3 de fev de 2018

Cristiane Brasil e a auto-afirmação hipócrita do aparato repressor


Por todos os ângulos que se procure, Cristiane Brasil é a outsider do Sistema. Ignorante, deslumbrada, sem noção, frequentadora de sites de namoro, nos quais esconde a idade, filha de um dos vilões preferenciais da República. É até possível que tenha alguma qualidade, mas tão escondida debaixo de toneladas de vulgaridade, que ninguém até hoje identificou. E, depois do vídeo com os marombados depilados, tornou-se única, mesmo naquele zoológico chamado de Câmara Federal.

Por isso mesmo é o personagem preferencial da hipocrisia fascista.

A perseguição que está sendo alvo é indecente, covarde, hipócrita. Em um governo que tem Michel Temer, Eliseu Padilha, Moreira Franco, no qual estatais torram dinheiro público contratando consultorias estrangeiras para apurar desvios inferiores ao cachê combinado com elas, Cristiane Brasil tornou-se o esporte preferido da hipocrisia repressora. É a peça que mostra que, apesar de entronizar Temer na presidência, de livrar José Serra e Aécio Neves, de livrar Aloysio e Jucá, a Justiça mostra sua face poderosa, malhando Cristiane Brasil.

O último lance foi desengavetar denúncia de 2010, no Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, segundo a qual ela teria pago traficantes para garantir votos em determinada região.

Se era fato grave, deveria ter sido apurado faz tempo. Desengavetá-lo apenas porque é a bola da vez demonstra a hipocrisia do sistema repressor.

Da mesma maneira, permitir que uma juíza de 1ª instância proíba o presidente da República de nomear um Ministro é uma invasão de competência injustificável. O escândalo não está na nomeação de Cristiane Brasil, mas na assunção da organização criminosa ao poder, com respaldo do Judiciário e do Ministério Público.

Agora, pensam compensar avançando em cima de um peixe pequeno, inexpressivo, pela absoluta falta de coragem de encarar os tubarões.

E isso em todos os níveis.

No mundo de Raquel Dodge, em que todos os poderes funcionam perfeitamente, o Ministério Público Federal deveria ser o fiscal das ações da Polícia Federal. O que aconteceu com os episódios das invasões da UFSC e UFMG? Nada. O que aconteceu com os esbirros diários da PF e suas conduções coercitivas? Nada.


O juiz Ricardo Leite e o Procurador Anselmo Lopes praticam arbitrariedades periódicas, a última das quais foi impedir a ida de Lula a uma conferência internacional, presente o secretário-geral da ONU. Mais: humilharam dezenas de funcionários do BNDES, incluindo grávidas, por motivo fútil, por ignorância expressa sobre os sistemas de decisão do órgão. O que aconteceu com eles? Nada.

Ricardo Leite foi expressamente acusado de facilitar para réus ricos, a ponto da força-tarefa da Zelotes pedir seu afastamento. O que aconteceu com ele? Nada.


A delegada da Polícia Federal Erika Merena e a juíza Janaina Machado atropelaram o Código Penal, humilhando e levando ao suicídio o reitor de uma Universidade Federal. Erika foi absolvida pela própria PF, por ter seguido todos os procedimentos. O que fez o Ministério Público e, especificamente a Procuradora Geral da República Raquel Dodge? Nada.


A juíza Rachel Alves de Lima e o Delegado Leopoldo Lacerda reproduziram o mesmo episódio dantesco na Universidade Federal de Minas Gerais. Qual a posição da doutora Raquel? Nenhuma.


A juíza Cecília Pinheiro da Fonseca e o promotor Fernando Albuquerque estão criminalizando 18 rapazes pela intenção de participar de uma passeata contra o impeachment. Quando detidos, bravos procuradores da República, em São Paulo, correram até a delegacia para preservar a integridade dos jovens. Foram denunciados ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) por seus colegas paulistas. O que fez Raquel Dodge? Nada. Os meninos já tiveram sua vida colocada de pernas para o ar, com a mera ameaça de condenação e com o fato de ter sido aceita a denúncia contra eles. O que faz a PGR? Nada. O que faz o MPF? Nada. Um mero gesto de defesa da liberdade de manifestação fixaria um parâmetro relevante no caso. Mas falta grandeza à Raquel Dodge.

Mas quando se trata de Cristiane Brasil, os corajosos levantam do túmulo e mostram toda sua autoridade.

Luís Nassif
No GGN

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