15 de fev de 2018

Ideia de que, sem Lula, PT só conta com Wagner e Haddad reduz realidade do partido

A ideia de que o PT, caso Lula não concorra, só conta com Jaques Wagner e Fernando Haddad com alguma viabilidade eleitoral, reduz a realidade do partido e do sentimento de discriminação que o fere. Os dois jamais endossaram a hipótese, até negando-a. Na verdade, foram lançados pela imprensa, em precipitação talvez induzida como prevenção contra nomes de desagrado ainda maior do empresariado dominante.

Haddad e Wagner têm experiência política e administrativa, são reconhecidos como democratas, de convivência fácil. Nos respectivos cargos de prefeito paulistano e de governador da Bahia, praticaram a atenção ao interesse público. A vida de governante foi mais fácil para Wagner, cercado por baianos, do que para Haddad, em tudo dificultado pela ganância e pela volta do mercenarismo patrocinado pela Fiesp e outras entidades e empresários enriquecidos por mãos do Estado.

Por muitas razões, o investimento do conservadorismo em Wagner e Haddad, para eventual candidatura da oposição petista, foi lúcida e hábil. Mas o inconformismo petista, inclusive com o PT, ocupa grande espaço. Nesse território, Wagner e Haddad são vistos como pouco afeitos ao jogo pesado imposto pelo conservadorismo, se ocorrer outro governo aplicado na redução das desigualdades sociais e econômicas. O mesmo quando se tratasse da riqueza nacional, como a entrega do pré-sal e o desmanche ou privatização da Petrobras.

Além disso, a recuperação das teses e propostas do PT-de-origem é vista, por número crescente, não só como essencial ao país e aos petistas, mas também como porta principal para a proximidade orgânica com partidos e movimentos de esquerda autêntica. O que logo destaca o PSOL, onde estão vários petistas da origem. Uma tal política, é claro, só pode ser desenvolvida por portadores dessas concepções, que, tanto quanto propostas, são também de autocrítica.

São as propostas que se colhem nas falas frequentes de Lula pelo país afora. Para as quais há dois possíveis nomes, pode ser que surpreendentes, mas com o figurino apropriado. Ambos experimentados no trabalho com massas, discurso não lhes falta. Ambos dotados de raro senso de equilíbrio entre avanço e limite, o que é o mais precioso saber na política verdadeira. E, em princípio, capazes de transferir para a condição de candidato a compreensão ou a simpatia que sua ação recebe em diferentes níveis da população.

João Pedro Stedile é economista formado pela PUC-RS, com pós-graduação na Universidade Nacional do México. Muito inteligente, calmo, discreto. Guilherme Boulos, ainda sem partido, é filho de professor universitário e professor ele também. Com formação em psicanálise, tem boa base cultural e liderança fácil, já mostrada no Movimento dos Sem-Teto. São cabeças organizadas, quanto aos preceitos e conclusões de cada um. E iguais como alvos do misto de pânico e ódio do empresariado dominante.

Mas o PT não fala em Jaques Wagner e Fernando Haddad. Nem em João Pedro Stedile e Guilherme Boulos -o que nada quer dizer.

Janio de Freitas
No fAlha

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