14 de fev de 2018

Com a Sapucaí, com Supremo, com tudo: na mão de um bicheiro, Beija Flor ganha o Carnaval falando de… corrupção

Os ratos da Beija Flor em 2018
A Beija Flor é campeã do Carnaval do Rio de Janeiro com um enredo de “crítica social e política” tirado de um manual do perfeito idiota da Lava Jato.

Era o Dallagnol de porta bandeira, o Sergio Moro de mestre sala.

Não à toa, a preferida da Globo.

Uma diluição de escândalos para midiotas. Homens fantasiados de Sergio Cabral, de lenço na cabeça, e ratos fizeram sucesso.

Ricardo Noblat, sem querer, resumiu bem a coisa: “contra tudo isso que está aí”. Noblat toma isso como elogio, quando é uma estupidez.

A escola reproduziu, na Sapucaí, o sentimento do coxa de classe média sonegador de impostos, corrupto, que foi para as ruas com camisa da CBF protestar contra a “roubalheira”.

Onde a Tuiuti viu esse inocente útil protofascista como um manipulado, a Beija Flor enxergou um herói e reproduziu o repertório.
Essa hipocrisia permite que uma escola cujo “patrono” é um bicheiro condenado “proteste” contra a corrupção.

A idéia do enredo é do filho de Aniz (Anísio) Abraão David, Gabriel David, de 20 anos.

“A escola tinha que explorar algum problema social”, diz Gabriel.

Em 2007, Anísio foi preso pela Polícia Federal na Operação Hurricane, acusado de ameaçar jurados para que dessem o título à sua escola.

Boni prestigia o título de 2015 com o bicheiro Aniz Abraão David

Em dezembro de 2011, foi indiciado pela Operação Dedo de Deus com outros colegas. Os policiais invadiram sua cobertura em Copacabana. Ele fugiu e foi encontrado em janeiro de 2012.

Acabou solto pelo STF.

Em 2013, foi condenado a 47 anos de cana por comandar uma quadrilha que explorava o jogo ilegal no Rio, com bingos e máquinas de caça-níquel.

O processo está em grau de recurso no Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Sua família manda em Nilópolis desde a ditadura. O irmão Farid é prefeito. O sobrinho, Ricardo, era deputado estadual.

A Beija Flor é isso. Sua consagração diz tudo. O campeonato cabe na fórmula do Jucá: com o Supremo, com a Sapucaí, com a Globo, com tudo.

Como eram os réveillons no triplex de Roberto Marinho em Copa, vendido ao bicheiro Aniz Abraão, patrono da Beija Flor

A Globo curtiu a Beija Flor e seu enredo lavajateiro do Carnaval. A relação da emissora com a escola é muito antiga. São instituições cariocas. Em 2014, Boni foi tema. Ficou em sétimo lugar.

O bicheiro Aniz (Anísio) Abraão David, patrono da agremiação, comprou uma cobertura de 2 mil metros quadrados em Copacabana, na Avenida Atlântica, que era de Roberto Marinho. Em 2011, ela foi invadida por policiais civis na Operação Dedo de Deus.

O Estadão aproveitou a ocasião para contar como eram os réveillons mais chiques do Rio de Janeiro no tempo em que o doutor Roberto era dono do imóvel.

Uma equipe de cinqüenta seguranças cuidava da tranqüilidade dos convidados, em geral autoridades como ministros, embaixadores e governadores. Às mulheres, Lily distribuía um broche de pedras semipreciosas como lembrança.

Diz a matéria:

A cobertura do imponente Edifício Atlântica, no número 2.172 da Avenida Atlântica, de frente para o mar de Copacabana, já viveu dias muito mais gloriosos. Ali, onde ontem às 6h policiais desceram de rapel atrás do contraventor Aniz Abraão David, o Anísio, foi realizada durante 12 anos a festa mais chique do réveillon carioca.

Era um ritual sagrado. Todos os anos, Roberto Marinho, presidente das Organizações Globo e proprietário da cobertura tríplex de 1.200 metros quadrados, recebia cerca de cem convidados para o jantar black-tie, ao lado da mulher, dona Lilly. Seguranças garantiam a tranquilidade dos ilustres convidados.

O cardápio era preparado com esmero pelo chef francês Laurent Suaudeau. Na varanda, uma orquestra com dez músicos tocava sucessos de Frank Sinatra. A pista de dança era geralmente montada em cima da piscina. A mesma piscina onde agora a pintura do beija-flor, marca da escola de samba da qual Anísio é patrono, domina o fundo.

Roberto Marinho e Lily em noite de gala

A música só era interrompida à meia-noite, para que os convidados admirassem os fogos de Copacabana. Durante o restante do ano, os três andares da cobertura ficavam fechados. Em novembro, dona Lilly começava os preparativos para a festa: mandava pintar as paredes e chamava o decorador Helinho Fraga, o mais badalado do high society carioca, para arrumar os salões. Os móveis eram geralmente brancos.

Nas mesas, orquídeas brancas. Tão certo quanto as esmeraldas e os rubis das joias das convidadas era a distribuição de uvas pouco antes da meia-noite para que os convidados fizessem seus pedidos ao som de Está Chegando a Hora. Meia hora depois da queima de fogos, o casal Marinho ia embora para a mansão no Cosme Velho. Uma semana depois, a decoração era retirada e o apartamento, fechado.

Anísio comprou o apartamento em 2004, um ano depois da morte de Roberto Marinho. Pagou R$ 5 milhões. Ele já era proprietário do apartamento no primeiro andar, que agora o bicheiro usa como escritório. Também moram no prédio a autora de novelas Glória Perez e Eduardo Magalhães Pinto, da família proprietária do Banco Nacional, que em 1995 sofreu intervenção do Banco Central por gestão fraudulenta.

Rei

Embora tenha sido preso outras vezes, Anísio tem prestígio nos salões cariocas. Há menos de um mês, esteve na festa de lançamento do livro de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, no luxuoso hotel Copacabana Palace. Anísio recebeu abraço caloroso do Rei Roberto Carlos e circulou sem constrangimento ao lado do prefeito Eduardo Paes e de vários artistas.

Simplesmente um luxo

Kiko Nogueira
No DCM

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