20 de fev de 2018

Defensor da democracia na Venezuela, El Pais se cala diante da prisão de rapper na Espanha

Supremo espanhol confirmou a condenação de músico maiorquino a três anos e meio de prisão por cantar que "os Bourbons são ladrões"


O Supremo espanhol confirmou hoje a condenação de um rapper a três anos e meio de prisão por supostamente “incitar o terrorismo” e “injuriar a coroa” com suas canções. O “crime” do músico maiorquino Josep Miquel Arenas Beltrán, conhecido como Valtònyc, foi rimar coisas como “los Borbones son unos ladrones” (os Bourbons são uns ladrões), “el rey tiene una cita en la plaza del pueblo, una soga al cuello y que le caiga el peso de la ley” (o rei tem um encontro na praça do povo, uma corda no pescoço e que lhe caia o peso da lei), “el rey y sus movidas, no sé si cazaba elefantes o se iba de putas” (o rei e suas viagens, não sei se caçava elefantes ou ia atrás de putas) e “hagamos que Urdangarin curre en un Burger King y la infanta Elena pida disculpas por ser analfabeta y no estudiar en Cuba” (façamos com que Urgandarin trabalhe no Burger King e a infanta Elena peça desculpas por ser analfabeta e não estudar em Cuba).



O rapper anunciou no twitter que estava indo para a prisão. Enquanto isso, um dos personagens das canções censuradas, Iñaki Urgandarin, genro do rei Juan Carlos e cunhado do atual rei Felipe, que foi condenado no ano passado a seis anos de prisão por diversos delitos de corrupção, continua solto aguardando o julgamento do Supremo.
Os juízes rejeitaram os argumentos do rapper de 24 anos em seu recurso, em que dizia que era só “um poeta” usando metáforas e exercendo seu direito à liberdade de expressão e criação artística, e que nunca quis ofender ou ameaçar ninguém, mas apenas seguir um estilo musical que se caracteriza pelas letras “provocadoras”. Na sentença, o tribunal rebateu dizendo que as mensagens contidas nas canções “têm um indubitável conteúdo laudatório das organizações terroristas GRAPO e ETA e de seus membros” e estabeleceu que a liberdade de expressão tem “um caráter limitado”.
Cada vez mais monarquista e ligado ao mercado financeiro (é conhecido na Espanha como “o jornal da banca”), o El Pais não reconhece a censura e o arbítrio quando praticados em seu próprio quintal. Já o concorrente Público mostrou que a condenação do rapper foi maior que a de 10 casos de corrupção
O rapper foi denunciado em 2012 por Jorge Campos, político de extrema-direita que acaba de anunciar perseguições ao idioma catalão nas ilhas Baleares como represália à tentativa de independência da comunidade autônoma. Em suas letras, Valtònyc dizia que Campos “merece um bomba de destruição nuclear”. O Supremo interpretou as canções como “ameaça de morte” e condenou Valtonyc a pagar 3 mil euros ao político.

Coincidência ou não, a condenação do músico sai pouco mais de um mês depois da “notícia” de que teria doado 32 mil euros aos separatistas catalães. No final, o próprio Valtonyc revelou que era uma pegadinha para mostrar como a imprensa espanhola nem sequer checa o que publica, bastando ter as palavras “Venezuela” e “Catalunha” para ser considerado verdade.
O que dizer do El Pais, tão cioso da democracia na Venezuela? O jornal não publicou nem uma crítica sequer à prisão do rapper, ao contrário do concorrente Público, que mostrou que a condenação foi maior do que a de 10 casos de corrupção no país. Cada vez mais monarquista e ligado ao mercado financeiro (é conhecido na Espanha como “o jornal da banca”), o El Pais não reconhece a censura e o arbítrio quando praticados em seu próprio quintal. E não é a primeira vez que a Justiça espanhola leva à cadeia alguém por “delito de opinião”: em março do ano passado, uma tuiteira de 21 anos foi condenada a um ano de prisão por ter feito piadas na rede social sobre o atentado terrorista contra Carrero Blanco, apontado como sucessor do ditador Franco, como todo mundo faz por lá.

Ah, se fosse Maduro…

No Socialista Morena

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