13 de fev de 2018

Vai dar PT? Leilane...

Quando a opinião pública muda de lado – você não sente, não vê; mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo, que uma nova mudança, em breve, vai acontecer.


Toda mudança comportamental começa antes no imaginário, às vezes inapercebida, antes de torna-se concreta. Mesmo para o inconsciente coletivo.

Nas eleições de 1974, quando era claro que a luta armada não derrubaria a ditadura – ao contrário – tornou-se fato que algo silenciosamente havia mudado no inconsciente do brasileiro. Acabara o apoio popular à Ditadura de 64 manifestado nas eleições de 1970; fruto do tricampeonato de futebol – só quem estava lá sabe o que foi aquilo – e do “milagre econômico”. A ARENA – o partido da ditadura – foi derrotado inapelavelmente. Fez seis senadores contra quatorze eleitos pelo MDB de então – o partido da oposição.

A ditadura ainda duraria mais onze anos; haveria assassinatos e mesmo massacres – mais ou menos clandestinos; haveria casuísmos como o Pacote de Abril de 1977 e a Lei Falcão, mas a Ditadura começara a acabar naquela eleição de 1974. Jamais recuperaria o discurso junto à opinião pública.

Essa característica das mudanças comportamentais veio me à mente frente aos acontecimentos das últimas semanas e, principalmente, deste Carnaval.

Algo parece ter mudado na opinião pública geral em relação ao Golpe de 2016.

A rejeição generalizada à reforma da previdência – ainda que talvez somente uma minoria tenha estudado o seu conteúdo. A forma como foi fácil carimbar na testa do Judiciário a marca de “privilégio” em relação ao auxílio moradia– e nas testas coroadas de Moro e Bretas. Apoiadores de ontem, hoje viraram piadas.

manifestoches

E agora, o modo como alinhou-se ao imaginário popular esse desfile da Paraíso do Tuiuti e seus patos e camisas amarelos – manifestoches e vampiro neoliberalista.

vampiro

Não parece haver dúvidas – algo mudou em relação ao Golpe de 2016. A população geral – formada por pessoas comuns e não militantes – passou para a oposição.

Lula será liberado para concorrer? Muito provavelmente não. Lula poderá ser preso ainda? Provavelmente não, mas é uma possibilidade.

Ocorre que se realmente a virada se deu, esses acontecimentos, por traumáticos que sejam, não alteram mais o resultado. A oposição ganhará as eleições.

Mas quem é a oposição?

Bolsonaro é oposição.

Alckmin não é oposição. Doria não existe mais – o affair com Zeca Pagodinho foi a gota d’água. Tornou-se tão ridículo quanto Temer.

doria e pagodinho

Tristezas de carnaval – o que sobrou para o Golpe de 2016? Cara de palhaço, pinta de palhaço, roupa de palhaço – será este o amargo fim do Carnaval do Golpe?

E Huck – é oposição?

Vai ter de se fantasiar de oposição, se quiser ter chance. Vai conseguir? Tem os roteiristas da Globo a seu favor – eles são espertos em virar o personagem segundo as necessidades de IBOPE da novela. Mas, se a população o identificar com o governo Temer – nem assim  tem chance.

Ainda mais agora que Huck está cheio de dúvidas e tendo que passar para a defensiva. Essa história do jatinho financiado a juros subsidiados – furo do grande jornalista Fernando Brito do blog Tijolaço que a grande mídia teve que repercutir – pode ser para Huck o que o aeroporto de Claudio foi para Aécio. Algo que precisa ser escondido – porque mata o discurso.

Empreendedorismo com financiamento de BNDES a juros de 3% ao ano, quando o povo paga mais de 300% no cartão de crédito, não é algo fácil de defender. É o “auxílio moradia” do Huck. E o povo não está para auxílio de nenhum tipo.

E o PT? O PT é oposição.

E talvez essa seja a grande notícia para a esquerda – se é que a esquerda percebeu. Um PT lavado e enxaguado no mar de lama recuperando o discurso da ética e da justiça social? Será possível?

Basta ver a reação à música ”Vai dar P-T”. Não poderia ter vindo em melhor hora.


vai dar pt
Nada tem a ver com o Partido dos Trabalhadores, mas foi o suficiente para desconcertar jornalista experimentada da Globo. E, no Youtube, parece que o pessoal também entendeu assim.

globo carnaval

E quando até o pessoal do funk ostentação está dizendo que vai dar PT é porque realmente a opinião pública geral virou.

Sérgio Saraiva
No Oficina de Concertos Gerais e Poesia



Por que Leilane Neubarth acusou o golpe ao ser criticada por Leonardo Boff



Leilane Neubarth ficou chateada com a provocação de Leonardo Boff.

“Com é que os jornalistas homens e as jornalistas mulheres da Globo estão suportando tanto constrangimento do que se viu e ouviu no Carnaval? É duro ter que assumir a ideologia retrógrada do Grupo Globo. Tenho pena da Leilane Neubarth”, escreveu Boff no Twitter.

Ela acusou o golpe.

“Com todo respeito, guarde sua pena para as pessoas que passam necessidade ou precisam da sua ajuda. Eu sou uma profissional realizada, uma mãe feliz e uma mulher muito amada”, listou.

Um vídeo de Leilane viralizou no Carnaval.

Ela aparece à frente de um grupo de músicos, numa transmissão caótica. Eles cantam o refrão de “Vai dar PT”, de Léo Santana, hit do verão.

PT é “perda total”, mas ganhou outra conotação óbvia por causa daquele momento e daquela apresentadora.

Leilane afirma que não percebeu o que acontecia ali. Provavelmente, é verdade. Leilane não percebe muita coisa.

Ela estava numa tal Casa Bloco, tentando se virar ao vivo. Acabou pedindo desculpas pela zona.

“Queria me redimir, se eu pudesse eu ficaria de joelhos. Eu cometi uma gafe gravíssima e vou corrigir”, escreveu nas redes.

Leilane não é sem noção apenas durante a folia. No estúdio é a mesma coisa.

Ela pena para ler o teleprompter com notícias que mal compreende. Quando o assunto é, digamos, FMI, sua cara estampa a ignorância.

É comum dar pitacos, todos no nível pedestre do “aí fica difícil, gente”.

Leilane é o triunfo do esforço e da obstinação, não do brilho intelectual.

É pau para toda obra: aos 59 anos, com mais de duas décadas de casa, fica em meio a um monte de gente bêbada, vendendo uma felicidade compulsória numa festa que não é dela.

Teria escolha? Poderia ficar no aconchego de seu lar? Não sabemos.

Leilane acaba apanhando por personificar a odiada emissora em que trabalha. Ela não é o Merval ou a Cristiana Lôbo. Não é o Waack. Ela é um Cid Moreira.

Por isso a bofetada de Boff doeu-lhe. Leilane não estava perdida apenas naquela transmissão. Ela vive assim, surfando nessa nuvem de desinformação mascada, dando suas cacetadas.

Ela não tem “ideologia”. É para isso que a Globo lhe paga. E o fato de ela fingir não saber disso é fundamental para que continue encantando as plateias da GloboNews.

O único problema é que tem um preço. E não é barato.



Kiko Nogueira
No DCM

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