28 de fev de 2018

Ex-dirigente do Flamengo é sócio de Jorge Picciani. Empresa está citada na Lava Jato por lavagem de dinheiro e corrupção


O empresário e ex-dirigente do Flamengo Plínio Serpa Pinto é sócio de Jorge Picciani. O laço é através de uma mineradora, a Empresa de Mineração Coromandel ltda, registrada em 5 de dezembro de 2012 e citada na “Operação Cadeia Velha” por lavagem de dinheiro e corrupção.
A abertura da mineradora se deu seis meses depois do cartola receber R$ 500 mil reais em espécie por parte da Odebrecht Realizações Imobiliárias, sem que a quantia tenha sido declarada. O pagamento está citado na Operação Lava Jato em delação premiada de Antônio Pessoa de Souza Couto, então diretor da Odebrecht.

De acordo com a colaboração, o pagamento teria sido relativo a intermediação na venda de apartamentos de empreedimento imobiliário da Odebebrecht em Niterói. Plínio é sócio da Brasil Brokers/Niterói, majoritária no mercado imobiliário daquela cidade.


A Coromandel teve suas transações devassadas pelo COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras-Receita Federal), que apontou transações atípicas. A denúncia da Força Tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal-RJ aponta ainda para o fato do capital social da Coromandel ter passado de R$ 62.200,00 (sessenta e dois mil e duzentos reais) para R$ 27.194. 300,00 (vinte e sete milhões, cento e noventa e quatro mil reais e trezentos mil).

A sociedade de Jorge Picciani e Plínio Serpa Pinto teve R$ 154.460.000,00 (cento e cinquenta e quatro milhões e quatrocentos e sessenta mil reais) bloqueados (ver quadro abaixo) pela justiça pela participação nos atos da organização criminosa, como está na denúncia: “assim, mostra-se necessária e urgente a decretação de ordem judicial para determinar o bloqueio dos ativos em nomes dos representados, incluindo pessoas jurídicas vinculadas diretamente envolvidas nos atos de corrupção e as que se relacionam com a lavagem de ativos”


Jorge Picciani foi preso na “Operação Cadeia Velha” em 14 de novembro de 2017, por uso da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ) para prática de corrupção, associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Juntos com os deputados estaduais Edson Albertassi e Paulo Melo, presos também na ocasião, foi acusado de favorecimento de empresários do setor de transporte público e de empreiteiras em troca de propina. Na operação foi preso também Carlos César da Costa Pereira, dono da Artsul Tubos e Concretos e sócio no time Artsul Futebol Clube (ver reportagem sobre o tema no site)

O ex-presidente da Alerj chegou a ser solto no dia seguinte, em votação da própria Alerj, mas logo em seguida o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) determinou nova prisão, já que a Alerj não teria esse poder.

As ligações de Jorge Picciani com a Odebrecht foram estreitas, de acordo com a denúncia da Força-Tarefa da Operação Lava Jato do Rio. Mais de R$ 11 milhões de propina foram pagos ao ex-presidente da Alerj pela empreiteira, que chegou a receber isenção fiscal através de um projeto de lei que a própria empresa enviou já redigido e pronto para o político, como foi descoberto na apreensão de documentos na operação.

Na empresa de mineração, Plínio Serpa Pinto é sócio, além do próprio Jorge Picciani e de Carlos César, dos filhos do ex-líder da Alerj: Rafael (deputado estadual), Felipe (preso com o pai) e Leonardo (Ministro dos Esportes). A ex-mulher de Picciani, Marcia Cristina Carneiro Monteiro também consta da sociedade.

Na relação de sócios de Plínio e Picciani na empresa também consta a Serramar Empreendimentos e Participações, que tem como sócio o prefeito de Itaguaí, Carlo Bussatto Júnior (PMDB), o Charlinho, condenado a 14 anos de prisão pelos crimes de fraude em licitação, corrupção passiva e associação criminosa, mas que no entanto segue em liberdade e no exercício da prefeitura. A condenação mais conhecida dos casos de Charlinho é o crime na compra superfaturada de ambulâncias, conhecido como “Máfia das Sanguessugas”. Também constam na Serramar uma das filhas de Charlinho, Bruna Bussato, diretora da Alerj com Picciani.

Outro sócio da Coromandel é a Alambari Empreendimentos, que tem entre os sócios Hérica Cristina Gonçalves e Esmeraldina Traça, mulher e mãe de Marcelo Traça, empresário de ônibus agora delator do esquema da caixinha da máfia dos ônibus.

Plínio Serpa Pinto chegou ao Flamengo pelas mãos de Kléber Leite e voltou a ter força com o atual presidente Bandeira de Mello

Plínio Serpa Pinto entrou na política do Flamengo pelas mãos de seu mentor no futebol, Kléber Leite. Foi relator e presidente da Comissão de Finanças do Conselho de Administração e vice-presidente de futebol e todo-poderoso do departamento nos anos de Kleber Leite, entre 1995 e 1998, época que notabilizou pela abundância em transação de jogadores. Ao fim de 1996, com 22 meses de gestão, o Flamengo já havia feito 45 transações de jogadores. Hoje, Kléber Leite está envolvido no escândalo da Fifa, sendo citado em diversas reportagens como o Co-conspirador 6.

Em 2009, Plínio Serpa Pinto chegou a ser candidato à presidência do clube. Na gestão de Bandeira de Mello voltou a ter poder no Flamengo, estando muito próximo ao presidente e ocupando a vice-presidência de gabinete da presidência, se afastando apenas pouco antes do escândalo explodir, alegando razões médicas.

Outro lado:

A reportagem enviou uma série de perguntas para Plínio Serpa Pinto. Por e-mail, o empresário e ex-dirigente do Flamengo respondeu: “Peço desculpas mas não tenho nada a declarar”.

Lúcio de Castro
No SportLight

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