28 de fev de 2018

Limites e desatenções de Raquel Dodge


Não se deve culpar a Procuradora Geral da República (PGR) por todos os pecados da Lava Jato.

Por exemplo:

1. Livrou o governador paulista Geraldo Alckmin de uma denúncia por escutas ilegais nos presídios. Alckmin foi envolvido por ser o chefe maior, o governador do Estado. Forçaram a barra, obviamente.

2. Não endossou o pedido da Polícia Federal de quebra de sigilo bancário de Michel Temer.

Está certa, ela. Golpista, chefe de organização criminosa, ou qualquer outra qualificação que se lhe dê, o fato é que Temer é presidente da República. Permitir a quebra de sigilo bancário de um presidente da República é conferir um poder abusivo à PF.

E fica-se nisso.
  1. Nenhuma atitude contra vazamentos que continuam ocorrendo.
  2. Nenhuma atitude mais drástica contra políticos tucanos. É vergonhoso que as informações sobre Paulo Preto tenham vindo espontaneamente da Suíça e até hoje ele não tenha sido incomodado.
  3. Nenhuma medida contra outros operadores públicos do PSDB, como Márcio Fortes e Ronaldo César Coelho.
  4. Nenhuma tentativa de abrir as contas de Verônica Serra, sabendo que um dos MO do pai consistia em lavar dinheiro através de seu fundo de investimento.
Está certo que a maior blindagem aos tucanos seja do seu principal amigo no STF (Supremo Tribunal Federal), o tal algoritmo, que joga todas seus casos para o mesmo Ministro Gilmar Mendes. Foram premiados sucessivamente Aécio Neves, Aloysio Nunes, José Serra e Cássio Cunha Lima.

De qualquer modo, Dodge comporta-se como seu antecessor, Rodrigo Janot, como caudatária da Lava Jato, o grupo constituído por juízes, procuradores, delegados e jornalistas.

Em um momento único na redemocratização, com intervenção militar, abusos de toda ordem, parcialidade, justiçamento, Raquel Dodge caminha para se tornar uma PGR irrelevante.



Raquel Dodge e a coragem de chutar a mãe do cachorro morto


Não se pode acusar a Procuradora Geral da República Raquel Dodge de falta de discernimento criminal. Ela é de uma acuidade assustadora, de um entusiasmo pela punição sem risco pessoal à altura dos mais jovens procuradores da República.

Ela descobriu que dois funcionários da Câmara, lotados no gabinete do ex-deputado Geddel Vieira Lima, mas alocados em Salvador, prestavam serviços à sua mãe, Marluce Vieira Lima. Imediatamente, matou a charada:

- A acusada e seu filho Lúcio Quadros Vieira Lima dão perenidade a uma realidade criminosa e lesiva à moralidade e aos cofres públicos que precisa ser freada pela imposição de uma medida cautelar.

E toca a pedir prisão domiciliar para a matrona. Fantástica Raquel! Além da enorme coragem de chutar cachorro morto, agora chuta também a mãe do cachorro morto e demonstra para seus pupilos que procurador bom é o procurador implacável, que transforma qualquer ilícito em crime grave.

Foi tão descabido o pedido que até resultou em uma resposta de bom senso do neo-implacável Luiz Edson Fachin.

Disse ele: “A descoberta de indícios de prática de outros crimes de lavagem de dinheiro, desprovidos de qualquer notícia de contemporaneidade que sugira a ocorrência de reiteração delitiva a ser enfrentada com a imposição de medidas cautelares, não autoriza, por si só, o deferimento da pretensão ministerial. Por tais razões, indefiro o pedido”.

Agora que Raquel Dodge comprovou que não tem medo de nada, que nada a intimida, nem a idade da pessoa que quer mandar para a prisão, teremos boas novidades, como a prisão de Paulo Preto, de Dimas Toledo, a abertura das contas pessoas de Verônica Serra.

Ou não?

Luís Nassif
No GGN

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