31 de jan de 2018

Se houver eleições em outubro.

Lula, mesmo depois de condenado pela farsa do TRF4, segundo o Datafolha de hoje, vence qualquer candidato em primeiro e segundo turno, com muita folga.

Sem Lula, o proto-fascista, racista, machista, homofóbico e tosco Bolsonaro venceria a eleição em primeiro turno, mas perderia para qualquer outro candidato de esquerda no segundo turno. No caso de um milagre que leve Geraldo "Santo" Alckmin paro segundo turno, Bolsonaro aparece em empate técnico com Ciro Gomes (pelo menos antes dos primeiros debates) e com Geraldo "Santo" Alckmin. Marina, que está em queda na pesquisa, ainda venceria Bolsonaro, mas a diferença entre os dois caiu de 18 para 10 pontos em quatro meses.

Li mais de um analista chamando o golpe parlamentar dos corruptos de "golpe burro", pois a direita teria derrubado o governo eleito sem ter um candidato viável para as eleições. De fato, os candidatos da direita estão com baixíssimos índices de intenção de votos e atolados em denúncias de corrupção (Alckmin, Collor, Meirelles), ou soam como uma aventura irresponsável (Huck, que nega ser candidato).

Em 1989, quando a Casa Grande se uniu para inventar Collor e derrotar Lula, a imprensa corporativa falava sozinha, foi possível vender em poucos meses o desconhecido governador de Alagoas como um paladino contra a corrupção (o "Caçador de Marajás"). Hoje, quase 30 anos depois, o poder de midiotização ainda é enorme, mas tem o contraponto de centenas de sites, blogues e das redes sociais. Ainda é possível mentir muito, mas é muito difícil, quase impossível, esconder inteiramente a verdade.

Hoje seria impossível, por exemplo, esconder que Henrique Meirelles (1% nas pesquisas) recebeu 230 milhões como Presidente do Conselho da JBS no período em que os picaretas da carne subornavam golpistas com dinheiro em malas. Ou que Geraldo "Santo" Alckmin tem contra si uma dúzia de denúncias de corrupção, estas com provas concretas, números de contas bancárias e denúncias já homologadas pela justiça (ao contrário da única denúncia contra Lula, do co-réu Leo Pinheiro, que nunca foi homologada).

Marina, que apoiou o golpe e Aécio Neves, gravou vídeos dizendo que o mineiro, hoje solto apenas pela solidariedade de congressistas que são sócios dos seus crimes, iria combater a corrupção no país, está em queda nas pesquisas, há possibilidade real de que perca a eleição para Bolsonaro em segundo turno.

A pergunta é: depois de rasgar a constituição, expôr as entranhas do congresso mais corrupto da história, destruir a credibilidade do judiciário brasileiro em todas as instâncias, sepultar a já corroída credibilidade da imprensa brasileira e entregar de presente o pré-sal às petroleiras americanas à um dólar e meio o barril (hoje ele está cotado a R$ 63,80), é possível imaginar que este golpe, que perdeu qualquer vergonha na cara, seja realmente burro a ponto de permitir a vitória de um candidato de esquerda em outubro?

Não parece mais provável que, com a possibilidade cada vez mais concreta de derrota nas eleições, os golpistas, que já perderam o medo das aparências faz tempo e contam com a docilidade remunerada dos papagaios de aluguel da mídia, escalem mais um degrau do golpe e, como fez o AI-5 em 1968, terminem com o simulacro de democracia em que vivemos e inventem um modo de não termos eleições livres? Será mesmo um "golpe burro"?

Jorge Furtado

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