17 de mar de 2018

Desembargadora baseou ‘denúncia’ contra Marielle em fake news; deputado do DEMo também


A fake news de que Marielle Franco era ligada ao Comando Vermelho, espalhada pela desembargadora Marília Castro Neves, está sendo repercutida por toda a extrema direita.

No Twitter, logo após a doutora Marília, o deputado Alberto Fraga, presidente do DEM no Distrito Federal e presidente da Frente Parlamentar de Segurança Pública, escreveu essa estupidez:

“Conheçam o novo mito da esquerda, Marielle Franco. Engravidou aos 16 anos, ex-exposa do Marcinho VP, usuária de maconha, defensora de facção rival e eleita pelo Comando Vermelho, exonerou recentemente 6 funcionários, mas quem a matou foi a PM”.

A fonte da turma é um áudio de WhatsApp, transferido depois para o YouTube e outras plataformas, de uma suposta “conversa vazada” entre traficantes do CV.

Sujeito não precisa ser muito inteligente para perceber que é mais falso que o umbigo de Adão.

O problema é o casamento da burrice com a má fé.





Desembargadora que atacou Marielle foi casada com procurador geral do RJ que nunca investigou Cabral, Picciani…

Marfan (esq), ex-marido da desembargadora Marília, com Cabral

Ela  
(reprodução do Facebook)
A desembargadora Marília Castro Neves, que acusou Marielle Franco de estar “engajada com bandidos”, foi casada com Marfan Martins Vieira, ex-procurador geral do MPRJ durante o governo Sérgio Cabral (ou seja, ele não “procurava” nada).

Marfan mantinha excelentes relações com Anthony Garotinho (PR).

No governo de Rosinha, ocupou o mesmo cargo por dois mandatos, 2005-2008.

Foi durante sua gestão que Marília, sua então mulher, à época procuradora de Justiça, tornou-se desembargadora, em dezembro de 2006.

Além de engavetar tudo de Garotinho e Cabral, Marfan arquivou inquérito contra Jorge Picciani que investigava o caso rumoroso do “gado superfaturado”.

A doutora Marília nunca ouviu falar de nada disso, evidentemente.



Glenn Greenwald diz que desembargadora Marília Castro Neves é um lixo e deve ser removida

Glenn Greenwald, Prêmio Pulitzer de Jornalismo, editor do The Intercept, desabafou no Twitter:



No DCM



Canalha do DEMo espalha calúnias sobre Marielle Franco


O deputado federal (sic) Alberto Fraga (DEMo-DF) é coronel da reserva da Polícia Militar do Distrito Federal. Desde a execução a tiros da vereadora pelo PSOL do Rio de Janeiro Marielle Franco, Fraga vem usando as redes sociais para espalhar calúnias sobre a falecida.

Fraga inventou que a moça, que não pode mais se defender, era ligada ao tráfico de drogas e que foi morta por contrariar bandidos. Além disso, também inventou que ela era ex-mulher de um traficante conhecido.
A vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) está sendo caluniada na internet. Enquanto muita gente lamenta a morte dela e tenta entender as circunstâncias do crime, outras pessoas começam a atacá-la e até, de certa forma, culpá-la pela morte.

A mensagem, com autoria anônima, se espalhou com muita força na internet. Mas será mesmo que Marielle Franco foi esposa do traficante Marcinho VP e engravidou dele aos 16 anos? A resposta é não. Para você entender tudo, vamos aos fatos.

Para começar, a mensagem tem algumas das principais características de boatos online: é vago, alarmista, tem erros de português. Só faltou o pedido de compartilhamento para “fechar o pacote”.

Eis os fatos: Marielle foi mãe aos 19 anos e não aos 16, como aponta a mensagem. Ou seja, a mensagem já começa com um erro.

O texto divulgado pelo deputado Alberto Fraga não especifica qual “Marcinho VP” (há dois traficantes famosos com esse nome) seria o ex-marido de Marielle.

Pessoas próximas à vereadora assassinada negam e explicam a farsa:

“Isso é um completo absurdo. Só pode ter sido escrito por alguém de muita má fé. Mas não tem nada a ver com os dois Marcinho VP”.

Para além da negativa, motivos “matemáticos” e “geográficos” que eliminam a hipótese do “casamento”.

Se estivermos falando de Márcio Amaro de Oliveira, traficante “dono” da favela Santa Marta, personagem do livro “Abusado” de Caco Barcellos e morto em 2003, não há muita lógica. A distância entre o Complexo da Maré (que Marielle se criou) e o Santa Marta é de 18 km. Seria difícil manter um casamento com essa distância. Márcio Amaro estava preso. Nos anos anteriores (como diz o livro de Barcellos) se refugiou longe do Rio (o que torna mais difícil ainda um relacionamento).

Se estivermos falando Márcio dos Santos Nepomuceno, a dificuldade de prisão é maior ainda. Ele era do Complexo do Alemão (distante 8 km da Maré). Porém, ele está preso desde 1997. Ou seja, não há como Marielle e Márcio do Santos terem sido “casados”. Ou, pelo menos, eles terem sido casados sem essa informação ter chegado à mídia.

Agora, se formos falar do deputado Alberto Fraga, aí há muita coisa confirmada a falar. Principalmente sobre o envolvimento dele com corrupção, conforme reportagem da Globo.




Fraga se tornou réu no Supremo Tribunal Federal, acusado do crime de concussão (cobrar vantagens indevidas em razão do cargo) quando era secretário de Transportes do Distrito Federal, no governo de José Roberto Arruda.

A Segunda Turma do STF recebeu de forma unânime a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. De acordo com o MP, entre julho e agosto de 2008, Fraga exigiu e recebeu 350 mil reais para confirmar a assinatura de contratos entre o governo do DF e uma cooperativa de transportes. Teria recebido os valores por intermédio de seu motorista, Afonso Andrade de Moura, também denunciado.

Esse indivíduo é só mais um da horda que vem tentando enlamear a memória de uma mulher admirada por todos os que a conheceram.

Eduardo Guimarães
No Blog da Cidadania



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