29 de mar de 2018

Bolsonaro, o incitador, simula “tiro” na cabeça de Lula


Os jornais não deram, mas recebi a foto (e verifiquei cuidadosamente a sincronia com o vídeo gravado de cima do palanque, num ângulo que não permite ver a cena inteira)onde hoje, na frente do Aeroporto de Curitiba, Jair Bolsonaro simula estar dando um tiro da cabeça de um “Lula” representado por um boneco, como você pode ver acima.

Menos de um dia depois de terem disparado quatro tiros contra os ônibus da caravana do ex-presidente ao Paraná, o gesto  não merece outro nome senão o de incitação ao crime.

Tratando-se de alguém que disputa o cargo de Presidente e de alguém que sugere a liberação geral das armas, a cena tem uma simbologia que autoriza a quem quiser achar que aqueles ou novos tiros contra Lula são o resultado da provocação explícita.

A cena se deu diante de ao menos uma centena de seus partidários, que gritavam “República de Curitiba”, expressão que se tornou símbolo da perseguição político-judicial a Lula, mas os jornais – todos presente ao local, não registram nem em imagens, nem no texto.

Ainda que abjeta, a imagem adverte sobre com quem se está lidando: um incitador ao crime.

Peritos em dissimulação, incitadores em flagrante

Nas redes sociais, agora sem que haja indignação, a extrema direita e seus arredores seguem o mesmo roteiro, já tradicional, de culpar a vítima da violência pela própria violência que sofreu.

O principal incitador desta violência, Jair Bolsonaro, não se sabe se e com que tipo de interação com a polícia paranaense, disse na noite passada que “está na cara que alguém deles deu os tiros” e disse que, hoje ou amanhã, a perícia o confirmará.

É impressionante o que fez a turma de Bolsonaro em matéria de repetição dos métodos usados no caso da vereadora Marielle Franco: difundir pelas redes sociais as mentiras e contar que se vá encontrar nas estruturas policiais quem se acumplicie a elas.

Tudo fica mais estranho porque, no Paraná, já houve o afastamento do primeiro delegado a tratar do caso e o próprio Governador do Estado, Beto Richa, apressou-se a dar palpites sobre ser “um fato isolado” e chama de “mentiroso” o policial que criticou a precariedade da polícia técnica.

No campo político, ocorre o mesmo, com gente como Eliane Cantanhêde dizendo que o atentado é inadmissível mas culpando a “agressividade” de Lula pelo fato.

Se isso fosse justificativa, a agressividade da matilha pró-Bolsonaro justificaria disparar contra eles?

As pistas estão sobrando por toda a parte, especialmente nas redes sociais, como demonstrou ontem Marcelo Auler. Gente que falava abertamente em armas e prelos para furar pneus dos ônibus devia estar na primeiralinha de apurações, mesmo que tenham sido apenas bravatas.

Fernando Brito
No Tijolaço

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