25 de fev de 2018

O espetáculo global é “barriga” ou denúncia?


Cumprindo sua missão de espetacularizar o que deveria ser coisa séria, O Globo hoje dá manchete a um monte de bobagens envolvendo o uso de forças especiais do Exército Brasileiro, que imaginam como “Seals”, os “comandos” do exército americano.

E se não é bobagem, antes fosse, porque do contrário seria colocar o Exército Brasileiro em missões secretas de extermínio.

Admitamos, porém, que estas forças “secretas” estejam sendo empregadas, como diz o jornal, com todo o aparato bélico que lhe atribui, para missões de reconhecimento e definição de alvos e das abordagens que eles terão.

Os “rambos”, diz o jornal, subiriam à noite os morros portando mochilas com até 35 kg de armamentos, granadas, munições e explosivos diversos. Mais o fuzil, o capacete e o colete à prova de balas (nos níveis 3 ou 4, para resistirem a munição pesada), tem-se que o desafortunado Stallone andará morro acima, em trilhas e vielas, carregando 50 quilos.  Um saco de cimento, portanto.

Que deslocamento, que agilidade, que capacidade de reação veloz ao perigo!

Pelo amor de deus, será que não têm respeito pela inteligência dos leitores ou dos planejadores de ação?

E metralhadora .50? Calibre para perfurar blindados, embora não se tenha notícias de blindados entre o inimigo.

trovaoNem mesmo nova a apelação é.

Em 2007 o mesmo O Globo dava manchete e fotos para o inspetor Leonardo da Silva Torres, o “Trovão”, que fumava charutos e gabava-se de ter morto 19 em um só dia. Ele aparecia, em outros jornais, , numa viela juncada de corpos, trajando uma indumentária cenográfica igual, inclusive os mesmos alegados 35 kg na mochila, como você vê na imagem ao lado.

Quatro anos depois, “Trovão”estava preso por negociar fuzis e receber propina do tráfico, em troca de serviços e informações.

“Trovão” estava apenas repetindo, em atos, o que ouvia dele dizerem: era um herói de guerra, diante do território hostil e do inimigo morto. Tinha direito ao butim, como reflete hoje Nilo Batista em seu artigo no JB.

Supondo, como se espera, que o Exército não esteja enviando missões noturnas de extermínio e que a “barriga” de O Globo seja apenas devaneio de jornalistas embasbacados, loucos para serem “correspondentes de guerra” à distância de um táxi de suas vidinhas normais e das baladas de final de semana. a manchete deveria ser um alerta aos chefes militares responsáveis pela ação militar no Rio de Janeiro.

Se não desmentida e condenada, é um apelo à “rambização” das tropas e à ambição de qualquer tenente em ser “Trovão”.

Fernando Brito
No Tijolaço

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