5 de mar de 2018

Barroso quebra sigilo de Temer e de coronel suspeito de ser laranja, diz revista

Brasília – Temer durante cerimônia de assinatura de decreto de intervenção federal na segurança do Rio
(Marcelo Camargo/Agência Brasil
A quebra do sigilo bancário de Michel Temer, no período de janeiro de 2013 a junho de 2017, pode contribuir para livrá-lo das suspeitas de favorecimento na elaboração da MP 595, a MP dos Portos.

Embora a decisão seja inédita e tenha sido tomada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF, possivelmente com o objetivo de demonstrar que a Lava Jato não perdoa ninguém, é improvável que Temer tenha recebido qualquer valor em sua conta bancária como contrapartida.

Barroso, segundo a revista Veja, também determinou a quebra do sigilo do ex-coronel da PM João Baptista Lima Filho, suspeito de ser “laranja” de Temer na posse da Fazenda Esmeralda, que fica nos municípios de Lucianópolis e Duartina, no interior de São Paulo.

No entanto, também é pouco provável que o coronel tenha feito movimentações bancárias em seu próprio nome envolvendo dinheiro ilícito.

De acordo com o delator Ricardo Saud, da JBS, o coronel recebeu na sede de sua empresa, a Argeplan, em São Paulo, R$ 1 milhão em dinheiro vivo, valor que teria sido desviado por Temer da campanha de 2014.

Rocha Loures, outro que teve o sigilo bancário quebrado, é tido como o “homem da mala” de Temer, o que evidencia que o trânsito de dinheiro do grupo não era feito formalmente, pelo sistema financeiro.

Quanto aos dirigentes da Rodrimar, a empresa é suspeita de ter financiado campanhas de Temer a deputado federal, mas muito antes do atual inquérito.


O dano para Michel Temer será, acima de tudo, político, num momento em que ele considera a possibilidade de disputar as eleições de 2018 — o inquérito sobre a MP dos Portos foi prorrogado por 60 dias.

Foi a revista Veja quem noticiou a decisão de Barroso:

Barroso determina quebra de sigilo bancário de Temer

Decisão do ministro do STF abre ainda os dados financeiros de João Baptista Lima Filho, José Yunes e Rodrigo da Rocha Loures, todos ligados ao presidente


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso determinou o afastamento do sigilo bancário do presidente Michel Temer (MDB) no âmbito do inquérito que investiga irregularidades na elaboração da Medida Provisória 595, conhecida como a MP dos Portos.

A quebra abrange o período de 1º de janeiro de 2013 a 30 de junho de 2017. É a primeira vez que um presidente no exercício do mandato tem os seus dados financeiros abertos por ordem judicial.

A decisão data do dia 27 de fevereiro. O Banco Central já distribuiu ofício em que comunica a decisão às instituições financeiras e pede providências.

O ministro autorizou ainda o levantamento do sigilo bancário de João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, José Yunes, Rodrigo da Rocha Loures — todos ex-assessores do presidente — Antonio Celso Grecco e Ricardo Mesquita, estes últimos, respectivamente, dono e executivo da Rodrimar.

Temer é investigado pela suspeita de ter agido para favorecer a empresa no Porto de Santos por meio do texto da MP 595.

O presidente nega que tenha cometido qualquer irregularidade.

No mês passado, o então diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, indicou em entrevista que o inquérito dos portos poderia ser arquivado. A declaração resultou em um pedido de explicações por parte de Barroso, relator do caso no STF, e provocou uma crise dentro da corporação, que culminou com a demissão de Segovia na semana passada.

No Viomundo

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