6 de fev de 2018

Geddel, aquele dos R$ 51 milhões, diz que foi lançado “no vale dos leprosos”

Em audiência, o ex-ministro de Temer negou acusações de tentar barrar delação de operador de PMDB e disse que já está "condenado à morte civil".

Ex-ministro do governo Temer, Geddel Vieira Lima disse nesta terça-feira (6) que foi lançado aos “vale dos leprosos” e foi condenado à morte após ter sido preso no ano passado por conta do bunker de R$ 51 milhões.

Mais magro e vestido de branco, ele pediu para que o vídeo da audiência não fosse passado à imprensa – no último, ele chorou. O juiz Vallisney de Oliveira acatou.

Uma das principais provas no processo são extratos de ligações telefônicas que ele fez para a mulher de Funaro, enquanto ele estava preso. Na agenda dela, Geddel era apelidado de “Carainho”.

Em seu depoimento, Geddel negou as acusações e disse que já está "condenado à morte civil". O ex-ministro não falou explicitamente sobre os R$ 51 milhões (isso é investigado em outro processo), mas comentou sobre o dia da prisão. Ele ficou com a voz embargada nesse momento da audiência.

“Eu já fui condenado a pior das penas. Não há remissão, não há indulto, não há anistia, não há graça. Fui condenado à morte civil. As conversas que se tinha sobre Funaro eram as mesmas que se tinha sobre José Dirceu e qualquer pessoa que estivesse nesse redemoinho de notícias."

Em outro momento, sem citar nomes, Geddel disse que foi “lançado ao vale dos leprosos”.

Os ladrões
Geddel afirmou que as ligações para a mulher de Funaro eram "humanitárias", para levar conforto à família. Ele disse, ainda, que era amigo de Funaro, a quem ele chamou de pessoa “agrádavel”, mas que nunca fizeram negócios juntos.

Já Funaro, em sua delação, disse que entregava malas de dinheiro a Geddel.

“Lúcio é uma pessoa agradável. Eu estava liberado conversar com todo mundo por parte da Justiça. Eram ligações absolutamente humanitárias [para a mulher de Funaro]. Eu dizia que isso ia passar”, disse o ex-ministro.

Geddel aproveitou o depoimento para contar uma fábula. “Havia uma pessoa especial, de sensibilidade, que entregou dois envelopes a outra pessoa. Ele guardou e abriu o primeiro envelope quando tudo estivesse bem. O envelope dizia: 'isso vai passar'. Depois a pessoa abriu o segundo envelope no pior momento da vida. E o envelope dizia: 'isso também vai passar'. Era isso que eu conversava com ela”, disse o ex-ministro.

Na mesma audiência, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) elogiou Geddel. Ele foi testemunha de defesa. “Conheço Geddel desde quando cheguei em Brasília em 1995. Fomos deputados juntos até 2010. Sempre tive nele uma pessoa correta, que cumpria com suas obrigações”, disse.

Filipe Coutinho

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