28 de mar de 2018

Doria revê estratégia após comparar saída de prefeitura com 'divórcio'

Após fala elevar críticas e reduzir engajamento nas redes sociais, equipe do tucano reconhece nos bastidores que declaração foi um erro

Doria deixará a prefeitura em 7 de abril para concorrer ao governo de São Paulo
O prefeito de São Paulo João Doria Jr. (PSDB) monitora intensamente as redes sociais desde domingo 18, quando venceu as prévias e confirmou-se como candidato ao governo do estado. Ele esperava que a formalização de sua saída da prefeitura irritaria parte de seu eleitorado de 2016. À época, o prefeito argumentava não ser um político profissional e garantia que cumpriria o mandato.

O tucano estava preparado para reagir. Mas o prefeito não ensaiou previamente com sua equipe de redes sociais a melhor maneira de comunicar a mudança e, assim, minimizar o impacto negativo, conforme apurou CartaCapital.

O erro ficou evidente quando o prefeito comparou a saída do comando da maior cidade do País como um “divórcio” amigável. “Quantos maridos, quantas esposas também, fazem suas promessas de casamento e juras de eternidade no casamento numa cerimônia religiosa, com testemunhas, com juramento, com juras de amor e, às vezes, se separam e nem por isso se odeiam e nem por isso passam a ser odiados e nem contestados”, afirmou Doria nesta terça-feira 20, durante entrevista à TV Bandeirantes.

O vídeo do prefeito fazendo essa analogia se espalhou como rastilho de pólvora nas redes sociais. Doria se arrependeu da comparação depois que apoiadores dele engrossaram o coro de críticas à sua saída do cargo em 7 de abril, prazo limite para viabilizar a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

A avaliação da equipe do prefeito foi que ele errou. O chamado “engajamento orgânico” de apoiadores que costumam sair em defesa do prefeito nas redes caiu, sendo que parte deles o criticam por deixar a prefeitura.

Mas o fato de a maior parte dos usuários orgânicos não terem partido para o ataque, optando apenas pelo silêncio, é olhado agora como um flanco aberto para reconquistá-los.

Para isso, Doria ensaia um novo discurso: vai reconhecer que as pessoas têm direito de ficar desapontadas com ele, mas que o momento político exigia que deixasse a prefeitura para evitar que o estado caísse nas mãos da esquerda.

O argumento já era ensaiado, mas o prefeito se atropelou com a justificativa do divórcio. Isso alimentou os opositores e constrangeu os apoiadores do prefeito. Ele deve, nos próximos dias, alimentar esses apoiadores remando contra o que sua equipe classifica como “espuma das redes sociais". Isto é, vai focar em neutralizar o fluxo de mensagens negativas vindas de opositores.

'Extrema esquerda'

Doria quer aproveitar os últimos dias como prefeito para bombardear a redes de olho nesse apoiador chateado com sua saída, mas que não guarda raiva dele. Para isso, enviará mensagens de que o vice Bruno Covas dará continuidade ao plano de governo elaborado por sua equipe.

Será a forma do agora pré-candidato ao governo de São Paulo dizer que não abandona a capital. Mas tucanos dizem que a relação de Doria e Covas está estremecida desde que o prefeito 'demitiu' o vice da Secretaria das Prefeituras Regionais no ano passado.

O vice também estaria disposto a rever o programa de privatizações criado por Doria. Covas já teria manifestado a alguns tucanos uma opinião contrária à concessão do Estádio do Pacaembu e do Autódromo de Interlagos para iniciativa privada.

A estratégia ser acompanhada com a subida de tom contra o vice-governador Márcio França (PSB), que costura o apoio de partidos como o PCdoB para concorrer ao Bandeirantes.

Doria vai bater na tecla de que o PCdoB defende a “ditadura” na Venezuela, como forma de rotular França como extrema-esquerda.

O vice do presidenciável Geraldo Alckmin assume o governo paulista em duas semanas e, apesar da acusação de Doria, negocia aliança com partidos de direita. Já teria acertado apoio do Solidariedade, PR, PROS, PSC, PV e mantém conversa com o PRB, legenda ligada à Igreja Universal do Reino de Deus.

Nivaldo Souza
No CartaCapital

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