltar, o que era uma hipótese naqueles tempos bicudos.

Na época, eu não era jornalista nem relativamente conhecido.

O policial queria impressionar as mocinhas e os músicos do bar, apenas isso. Disse-lhe que, se fosse levar o casal, eu iria junto. Ele se espantou:

- Mas eu achei que estava ajudando, tirando os bêbados do bar.

Disse-lhe que, na verdade, ele acabara com o clima do bar. Na porta do Alemão, algumas das moças assediadas por ele mostravam sua reprovação.

Acabou soltando o casal. Minha “autoridade”, no caso, não era de cidadão ou jornalista, mas do sujeito que tocava bandolim no bar.

O clima atual é o mesmo. Não se trata de um comando centralizado. Trata-se da marcha do fascismo que faz qualquer bêbado de bar com autoridade – como o Policial Rodoviário – se valer das prerrogativas do poder para arbitrariedades.

Luís Nassif
No GGN



A Polícia Rodoviária Federal se manifestou a respeito da prisão do dono do bar Bipbip, em Copacabana, após confusão com um de seus agentes em torno de uma homenagem a Marielle Franco:

Prezados(as),

em atenção aos questionamentos referentes à ocorrência envolvendo um servidor da instituição num bar em Copacabana, em 18/03/2018, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) esclarece que:

– Por volta das 22h40, fomos informados sobre uma possível confusão envolvendo um policial rodoviário federal num bar em Copacabana, após supostamente ter se expressado numa discussão no local em relação a fatos ocorridos na cidade;

– Uma equipe da PRF foi acionada para verificar a informação e avaliar a conduta do policial, sendo comunicada que a ocorrência já havia sido encaminhada para a 12ª DP (Copacabana);

– Na 12ª DP (Copacabana), foram informados que a ocorrência estava na 13ª DP (Ipanema);

– Ao chegarem na 13ª DP (Ipanema), os plantonistas disseram que a ocorrência seria registrada na 14ª DP (Leblon);

– Então, o servidor envolvido no caso foi levado sozinho na viatura PRF da 13ª DP para a delegacia de registro;

– Os envolvidos foram ouvidos na delegacia e a investigação ficará sob responsabilidade da Polícia Civil;

– Inicialmente, não houve nenhum registro de comportamento que configure desvio de conduta funcional, representando tão somente atitudes e opiniões pessoais do servidor;

– Não houve registro de utilização de arma de fogo ou quaisquer outros acessórios policiais;

– Ressaltamos que opiniões e atitudes da vida privada dos servidores não representam o posicionamento da instituição;

– A Polícia Rodoviária Federal solidariza-se com os familiares da vereadora assassinada, assim como de todas as vítimas da violência, e não medirá esforços para auxiliar na prisão dos envolvidos no caso.

POLÍCIA RODOVIÁRIA FEDERAL
Núcleo de Comunicação Social – RJ
imprensa.rj@prf.gov.br

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