17 de fev de 2018

Evangélicos são usados pela CIA em países com população inculta


Em 1953, a CIA tinha um problema. Precisava se livrar de líderes cujos países não tinham televisões e existia apenas um rádio para cada 50 pessoas. Como começar uma revolta popular na Guatemala, por exemplo?

A imensa maioria das pessoas era analfabeta, então jogar panfletos não iria funcionar. Rádio e Televisão não existiam e o país era grato a Jacobo Arbenz que levava a cabo a primeira reforma agrária e leis de proteção ao trabalho.

Havia, entretanto, um arcebisbo na Guatemala, chamado Mariano Rossell y Arellano, que tinha inclinações fascistas. O problema é que não se tinha muito contato com ele. Então a CIA mobilizou o Cardeal Francis Spellman de Nova Yorque. Em menos de 30 dias após os contatos, TODAS as dioceses da Guatemala leram uma carta pastoral conclamando um levante "anticomunista" contra o presidente. TODAS no mesmo dia e nos dias subsequentes. Em todas as missas.

No Vietnam, eles tinham o mesmo problema. População iletrada e sem meios de comunicação de massas. A CIA pagou curandeiros e feiticeiros a fazerem "previsões" sobre as pragas que cairiam sobre Ho-Chi-Min (líder comunista do norte), incitando a população a fugir em direção ao sul.

Na mesma época, foi detectado um imenso movimento de sindicalização de trabalhadores portuários na Itália. Trabalhadores pobres, sem muita instrução que acabavam se sindicalizando e aumentando a força dos anarquistas e comunistas italianos. A CIA financiou, apoiou e inclusive recebeu líderes das máfias nos EUA. Desde que eles acabassem com os "sindicatos" teriam um local para se refugiarem em caso de "problemas" na Itália.

No Oriente Médio, o movimento nacionalista e laico parecia se aproximar dos soviéticos. A CIA financiou e apoiou os regimes autoritários religiosos como na Arábia Saudita e derrubou o laicismo com Mossadegh.

O grande problema era como fazer a mensagem chegar nas populações pobres? Era preciso evitar a Igreja católica, pois se é verdade que alguns dos seus membros eram totalmente fascistas, era uma instituição sólida e com um lastro de intelectualidade não desprezível.

Era preciso criar uma "religião" nova. Que unisse o amor pelo dinheiro, a falta de moral qualquer e que fosse cristã, para se opor ao ateísmo comunista. Uma religião em que os chefes não tivessem muito conhecimento do que pregam ou qualquer força moral, para questionarem o que faziam. Uma nova religião em que os líderes pudessem ser tão afeitos ao "ao vil metal" que o suborno fosse visto como uma coisa normal, uma "oferta". Uma religião em que o apelo aos mais pobres viesse do irracional e do medo. Que fosse descentralizada e, por isto, mais baratas em seus preços para veicular determinadas mensagens em determinados momentos...

Não é estranho que "Deus" ordene que seus pastores ajam como débeis mentais somente em países com pouca escolaridade? Que os demônios apareçam, babem, gritem, pulem e revirem os olhos sempre em localidades com imensa maioria de pessoas sem o ensino médio completo? A França ou a Holanda são locais que os demônios não gostam?



Fernando Horta
No Esquerda Caviar

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