12 de mar de 2018

Dória avisou: cunhado pode afundar Alckmin

Em agosto do ano passado, o “prefake” João Doria, que bicou seu padrinho político na disputa pela vaga do PSDB nas eleições presidenciais, insinuou que um sinistro cunhado ainda poderia detonar as pretensões de Geraldo Alckmin. Matéria do jornal Valor, assinada por Rosangela Bittar, detalhou a fritura na ocasião. “Não é segredo. Doria está fazendo gato e sapato de Alckmin. Não há um tucano paulista, dos bem autênticos, que não tenha uma história para contar sobre o bombardeio do prefeito contra quem imagina ser seu adversário interno. Os interlocutores estão saindo horrorizados com a má propaganda e a baixa perspectiva que se cria para Alckmin: Doria não perde oportunidade de dizer que vem aí uma bomba, uma delação irrespondível, que esse ‘negócio de cunhado é difícil’”.

Bem que o traíra avisou. Nesta segunda-feira (12), a Folha soltou a "bomba". Segundo revela Thais Bilenky, “três empresas da família do governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB), têm ou tiveram como sede um edifício comercial de propriedade de seu cunhado Adhemar Ribeiro, acusado por dois delatores da Odebrecht de ter recebido R$ 2 milhões no caixa dois para candidatura do tucano em 2010. Em ao menos duas eleições, para a Prefeitura de São Paulo, em 2008, e para o governo paulista, em 2010, as campanhas de Alckmin tiveram uma base no imóvel”. Ainda de acordo com a matéria, desde o final de 2006 que o “picolé de chuchu” mantém vínculos com o escritório do cunhado, localizado no bairro nobre do Itaim Bibi, na capital paulista.

“De propriedade do governador em sociedade com a sua filha, Sophia, e capital de R$ 10 mil, a empresa tem como objeto social ‘pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências sociais e humanas, regulação das atividades de saúde, educação, serviços culturais e outros serviços, ensino de dança, treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial’. A assessoria do tucano disse que a empresa foi criada para atividades dele como ‘professor e palestrante’. O mesmo prédio de Ribeiro, o Wall Street Empreendimentos, serviu de sede para a Trigo Assessoria, agência de notícias de Sophia com uma sócia, de 2009 a 17 de fevereiro de 2017, quando elas mudaram de endereço”.

“A migração da agência da filha de Alckmin ocorreu 18 dias depois de o STF homologar a delação da Odebrecht, o que resultaria na divulgação, em abril do ano passado, dos depoimentos dos ex-executivos da empresa. Um dos delatores, Carlos Armando Paschoal, ex-superintendente da construtora em São Paulo, relatou a atuação de Ribeiro na campanha de Alckmin. Ele afirmou que foi levado por Aluízio de Araújo, conselheiro da Odebrecht morto em 2014, ‘a uma reunião com Geraldo Alckmin no escritório deste, na avenida Nove de Julho, próximo à avenida São Gabriel’ – descrição compatível com a do escritório do cunhado”. A Folha até lembra que “em novembro passado, o STJ recebeu pedido de abertura de inquérito contra Alckmin pela suposta prática de caixa dois em 2010 e 2014. Ele foi acusado de ter recebido, no total, R$ 10,3 milhões sem declarar”.

O caso escabroso tramitava em segredo de Justiça e seguia abafado pela mídia chapa-branca. Logo após a delação da Odebrecht, o governador acelerou os gastos em publicidade na imprensa. Uma notinha da mesma Folha registrou esta generosidade. “Potencial candidato a presidente, Geraldo Alckmin vai concentrar os gastos com publicidade do Estado no primeiro semestre deste ano, de olho na eleição presidencial de 2018. Ele reservou R$ 101 milhões nos dois primeiros bimestres do ano na rubrica ‘comunicação social’. A maior parte desses recursos deverá ser usada já no primeiro semestre... O montante poderá ser aumentado ou diminuído no decorrer do ano. Se mantido, corresponderá a 12% a mais do que o gasto no ano passado, cerca de R$ 90 milhões”.

Agora, porém, a sinistra história do cunhado voltou à tona, como bem avisou o “prefake turista”. A “bomba” pode bagunçar os planos eleitorais de Geraldo Alckmin. A conferir!

Altamiro Borges



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